“Os grandes problemas da humanidade não estão assentados na falta de dinheiro, ou falta de corações caridosos, mas na falta de um sentimento de classe por parte dos trabalhadores.”
Um estudo publicado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, no dia 29 de abril de 2016, mostrou que a produção mundial de alimentos é suficiente para suprir a demanda das 7,3 bilhões de pessoas que habitam a Terra. Apesar disso, aproximadamente uma em cada nove dessas pessoas ainda vive a realidade da fome.
O patrimônio de apenas oito homens é igual ao da metade mais pobre do mundo segundo dados divulgados pela Oxfam, organização humanitária que luta contra a pobreza, e mostram ainda que a fatia dos 1% mais ricos detém mais que todo o resto do planeta.
Esses são apenas dois exemplo para entendermos melhor a dimensão das desigualdades que existem hoje em nossa sociedade e, infelizmente, estamos caminhando a passos largos para aprofundar esse abismo.
O local onde você nasce provavelmente vai determinar seu destino, nasce um Silvio Santos a cada 1 bilhão de habitantes, o mito da ascensão social não passa de um mito, via de regra quem nasce pobre tem um percentual muito grande, caso consiga passar dos 30 anos, de viver pobre.
Uma das principais mazelas resultantes dessas desigualdades é a violência. Na verdade, a violência é a expressão mais clara do tamanho dessas desigualdades. Quanto maior for a distância entre os mais pobres e os mais ricos, maior será o índice de criminalidade e violência.
São meninos e meninas excluídos nas periferias que são alistados pelo crime cotidianamente na esperança de dias melhores, ou cuja a expectativa de sucesso não existe, sobrando apenas a marginalidade da sociedade como caminho para existência como indivíduo.
Logo, não vai ser polícia nas ruas, armas na mão dos cidadãos, sistemas de segurança mais modernos, leis mais severas ou coisas do gênero que vão acabar com a violência nas ruas.
Cada vez que alguém preocupa-se única e exclusivamente com si próprio, empurra mais uma vida para o crime, e contra a criminalidade só existe um remédio, justiça social. Não adianta seu filho estudar em boas escolas, comer bem, ter um emprego se o filho do vizinho passar fome, não estudar e ter como empregador o dono de uma boca de fumo, uma hora ambos vão se encontrar e a desigualdade vai produzir seu efeito, de forma sutil com um furto, ou de forma letal com um latrocínio.
A solução para as desigualdades não está na caridade, mas em decisões firmes que possam equilibrar a sociedade e promover igualdade de oportunidades. O Estado é a principal ferramenta para construir o equilíbrio mas não pode estar a serviço da elite, deve pesar a favor da classe trabalhadora, que depois de séculos de exploração ainda não despertou para a necessidade de se unir!
Cesario Campelo Braga
Secretário Estadual de Organização do PT Acre

