Rio Branco, Acre, 24 de novembro de 2020

Morte de brasileiros na Espanha pode ter sido ajuste de contas

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Há uma semana, Susana Cisneros visitou um amigo na rua dos Salgueiros, no povoado de Pioz. Sentiu um cheiro forte, que atribuiu ao esgoto, e não voltou a pensar no assunto.

Até domingo passado (18), quando a lembrança do odor passou a lhe atormentar. Nessa data, a polícia encontrou na casa de frente os corpos do que, segundo as investigações, era uma família de quatro brasileiros. Os cadáveres apodreciam em sacos plásticos havia um mês.

Dois adultos com cerca de 40 anos foram desmembrados. As outras duas vítimas, encontradas inteiras, eram crianças de um e quatro anos de idade. Seus nomes ainda não foram revelados.

Segundo informações coletadas pela reportagem com funcionários da prefeitura local, os brasileiros haviam se registrado oficialmente como moradores em 21 de julho. Antes disso, seu endereço constava em Torrejón, nas imediações. A criança de um ano nasceu na Espanha.

Eles viviam em um conjunto residencial, semelhante a um condomínio de Alphaville.

São cerca de 600 casas, em ruas ladeadas por pinheiros. Há pouco, quase nenhum, movimento nas ruas. Raros eram os moradores que afirmavam ter visto os brasileiros.

Cisneros mudou-se para o condomínio em Pioz há nove anos, impressionada pela segurança. É necessário passar por uma guarita e identificar-se. Mas, após o crime, ela põe em dúvida a eficiência do sistema. “Tenho medo. Não sei o que ocorreu.”

O crime é por ora tratado pelas autoridades espanholas como um ajuste de contas. Moradores ouvidos pela reportagem concordam com a tese. Os brasileiros viviam em uma casa quase sem móveis, não saíam às ruas. Diz-se que o homem adulto caminhava meia hora todos os dias até o centro da cidade para fazer as suas compras.

Mas o morador Juan Aguado tem suas dúvidas em relação à motivação do crime. “Se fosse um ajuste de contas, por que teriam desmembrado eles? Matariam e iriam embora”, diz. Ele afirma pagar cerca de R$ 100 por mês pela segurança privada -e que, diante das circunstâncias, não se incomodaria em pagar mais.

SIGILO

O desmembramento dos brasileiros tem sido acompanhado de perto pela imprensa espanhola. Havia equipes de televisão durante esta segunda (19), em Pioz. Mas, com a rua interditada e o fato de que a família não era conhecida no povoado, o caso segue entre mistérios.

Procurado pela reportagem, o consulado brasileiro afirmou que as autoridades espanholas não compartilharam as informações, ainda tratadas como sigilo. O Itamaraty informou que ainda não havia sido notificado do caso pelas autoridades locais.

Por sua vez, a polícia espanhola disse que, devido ao sigilo, não pode divulgar nenhum detalhe, incluindo os nomes das vítimas ou as circunstâncias de suas mortes. A própria prefeitura diz que, por enquanto, se informa pela mídia local e pelos poucos rumores circulados entre os moradores.

As autoridades de Pioz declararam dois dias de luto oficial, começando nesta segunda, com um minuto de silêncio nesta terça (20) em homenagem às vítimas.

MENSAGEM

As circunstâncias da morte da família brasileira no interior espanhol indicam, para o especialista Juan Francisco Alcaraz, uma mensagem enviada por uma grande organização criminosa.

Alcaraz é presidente da Sociedade Espanhola de Perfis Criminais. A partir dos detalhes disponíveis, e sem conhecimentos específicos do caso, ele afirmou à reportagem que as mortes têm as características de um ajuste de contas, como dito pela polícia local.

O fato de que as crianças não foram desmembradas, por exemplo, sugere que os criminosos queriam indicar a culpa exclusiva dos pais. “Eles estão dizendo que esses jovens eram inocentes, e foram um dano colateral”, afirma.

Os pais podem ter sido mortos por diversas razões, incluindo roubo de mercadoria, em uma rede de tráfico de drogas. Por ter sido perseguida até o povoado, a uma hora de Madri, a família teria cometido uma falta vista como grave pelos criminosos.

Um jornal espanhol registrou que a família havia fugido do Brasil, mas não havia informações o suficiente para sustentar essa tese. Ademais, uma das crianças, de um ano de idade, nasceu na Espanha, o que indicaria nesse caso uma longa fuga.

Mas Alcaraz afirma haver indícios de que os brasileiros estavam de fato se escondendo, como a ausência de um carro em um condomínio sem mercados ou serviços públicos nas imediações. O veículo poderia ter sido abandonado em outro lugar, como maneira de despiste.

Também os hábitos da família são típicos de quem está em fuga, diz o especialista.

Eles não eram vistos no condomínio, e não fizeram amigos durante os meses que passaram ali. “Eles provavelmente esperavam o momento de se mudar, mas foram surpreendidos”, diz.

 

Com informações da Folhapress.

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