Rio Branco, Acre, 24 de novembro de 2020

Gladson usa rádio da família para culpar ‘petistas e comunistas’ por citação pela PGR como membro do ‘Quadrilhão’

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por Leandro Altheman

Culpa de petistas e comunistas. Essa foi a alegação usada pelo senador Gladson Cameli na rádio da sua família para justificar a sua citação no inquérito da Procuradoria Geral da República como um dos supostos membros do ‘Quadrilhão’ – ‘grupo criminoso organizado inserido no PP‘ onde ‘alguns membros de determinadas agremiações se organizaram internamente, utilizando-se de seus partidos e em uma estrutura hierarquizada, para perpetração de práticas espúrias.‘ Isso nas palavras do próprio relatório.

‘Eu só quero dizer aos petistas e aos comunistas que eles não precisam ficar me acusando’, disse Gladson, na rádio de sua família, a Juruá FM. Gladson quer fazer seus eleitores crerem que as acusações partam do PT, quando na verdade,  PT (e PMDB) também estão entre os acusados.

Aparentemente, Gladson preferia que o assunto morresse, ou que a imprensa silenciasse sobre a citação.

Para o Cameli, as ‘acusações’ seriam resultado das eleições municipais no Acre e não da investigação pelo suposto recebimento de propina, em forma de mesada, paga pelo seu partido em favor de dezenas de parlamentares federais da sigla, quando ainda era deputado federal.

O Senador nada disse também sobre a delação de Alberto Youssef. Segundo o doleiro e operador do esquema de corrupção, parlamentares do PP – inclusive Gladson, eram beneficiários de mesada que chegavam até 300 mil reais por mês.

O senador tentou fazer crer que tanto o Procurador Janot quanto o Ministro Teori, estariam a serviço de seus algozes – Petistas e Comunistas.

Cameli sabe que isso não é real e que acusações semelhantes pesam sobre parlamentares do PT. E que o ex-presidente Lula também foi incluído na investigação.

Mesmo assim, buscou o papel de vítima de uma perseguição que não existe. Atacou um dirigente do PT acreano por esse ter repercutido das redes sociais a notícia estampada nos jornalões do Brasil.

Gladson Cameli foi citado nominalmente no inquérito de n°3.989 que tem como relator o Ministro Teori Zavaski e como autor, o Procurador Geral da República Rodrigo Janot.

Cameli aparece no relatório como junto com outros 29 políticos do PP, como ‘membros de grupo organizado inserido no PP’

Na página 7 do relatório, podemos ler:

Dessa forma, o Procurador-Geral da República manifesta-se no sentido de que: a- sejam mantidas as investigações, no bojo do presente inquérito, apenas em relação aos membros do grupo criminoso organizado inseridos no Partido Progressista – PP e aos que, com esses, atuaram em concurso de pessoas, quais sejam AGUINALDO VELLOSO BORGES RIBEIRO; ALINE LEMOS; ARTHUR LIRA; BENEDITO LIRA; CARLOS MAGNO RAMOS; CIRO NOGUEIRA; DILCEU SPERAFICO; EDUARDO DA FONTE; GLADSON CAMELI; JERÔNIMO PIZZOLOTTO; JOÃO PIZZOLATTI; JOÃO FELIPE LEÃO; JOSÉ LINHARES PONTE; JOSÉ OTÁVIO GERMANO; LÁZARO BOTELHO MARTINS; LUIS CARLOS HEINZE; LUIZ FERNANDO RAMOS FARIA; NELSON MEURER; RENATO DELMAR MOLLING; ROBERTO BALESTRA; ROBERTO PEREIRA DE BRITTO; ROBERTO SÉRGIO RIBEIRO; SIMÃO SESSIM; VILSON LUIZ COVATTI; WALDIR MARANHÃO; JOÃO LUIZ ARGOLO (filiado a SDD); PEDRO CORREA; PEDRO HENRY; MARIO NEGROMONTE;JOSÉ OLÍMPIO SILVEIRA MORAES (filiado ao DEM)

 

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Na maioria dos jornais de circulação nacional, o nome de Gladson Cameli aparece, devido à citação nominal do relatório da PGR

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Agem como avestruzes aqueles que acreditam na tese de que a citação se trata de ‘perseguição comunista’

A argumentação usada no veículo de comunicação de sua família na manhã desta sexta (7), certamente, não será usada por seus advogados. Culpar seus adversários políticos por sua desventura no Supremo, Gladson Cameli, pode até satisfazer o ‘eleitor avestruz’ – aquele que enfia a cabeça em um buraco para não enxergar a realidade – mas terá pouco efeito diante do STF.

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