Rio Branco, Acre, 20 de janeiro de 2021

Artigo: O Pior dos Três

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Coluna Embiaras

por Leandro Altheman

A que ponto chegamos. Ter de usar a coluna embiaras, um espaço de análise e opinião, para dizer o óbvio.

Se o processo eleitoral não é capaz de permitir ao eleitor distinguir o óbvio, o que dirá do resto, que é conhecer as atribuições das diferentes esferas do poder público, conhecer e comparar plano de governo, questionar os candidatos sobre modelo de gestão e etc?

E o óbvio, meus caros, é que dos candidatos, Ilderlei é o pior dos três. Não é preciso ser um grande analista político para chegar a esta conclusão.

Vejamos: Ilderlei todas as vezes que ocupou um cargo público, o fez da pior maneira possível. Como vice, foi um dos responsáveis diretos pela paralisia de quatro anos que atingiu o município. Como deputado federal… Francamente, não tem nem como comparar com Henrique Afonso.

Henrique deixou para Cruzeiro do Sul, um campus universitário em funcionamento com 13 cursos. Claro que não agiu sozinho, mas foi o principal ator que alavancou a ideia da Universidade da Floresta. Henrique deixou ainda o CEFLORA e o CAPS. Houveram mais emendas, mas somente estas já mostram que foi um mandato extremamente positivo para Cruzeiro do Sul.

O que Ilderlei deixou como deputado federal: um campeonato de futebol soçaite, cuja foto desbotada exibe com orgulho nas redes sociais.

E que isso fique claro, não tem NADA a ver com relação pessoal. Pessoalmente, simpatizo com Ilderlei, uma figura da minha geração, que consigo compreender muito bem em seus erros e tentativas de acertos. Mas isso não significa me calar diante do FATO que Ilderlei não sobrevive ao comparativo com os demais candidatos, simplesmente por que sua experiência política conta contra ele.

Parte de sua pré-campanha foi usada para provar que ‘mudou’, que não é mais ‘aquele’. Tudo bem é um direito seu e francamente fico feliz que tenha mudado. Se é que mudou mesmo. Daí imaginar que ser prefeito é um prêmio a que tem direito por ‘ter mudado’, é um pouco demais para mim. Parece uma relação, desculpe dizer, de ‘filhinho de papai’ que tirou nota boa na escola e agora quer ter um carro. E aí do ‘papai’ se não der. Eu choro e esperneio.

O que já é obvio, torna-se ainda mais evidente a medida em que o candidato começa a se expor, em entrevistas, debates, sabatinas. Não é a toa que o PMDB vinha ‘escondendo’ o candidato até mesmo na campanha na TV. Gente, ele é muito ruim. Mal consegue articular um pensamento. É triste. E esse é o candidato que o coronel quer empurrar para a população.

Vocês já se perguntaram porque o PMDB não apresenta pesquisas? Eles já fizeram pelo menos três e divulgam só aquela primeira, de julho, feita pela fajuta Delta. A resposta é bem óbvia. Ilderlei cai vertiginosamente e o próprio PMDB já não tem certeza se a ‘gordura’ do candidato vai ser suficiente para queimar até o dia 2. Apresentar números em queda do candidato, pode faze-lo cair mais ainda, e é por isso que não apresentam números. Espere amanhã, pós debate, para ver uma queda ainda mais acentuada. Ilderlei não se sustenta no debate. Sua única esperança é apostar no bom e velho ‘adesismo’: a tendência de parte do eleitorado em votar naquele que ele acha que vai ganhar.

Vejam. A candidatura de Ilderlei vem alicerçada em bases muuuuiiito frágeis. Trata-se da ‘Promessa’ – uma ideia muito popular entre as igrejas evangélicas. É inquestionável o poder transformador que esse conceito pode ter na vida de uma pessoa. No entanto, surgem aí alguns problemas. O primeiro é que o eleitor torna-se um ‘coadjuvante’ na ‘promessa’ de outra pessoa. Isso faz sentido?

O segundo, é que existe toda uma articulação de bastidores para que a ‘promessa divina’ se materialize, e é aí que mora o inconfessável. A candidatura toda é uma farsa, uma caricatura que imita o gesto de unção repetido por séculos para justificar o direito divino dos reis. É retrocesso.

Não chego a duvidar das boas intenções de Ilderlei Cordeiro para com Cruzeiro do Sul. Mas o candidato em diversas ocasiões deixa claro que está confuso com relação à natureza de suas  atribuições públicas.

Uma dessas ocasiões foi durante a sabatina do SISEM. Ilderlei comparou os servidores municipais com os funcionários de sua granja. Diferente do coronel, que é arrogante, Ilderlei faz isso com a maior das inocências, sem medir o quanto isso é constrangedor para o servidor.

Essa mesma confusão entre os âmbitos público e privado, transparecem em seu plano de governo. Como é mesmo ‘Família Curada, Cidade Edificada’. Ilderlei usa e abusa de expressões que são típicas de igrejas evangélicas e a maneira que propõe isso como saída, é assustador.

Ilderlei explicando o seu plano, faz parecer que atribuições do poder público serão transferidos para as igrejas, que farão o trabalho de ‘edificar’ a cidade.

Então vejamos. Um gestor público contar com as parcerias das igrejas em trabalhos sociais é estratégico. Carla reuniu-se reiteradas vezes com as pastorais da igreja católica e com igrejas evangélicas também. Isso porque a maioria das igrejas realizam trabalhos sociais que são importantes e que apoiados pelo poder público, podem alcançar mais pessoas. Isso está no plano de governo de Carla Brito, e imagino que esteja no de Henrique Afonso também. O problema é que deve-se ter muito claro até onde vão essas atribuições. Caso contrário, corremos o risco de termos igrejas recebendo dinheiro do governo para fazerem proselitismo (propaganda religiosa) ampliarem ainda mais suas estruturas, inclusive com isenção fiscal.

Ilderlei não faz essa distinção. Para ele, Igreja e Estado, tudo é uma coisa só.

Pior ainda é o seu discurso. Tudo parece girar em torno do trágico falecimento de seu pai. Trágico mesmo. Todos em Cruzeiro do Sul choramos naquela noite. Não apenas a família Cordeiro, mas os amigos e familiares das 23 vítimas do acidente aéreo. E mesmo quem não tinha amigos e familiares no voo, chorou também, porque a solidariedade e a compaixão fazem parte dessa alma generosa que é a do cruzeirense.

Por isso mesmo, um conselho: não abuse dessa alma generosa, dessa compaixão. Muita gente passa por dores também e todos somos dignos de compaixão. Essa compaixão que já lhe rendeu um mandato de deputado federal. Exercer cargo público demanda outras qualidades do gestor como por exemplo: conhecimentos das atribuições, disposição para o diálogo e responsabilidade em gerir a coisa pública.

Ilderlei poderia até se tornar um bom gestor público, precisaria ser reeducado antes. Suas supostamente boas intenções não bastam.

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