Rio Branco, Acre, 25 de novembro de 2020

Artigo: Era uma vez uma cidade cor de rosa

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por Leandro Altheman

Era uma vez, há muito e muitos anos atrás, uma cidade pintada de cor de rosa. Pensando bem, não fazem tantos anos assim que Cruzeiro do Sul tinha como prefeita Zila Bezerra e como seu vice, Ilderlei Cordeiro.

Pensando ainda melhor, essa história tem início pouco antes de a cidade ter sido pintada de cor de rosa, durante a eleição municipal de 2004, quando disputavam Zila Bezerra, pelo PTB e Henrique Afonso, então pelo PT.

Dessa eleição me lembro bem, do céu enevoado das fumaças de outras bandas, que fechou o aeroporto de Cruzeiro do Sul, impedindo que avião da banda KLB pousasse e realizasse o showmício de Henrique Afonso. Sim isso mesmo, showmício. Há doze anos atrás vivíamos uma época diferente, em que eram permitidos shows em eventos políticos. Uma época também em que a FPA, em seu auge, apostava suas fichas na ideia de que seria melhor para Cruzeiro do Sul, ter um aliado político do governo à frente da prefeitura. Ledo engano. O sentimento de autonomia falou mais forte para pelo menos a maioria da população, que deu a vitória a Zila Bezerra.

Embora que haja também quem diga que o que falou mais alto mesmo tenha sido o fisiologismo atávico de parte significativa do eleitorado, que por não assistir o show do KLB, depois de tantos anúncios e promessas, resolveu dar o troco nas urnas.

Há quem diga também que os céus fechados pela névoa seca, tenham sido causados por obra de magia encomendada pela Pantera Cor-de-Rosa. Dizem ainda que ideia de pintar a prefeitura de cor de rosa tenha sido parte do agradecimento.

O meteorologista Davi Friale deve ter outra explicação científica para o fenômeno, mas a história faz parte do folclore político local.

Iansã, a deusa dos ventos que tem o rosa como sua cor, talvez pudesse mesmo fazer uma intervenção dessa natureza em favor de uma filha sua. Essa também não seria a última vez que Henrique Afonso teria perdido a eleição para a magia. Mas isso já é outra história.

O fato é que o rosa ganhou destaque, principalmente como uma exaltação ao feminino. Zila, e suas assessoras mais próximas ganharam o elegante apelido de ‘panteras cor-de-rosa’.

O personagem central dessa tragicomédia pintada de rosa é o atual candidato, favorito e afiliado político de Vagner Sales, Ilderlei Cordeiro.

Ainda no período de campanha, Ilderlei e Zila, começaram os primeiros estranhamentos. Ilderlei, nesse tempo de vacas gordas (para ele) teria sido o principal financiador da campanha. Zila entrava basicamente com o capital político de sua experiência acumulada como deputada federal, mas segundo dizem, financeiramente falida.

Os problemas tiveram início quando o então candidato a vice, Ilderlei, começou a cobrar mais espaço, nas aparições na TV. Zila abriu o espaço, mas Ilderlei revelou-se uma tragédia na frente das câmeras. Algumas coisas nunca mudam.

Confirmada a vitória do 14 sobre o 13 na eleição, os problemas anunciados na campanha foram ganhando contornos mais graves.

O motivo, sempre o mesmo: a cobrança por ‘mais espaço’ na administração.

Zila Bezerra e César Messias montaram uma equipe de transição na prefeitura, demonstrando um grau de civilidade institucional difícil de imaginar nos dias de hoje.

Foi ainda durante esse período que Ilderlei chamou Zila para um ‘passeio’ em terras de sua propriedade, localizadas próximo à Boca da Onça. Lá chegando, depois subir e descer ladeiras em estradas de terra com o velho Fiat, teria dado a sentença.

– Tá vendo essas terras? Pois é, eu preciso que a prefeitura compre elas.

A pantera cor-de-rosa deve ter pressentido o perigo, mas foi firme diante da proposta, que lhe soou ameaçadora:

-Ok, Ilderlei. A gente volta a conversar sobre o assunto.

Ilderlei ainda tentou ali mesmo, obter uma resposta mais favorável

– Não, mais…

A pantera fitou-lhe firmemente nos olhos e disse:

– Ilderlei, eu já entendi. Agora eu preciso que você me leve de volta.

Para Zila, esse primeiro episódio, de muitos que viriam, revelava uma tendência um tanto perigosa no rapaz.

Continua em: Era uma vez uma cidade cor de rosa II

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