Rio Branco, Acre, 28 de outubro de 2020

PLANALTO TENTA AJUDAR CUNHA A SALVAR MANDATO

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Integrantes do governo interino de Michel Temer sugeriram a Eduardo Cunha (PMDB-RJ) nos últimos dias que o deputado renunciasse à presidência da Câmara a fim de, em troca, salvar seu mandato, informou a jornalista Andréia Sadi, da Globonews, na noite desta quarta-feira pelo Twitter; antes, o colunista do 247 Alex Solnik já havia afirmado que o governo provisório atuara decisivamente a favor de Cunha no processo de cassação que corre contra ele no Conselho de Ética da Casa; segundo Sadi, a sugestão ao peemedebista teria sido feita ao menos três vezes pelo Palácio do Planalto, que o alertou que o ambiente no plenário da Câmara “seria tenso”; mas todas foram rechaçadas.

Integrantes do governo interino de Michel Temer (PMDB) atuaram de forma decisiva para tentar salvar o mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afastado da presidência da Câmara dos Deputados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que o julga pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Cunha é alvo de um processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara. Nos últimos dias, membros do Palácio do Planalto sugeriram ao deputado para que renunciasse à presidência da Casa a fim de, em troca, salvar seu mandato, informou a jornalista Andréia Sadi, da Globonews, na noite desta quarta-feira 8 pelo Twitter.

Segundo ela, a sugestão teria sido feita ao menos três vezes pelo Planalto, que alertou o peemedebista que o ambiente no plenário da Câmara “seria tenso se a presidência da Câmara não estivesse em jogo”. Todas as propostas, porém, foram rechaçadas pelo parlamentar, de acordo com esses interlocutores do governo.

O colunista do 247 Alex Solnik destacou na terça-feira a ação do governo interino para salvar Cunha. Ele lembrou que a votação do relatório que pede a cassação de Cunha no Conselho de Ética estava marcada para terça-feira, quando deveria comparecer a deputada Tia Eron (PRB-BA), cujo voto é decisivo no processo.

Nem Tia Eron compareceu, nem a votação aconteceu. Ela chegou a ser adiada para esta quarta-feira, a pedido do relator, Marcos Rogério (DEM-TO), mas foi suspensa pelo presidente do colegiado, deputado José Carlos Araújo, que não marcou outra data. Tia Eron se manifestou depois da polêmica ausência dizendo que ‘não fugiu’ e que não se furtará a cumprir com seu dever.

Questionado por jornalistas ontem sobre o assunto, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, negou que haja interferência do governo no processo contra Cunha. “A independência entre os Poderes faz com que essa pergunta não possa ser respondida pelo governo e, sim lá pelo Legislativo”. E completou: a “interferência do governo é zero”.

“O interesse que se tem hoje é que as instituições funcionem, a Câmara dos Deputados está funcionando normalmente. A questão da limitação ou não da atuação do deputado Eduardo Cunha, primeiro é uma questão do Legislativo, depois do poder Judiciário. Não teve absolutamente nada que ver com o poder Executivo”, afirmou ainda, em coletiva de imprensa.

Na manhã desta quinta-feira, representantes dos quatro partidos que faziam oposição ao governo Dilma e aderiram a Temer — PSDB, DEM, PSB e PPS — expressarão, em um encontro com o presidente interino, o incômodo com a atuação do Planalto na tentativa de salvar o mandato de Cunha, sepultando o parecer que pede a cassação do deputado no Conselho de Ética.

Os líderes pediram uma reunião “o mais rápido possível” para esclarecer se o governo interino estaria mesmo agindo a favor do presidente afastado da Câmara, após reportagens na imprensa. O deputado Pauderney Avelino (AM), líder do DEM, relatou um clima de desconfiança em relação ao Planalto com a denunciada operação.

Fato forte para alimentar a tese foi a reunião realizada na última segunda-feira entre Padilha e o ministro Marcos Pereira (Indústria), presidente do PRB, partido da deputada Tia Eron. O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) alertou ainda para um possível encontro que teria havido entre o próprio Michel Temer e Marcos Pereira.

 

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