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A raposa e as uvas: Vagner Sales ‘abre mão’ daquilo que não pode ter

Vagner Sales, a embiara – que cresceu com desvio de dinheiro público – do Juruá, manda avisar na coluna mantida por ele, que ‘abre mão’ de sua candidatura ao senado. Respondendo há pelo menos 14 processos, alguns na justiça federal, entre outras coisas, por enriquecimento ilícito, Vagner teria boas chances de ver o registro de sua candidatura cassada pelo TRE. Ainda que, debaixo dos panos domínio peemdebista, TUDO seja negociável.*

E foi exatamente o que aconteceu, com a retribuição de favores com Márcio Bittar, o tucano que rifou o partido no Juruá em prol dos projetos do clã Sales.

Bittar, que autorizou a barganha  de candidaturas à vereadores do PSDB em favor de Ilderlei, agora recebe o favor de volta, com o anunciado apoio de VS à sua candidatura ao senado. Tão previsível quanto roteiro de filme da Sessão da Tarde.

Além disso, pragmático até os ossos, VS já deve ter calculado o imenso risco de uma candidatura ao senado nesse momento. Podem até chamar de ‘vaga da oposição’, mas o mandato de Petecão não é exatamente fruto de uma ‘reflexão’ do eleitorado. É muito mais um fenômeno espontâneo de uma candidatura que alavancou-se principalmente pela personalidade alegre e até mesmo irresponsável de Petecão. Diga que não, mas uma parcela da população se identifica com esse perfil. Justamente o oposto do perfil de Márcio Bittar. Bittar carrega o vício que a maioria dos ex-comunistas carregam: passam a professar com a mesma veemência verborrágica, agora oposto do que professavam antes. Muda o conteúdo do discurso, mas a forma continua engessada na lógica da Guerra Fria dos anos 80. Vai lá, ‘parça’!

VS alega ainda que seria antipático sair com três candidaturas da ‘famiglia’. Verdade. E por isso abre mão da que teria maiores chances de naufragar: a sua própria, para apostar na mulher e na filha. O filho intragável continua nas sombras, indiretamente cuidando da nomeação de servidores federais, exercendo tráfico de influência nas prefeituras do PMDB, sabotando Ilderlei e nas horas vagas usando o perfil fake de Maria Clara Alcântara para atacar adversários, ex-aliados e bisbilhotar a vida alheia. Em outras palavras, cuidando dos interesses da família.

O anúncio de que Vagner Sales ‘abre mão’ de sua candidatura ao senado cabe perfeitamente na famosa fábula de Esopo, escrita por La Fontainne, a Raposa e as Uvas.

Morta de fome, uma raposa foi até um vinhedo sabendo que ia encontrar muita uva. A safra tinha sido excelente. Ao ver a parreira carregada de cachos enormes, a raposa lambeu os beiços. Só que sua alegria durou pouco: por mais que tentasse, não conseguia alcançar as uvas. Por fim, cansada de tantos esforços inúteis, resolveu ir embora, dizendo:

– Por mim, quem quiser essas uvas pode levar. Estão verdes, estão azedas, não me servem. Se alguém me desse essas uvas eu não comeria.

É fácil abrir mão daquilo que não se pode ter.

*Em tempo: O processo eleitoral sobre a compra de candidaturas já mudou de relator três vezes no TRE-AC. E mudará uma quarta, desta vez, para um indicado de Temer.

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