Rio Branco, Acre, 28 de outubro de 2020

Convidado ao Acre por Gladson Cameli, ministro da saúde manda enfermeiros pescar e diz que médicos não trabalham

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O ministro da Saúde Ricardo Barros, que esteve no Acre na segunda-feira, 26, a convite do senador Gladson Cameli (PP), foi extremamente grosseiro e desrespeitoso com médicos e enfermeiros do Acre durante encontro com parlamentares, sindicalistas e membros de movimentos sociais. Ao responder questionamento de um presente, acerca dos problemas existentes na área de enfermagem, o ministro que aterrisou no estado a convite do senador pepista, disse que os sindicatos só servem para defender redução de carga horária e para brigar por aumento salarial. Falou ainda que o trabalhador do setor saúde que estiver insatisfeito pode pegar sua varinha e ir pescar

“Me arrependi de ter ido àquela reunião. Como um ministro da Saúde vem a Rio Branco fazer uma papagaiada daquela? Ele falou absurdos durante a reunião e ainda se comportou como um desinformado, mal-educado e evasivo”, afirmou o deputado estadual Jenilson Leite (PCdoB), que também é médico.

Clube da malandragem

No mesmo encontro, o ministro disse que os profissionais médicos, não gostam de atender os pacientes, que não comparecem ao trabalho, que os médicos cubanos do Programa Mais Médicos atendem com mais qualidade e por aí afora.

Ainda na avaliação do deputado comunista Jenilson Leita, Ricardo Barros é um ministro conservador e mal-educado. “ Vir ao Acre para chamar os servidores da Saúde de preguiçosos, isso já é demais. É uma falta de respeito sem tamanho”, acrescentou Jenilson Leite.

Ricardo Barros chegou em Rio Branco no início da tarde de segunda-feira acompanhado dos deputados federais Iran Gonçalves e Carlos Andrade (ambos do PP/RO. Já no aeroporto, foi recepcionando por Gladson Cameli (PP-AC) e pelo deputado Alan Rick, atualmente sem partido, além de deputados estaduais e os prefeitos de Cruzeiro do Sul, Ilderlei Cordeiro, e de Capixaba, José Augusto.

A primeira visita foi ao Hospital de Urgências e Emergências de Rio Branco (Huerb). Ali, Barros demonstrou que além de mal-educado, também é desenformado. Afirmou que aquela obra de verticalização do hospital está parada por culpa do governo do Estado. O que o ministro não disse e que a reportagem do Página 20 apurou, é que a obra está parada porque ela é executada com recursos do governo federal, recursos esses que não estão sendo feitos como devido. Ministro trazido por Gladson manda enfermeiros pescar e diz que medico não trabalha

Sindmed condena fala de Ricardo Barros

No final da tarde desta terça-feira, o presidente do Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed), Ribamar Costa, diante das agressões sofridas pelos profissionais da saúde do Acre, se posicionou em nome da classe condenando as falas de Ricardo Barros durante sua estada no estado. Na nota, o sindicalista afirma que Barros não está preparado para atuar como gestor em tão importante área.

Veja abaixo a íntegra nota de Ribamar Costa:

Ministro que não leva a saúde a sério

Pelo bem da classe médica e como presidente do Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed-AC), decidi participar do evento realizado para a visita do ministro da Saúde, Ricardo José Magalhães Barros, na Associação dos Municípios do Acre (Amac), na segunda-feira (26). No Encontro, apresentei o pedido da entidade por melhorias no Sistema Único de Saúde, como mais medicamentos para a população, carreira de estado para médicos para suprir as regiões mais afastadas, maior agilidade na conclusão de obras dos hospitais que completam décadas e não são entregues, além de reafirmar o meu protesto contra a violência que acaba vitimando todos servidores da saúde e pacientes.

Sentindo-se cobrado pela falta de condições e de segurança para o bom e eficiente desempenho do trabalho médico, o ministro da Saúde entendeu por bem apelar para o discurso fácil do “descompromisso” dos médicos e da prática do ganhar mais sem trabalhar o suficiente, atribuindo a esse “atendimento” as agressões, furtos, assaltos à mão armada, arrastões e ferimentos a bala suportados por todos os servidores que atuam nas diversas unidades de saúde da Capital e do interior do Estado.

Certamente por ser leigo, o ministro desconhece o quadro caótico em que a Medicina é praticada em todo o Estado, desprovido de meios e recursos que permitam à população ter água tratada, coleta de lixo, esgotamento sanitário, alimentação condigna, centros de recreação, escolas de boa qualidade, etc., condicionantes essenciais para uma vida cidadã digna, saudável e produtiva.

O gestor demonstrou despreparo em atuar, como o maior administrador da saúde, ao criticar profissionais obrigados a trabalhar sem o indispensável suporte técnico de pessoal e instrumental para auxílio diagnóstico. Ele ignora que as unidades de saúde estão deterioradas, não possuem laboratórios, raios-X, medicamentos, leitos decentes, alimentação condizente com os tipos de pacientes internados e, sobretudo, superlotadas. Tudo isso não é por culpa dos médicos, mas pela completa ausência da gestão pública, empenhada em outros afazeres mais rendosos politicamente, notadamente porque, na saúde, toda a culpa sempre é atribuída aos médicos, enquanto elefantes brancos continuam em seu letárgico processo de construção.

Todas estas absurdas e perigosas condicionantes demonstram um ministro, de um governo investigado pela operação Lava Jato, que não beneficiará a população com saúde de qualidade e que está preocupado apenas em mostrar números, repetindo os mesmos erros das administrações anteriores, debochando dos eleitores ao desrespeitar os servidores que todos os dias atuam nos hospitais brasileiros.

Ribamar Costa, Presidente do Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed-AC)

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