Rio Branco, Acre, 22 de setembro de 2020

Nadadora que ajudou a salvar 20 vidas na Síria compete na Rio 2016

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Há pouco mais de um ano, Yusra Mardini, então com 18 anos de idade, teve que nadar pela sobrevivência ao lado de outros refugiados na perigosa travessia do Mar Mediterrâneo. “Todos no barco estavam rezando. É difícil pensar que você é uma nadadora e pode acabar morrendo na água”, relembra a atleta, que em agosto próximo compete nos Jogos Olímpicos Rio 2016 pela delegação dos refugiados do Comitê Olímpico Internacional (COI).

A história de Yusra é uma das muitas que ilustram o Dia Mundial dos Refugiados, celebrado nesta segunda-feira (20) por iniciativa do COI e da Organização das Nações Unidas (ONU).

Yusra e sua irmã fugiram de Damasco, na Síria, quando a guerra no país se intensificou. Primeiro, viajaram a Beirute, no Líbano. Após uma passagem por Istambul, na Turquia, ganharam o Mediterrâneo para chegar à ilha grega de Lesbos. Hoje ela vive em Berlim, na Alemanha.

Durante a travessia do Mediterrâneo, o motor do bote em que viajavam parou. Com capacidade para 6 pessoas e ocupada por 20, a pequena embarcação corria o risco de afundar. Foi então que Yusra, a irmã e uma terceira mulher saltaram na água e ajudaram a empurrar o bote até a praia. “Apenas 4 das 20 pessoas sabiam nadar”, conta a atleta.

 

Projeto do COI

A formação do time dos refugiados é o resultado de um projeto iniciado pelo COI em 2015. Na ocasião, um fundo de 2 milhões de dólares foi criado para ajudar os comitês Olímpicos nacionais na criação de programas especialmente voltados a refugiados. O objetivo final era identificar talentos capazes de participar dos Jogos Olímpicos.

Incluída na equipe Olímpica, Yusra treina atualmente no Wasserfreunde Spandau 04, um dos clubes de natação mais antigos de Berlim. Foi o bom trabalho na Alemanha que lhe valeu uma das dez vagas no time Olímpico dos refugiados.

Depois de representar a Síria no Campeonato Mundial de Natação de 2012, Yusra agora espera aproveitar da melhor maneira sua experiência Olímpica. “Vou contar para todo mundo sobre o que passei aqui (no Rio). Quero mostrar que depois da dor e da tempestade chegam dias melhores”.

Outros nove atletas completam a delegação inédita em Jogos Olímpicos: mais um nadador da Síria, cinco corredores do Sudão do Sul, dois judocas da República Democrática do Congo e um maratonista da Etiópia.

Os refugiados competem sob a bandeira e o hino Olímpicos. Como qualquer outra delegação, ficam hospedados na Vila dos Atletas e são acompanhados de treinadores, médicos e outros profissionais.

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