Rio Branco, Acre, 25 de novembro de 2020

INDÚSTRIAS ACREANAS DO SETOR DE ALIMENTOS ESTÃO NA CONTRAMÃO DA CRISE ECONÔMICA

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Bastam cinco minutos de conversa com o jovem proprietário da Granja Carijó para entender todo o entusiasmo e sucesso da empresa familiar. “Nasci e cresci vendo meu pai, Luiz Helosman, cuidar da granja em Cruzeiro do Sul. Apesar de ele ser dentista, resolveu cuidar de bicho que não tem dente”, brinca Diogo Luiz Valente. Cada vez mais automatizada devido aos altos investimentos, o empreendimento é capaz de impressionar os mais resistentes a acreditar no sucesso das indústrias acreanas. Hoje, a Granja Carijó ganhou mercado e é responsável por abastecer 50% da necessidade do estado.

Feliz pelos bons resultados apresentados pelo segmento, o presidente do Sindicato da Indústria de Alimentos do Acre (Sinpal), José Luiz Felício, deu início a uma série de visitas a vários cases de sucessos de empresas locais, acompanhado de empresários de outros setores. A jornada começou pela Vila Pia, no quilômetro 52 da estrada que liga Rio Branco a Boca do Acre. É lá onde está instalada a propriedade rural descrita no início desta reportagem.

No Vale do Juruá – onde está situada a matriz da empresa – todos conhecem a qualidade de seus produtos. No entanto, os investimentos do governo do Acre na produção de milho fizeram com que os proprietários inaugurassem uma filial, em 2010, na direção oposta, o Vale do Acre.

“Fazemos conta de tudo que é jeito: 36% dos custos da granja advêm deste insumo”, informou Diogo. Além da automação, os cuidados fitossanitários e o manejo nutricional são essenciais para manter a qualidade da produção. “Precisamos garantir o nosso diferencial. Nossas aves são vacinadas contra nove tipos de doenças e atendemos às exigências estipuladas para o nosso negócio”, explica ele, que lista, ainda, algumas exigências fitosanitárias como, por exemplo, uma distância mínima entre as unidades da granja, como fábrica de ração, incubatório e aviários – que devem ser protegidos de maneira a evitar a passagem de pessoas e animais próximo às instalações.

Diferenciais

Para alimentar 105 mil aves da linhagem bovans, a Granja Carijó precisa armazenar, na unidade de Rio Branco, 1,8 mil toneladas de milho a cada seis meses num silo construído especificamente para este fim. Eles mesmos fazem o beneficiamento do milho e, além deste insumo, as galinhas consomem farelo de soja e calcário – que tem baixa concentração de magnésio. Tudo isso a fim de garantir ovos mais resistentes, o que os entendedores do assunto classificam como “unidade haught maior”. Em poucas palavras, significa que o ovo tem uma vida útil maior – elevando seu tempo de prateleira no mercado.

Todo esse diferencial é atestado por Adem Araújo, proprietário da maior rede de supermercados de Rio Branco. “A Granja Carijó é uma grande parceira. Além da qualidade dos ovos, temos vantagens competitivas que não conseguimos com outros fornecedores, como, por exemplo, flexibilidade nas negociações, entrega rápida do produto e o diferencial de um o produto fresco e melhor, pois não sofre com transporte longo”, avalia o empresário. A parceria com a granja se iniciou em 2014, com a venda de 30 caixas de ovos por semana. Atualmente, são vendidas 600 caixas.

Multiplicação dos ovos

Com produção diária de 90 mil ovos, a Granja Carijó, que possui um galpão completamente inovador – inclusive com climatização conhecida como “pressão negativa”, garantindo a redução da temperatura em média 10 graus se comparada com a temperatura ambiente – e comporta 50 mil aves, já tem autorização e recursos financeiros para a construção de mais duas estruturas iguais para alojar mais 100 mil galinhas. Com todo esse investimento, a unidade de Rio Branco conseguirá produzir 230 mil ovos por dia.

Emprego e renda

Atualmente, o empreendimento possui 43 trabalhadores em sua folha. Destes, apenas três foram trazidos de Cruzeiro do Sul para ajudar na parte administrativa da empresa. Os outros 40 são todos da Vila Pia – o que reflete em geração de emprego e renda em uma localidade onde não havia muita prospecção de negócios. A classificadora de ovos, Suiane Nepomuceno, é uma das moradoras do vilarejo e se disse bastante satisfeita.

“Adoro meu trabalho. Aqui somos valorizados. Torço pelo sucesso da empresa, pois sei que, se a granja crescer, a gente cresce junto”, anseia.

Ovos de codorna ganham mercado

De produto exótico a ingrediente popular no prato dos brasileiros, a trajetória do ovo de codorna na culinária nacional é exemplo da quebra de barreiras de um item que antes sofria resistência dos consumidores. E essa popularização também pode ser vista no Acre, o que fez com que a Granja Carijó expandisse sua produção. Há duas semanas, o produto pode ser encontrado nos principais mercados da região.

Todo esse sucesso é comemorado por José Luiz Felício, que afirma que a crise no setor de alimentos dura pouco. “É o tempo que a gente leva para ter fome, depois de uma refeição, e voltar a se alimentar”, compara.

Essas informações vão ao encontro dos resultados apresentados por uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), atestando que o setor de alimentos no Acre foi a atividade que mais ganhou participação na indústria do estado: aumentou 8,7% entre 2007 e 2013. “Em tempos de recessão e crise econômica, podemos dizer que o nosso setor está bem”, comemora o presidente do Sinpal.

Segundo José Luiz, o sucesso das empresas do setor são resultados, em sua grande maioria, às ações realizadas pelo sindicato, que têm total apoio da Federação das Indústrias do Estado do Acre – FIEAC. Ele acredita que quanto mais forte e representativo for o movimento empresarial, maiores são as chances de chegarmos a um cenário mais favorável aos negócios. “O associativismo é exatamente isso: o caminho mais eficiente para buscarmos a superação de dificuldades e a obtenção de benefícios comuns”, finaliza.

800 aves em Cruzeiro
Expandiu por causa da produção de milho…… O ovo que chegava em CZS não prestava, por conta da trepidação da estrada…

Começaram a vender para o Dayanne, Pague Pouco. Hoje, das 10 lojas do Arapujo, já vendem em 8. Quando começou a vende rpara o Araujo Mix, ele vendia 30 caixas de ovo por semana. Hoje, vende 600 caixas de ovos para o Araújo MIX.

A granja tem a balança rodoviária.. tem o grupo gerador de energia… Fizemos o silo.. nos adequamos para pegar o SIF…

São Paulo
O mineiro Leandro Pinto costuma dizer que as crises no agronegócionão duram mais de 6 horas. “É o tempo que a gente leva para ter fome depois de uma refeição e a voltar a consumir alimento”, afirma ele.

Nas últimas décadas, o ovinho conquistou de vez a cozinha dos quatro cantos do país.

Pouca coisa se perde em todo o processo. Até mesmo os dejetos fecais são vendidos para ser utilizados na adubação e fertilização de solos. As galinhas em si também são uma fonte de renda: depois de dois anos e meio de vida, quando perdem a capacidade de produção, elas são descartadas e vendidas para o abate.

 

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