Rio Branco, Acre, 20 de outubro de 2020

Transexual é agredida com cabo de vassoura

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email

Por pouco o relacionamento de oito meses da microempreendedora transexual Bhrunna Rubby Rodrigues, de 29 anos, não terminou em tragédia. Na segunda-feira (18), ela foi espancada e recebeu golpes com um cabo de vassoura do namorado, de 18 anos. Imagens das agressões foram compartilhadas por ela junto com um desabafo em seu perfil no Facebook.

Tentamos ouvir o suspeito da agressão, mas não conseguiu até a publicação desta matéria. A mãe dele, que não quis se identificar, disse que desde o domingo (17) não tem notícias do rapaz.

A vítima conta que levou oito pontos na cabeça e ficou com escoriações por todo o corpo. O caso foi registrado na Delegacia da Mulher (Deam) em Rio Branco, os dois devem ser chamados a prestar depoimento.

“Estava em um compromisso religioso e passei o dia fora. Mais cedo havia ligado para ele, que me disse que estava na casa da mãe. Quando estava indo para casa, liguei para ela para avisá-lo e ela [a mãe dele] me disse que ele não tinha ido lá. Descobri que ele havia mentido”, conta Rubby.

A microempreendedora diz que como já havia descoberto outras mentiras que ele teria contado e casos de infidelidade resolveu confrontá-lo.

“Fui perguntar porque ele havia mentido e ele já veio me agredindo verbalmente. Então, disse: ‘a partir de agora não quero mais brigar com você. Estou tomando uma decisão, quero ir embora e vamos nos separar’. Aí ele me trancou dentro do apartamento e já veio me batendo, me deu vários socos no rosto e no abdômen, tentou me enforcar”, diz.

‘Ninguém me ajudou’
Bhrunna Ruby diz ter sofrido preconceito durante atendimento em UPA (Foto: Arquivo pessoal)Rubby diz que conseguiu se desvencilhar e foi então que o namorado pegou uma vassoura e começou a agredí-la.

“Tentei sair do prédio, mas o portão estava trancado. Então ele ficou me batendo no pátio dos apartamentos. Eu gritava para os vizinhos, mas ninguém me ajudou. Até que em um momento ele acertou o cabo da vassoura na minha cabeça. Eu desmaiei e acordei com ele me chutando”, lembra. A vítima relata que ao ver o sangue que escorria da cabeça dela, o namorado fugiu.

Essa não teria sido a primeira vez que o rapaz a agrediu. “A gente tinha uma boa convivência, só que às vezes ele apresentava um comportamento agressivo. Já tinha me batido, mas agressões leves, já havia me empurrado e dado tapas no rosto”, salienta.

Preconceito
A agressão física não foi a única violência sofrida pela transexual. Ao procurar a Unidade de Pronto Atendimento do bairro Sobral, ela, ainda fragilizada, teve de lidar com o preconceito. Ela conta que apesar de há 12 anos ter um nome social, na triagem os atendentes cadastraram o nome de registro dela. Uma situação que causou constrangimento.

“O enfermeiro estava me atendendo e ficava me chamando de ele. Eu disse: ‘olha, sou transexual, meu nome social é Rubby. Aí ele disse ‘é que eu não tenho costume com essas coisas. Não sei não’. Já o médico estava mais preparado e entendeu”, conta ela.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Saúde lamentou o ocorrido e disse que vai entrar em contato com a direção da unidade para que o caso seja apurado. “Repudiamos com veemência qualquer tipo de preconceito, ainda mais com uma pessoa que está fragilizada”, disse o órgão em nota.

 

Com informações do G1.

Leia também

Receba nossas novidades

Av. Rodrigues Alves 60 – Centro – Cruzeiro do Sul AC.