Vale bíblico usado por Jesus se transforma em esgoto a céu aberto

O Vale do Cedrón, região usada por Jesus em suas viagens entre Betânia e Jerusalém durante a rebelião de Absalão, escoa hoje cerca de um quarto de todo o esgoto da cidade sagrada. Como divulgado pela “Reuters”, 30 quilômetros de terra são inundados por cerca de 12 milhões de metros cúbicos de dejetos por ano, que correm entre o Monte do Templo e o Monte das Oliveiras, até o Mar Morto.

O diretor para o distrito de Jerusalém do Ministério de Proteção Ambiental de Israel, Shony Goldberger, disse à agência que a situação atual da região é perigosa e ameaçadora “para a saúde das pessoas em muitas formas”.

Segundo a publicação, o esgoto corre por áreas controladas por Israel e Palestina, o que dificulta a solução do problema. Contudo, recentemente, autoridades de ambos os lados concordaram em construir um duto, que levará os dejetos a estações de tratamento ainda não construídas, onde o esgoto será drenado. Cada administração ficou responsável por construir as instalações necessárias em seus territórios.

Plantas crescem de forma anômala, animais matam a sede no líquido poluído e montanhas de fraldas de bebê se formam ao longo do vale. Os dejetos ainda se infiltram na terra, podendo contaminar os lençóis freáticos.

Quando o esgoto chega ao fim do caminho, a água poluída fica retira em uma espécie de piscina e é usada para irrigar árvores antigas, que têm maior tolerância a poluentes. Mas constantemente a gravidade leva os poluentes ao Mar Morto, que é o ponto mais baixo do planeta. “É como uma mancha marrom. Ela permanece desconectada da água salgada do Mar Morto”, explica Goldberger.

O Israel e a Palestina estão vivendo um momento tenso, dificultando a execução de projetos que exigem a coordenação dos dois governos. O acordo já é considerado um grande avanço. “Depois de décadas sem capacidade para resolver o problema, por milhares de razões, técnicas e políticas, nós alcançamos um acordo para a construção de um duto no vale”, disse o general Yoav Mordechai, coordenador das atividades do governo de Israel na Cisjordânia.

Segundo a Autoridade Nacional Palestina, o acordo foi alcançado pelo “interesse em limpar a área”. No entanto, ele fez questão de enfatizar que os trabalhos realizados pelos dois lados são independentes. Com informações de Notícias ao Minuto.

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