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Marmelada

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Sei lá se a OPINIÃO de um ‘orelha seca’ como eu – daqui, de onde o vento faz a curva, faz alguma diferença nessa hora de mares revoltos.

Só não me peçam por favor para ser ‘ISENTO’ numa hora dessas. É impossível ser estritamente OBJETIVO quando o SUJEITO que emite OPINIÃO é ELE também SUJEITO de todo esse maremoto. O máximo que o SUJEITO consegue é ser blasé, tentar manter o charme da indiferença de quem está acima de tudo isso. É ilusão, ninguém está.

É possível talvez, mensurar os elementos das grandes narrativas que tomaram conta e tentar por assim dizer, pesá-los para quem sabe assim, ter uma posição mais ou menos, vá lá, independente, ou seja, sem repetir a narrativa da acusação ou da defesa de Lula.

Pois bem, examinando primeiramente os elementos presentes na CONDENAÇÃO de Lula, à luz sobretudo das recentes absolvições de outras figuras políticas, como Aécio por exemplo, ou mesmo da absolvição em segunda instância do tesoureiro do PT, Vaccari, é possível se afirmar que Moro teria ali elementos suficientes para uma ACUSAÇÃO, mas não para uma CONDENAÇÃO. As afirmações do empreiteiro … de que teria sido Lula e Marisa os mandantes da reforma no tal tríplex, podem ser consideradas como fortes INDÍCIOS de favorecimento pessoal ao presidente, mas sem elementos definitivamente COMPROBATÓRIOS não se pode chamara tais INDÍCIOS de EVIDÊNCIAS (porque não são).

Tais INDICIOS seriam suficientes até, para uma condenação moral por parte do eleitor. Concordo com premissa de que Lula, afinal, como chefe de estado jamais deveria ter aceito tal benefício, ainda que tenha sido em caráter de empréstimo (até o momento é somente isso que se comprovou – um empréstimo). Agravante maior ainda para uma liderança política identificada com as lutas populares: é FEIO (para não dizer coisa pior) para um sindicalista aceitar quaisquer benefícios de quem quer que seja. Denota comprometimento.

É o que se diz por exemplo, de um sindicalista da região que de modo MUITO FEIO teria aceitado uma caminhonete para apoiar determinado político.

Gostaria de viver em um país, onde o líder político que me governa por meio das instituições democráticas fosse capaz de RECHAÇAR quaisquer benefícios oferecidos, principalmente por uma EMPREITEIRA que tem negócios como o ESTADO que o mesmo representa.

Acontece que, também gostaria de viver em um país, onde uma senador com fortes INDÌCIOS de envolvimento no NARCOTRÁFICO, fosse investigado – pelo menos. Isso para começar.

Não é preciso provar a INOCÊNCIA de Lula para percebermos o caráter de farsa a tudo que estamos assistindo. Será preciso repetir a sequência de eventos que incluem desde a absolvição de Aécio, a nomeação de Alexandre Moraes para o STF, a anulação da PGR, o fim da força-tarefa da Lava Jato…

O momento em que Moro profere a CONDENAÇÃO de Lula, somente reforça o papel político  desse grande empreendimento jurídico-policial que foi a Lava Jato. O desmonte pela qual passa a operação, amplamente noticiado nos últimos dias apenas confirma a narrativa de seus adversários: a Lava Jato jamais serviu para ‘LIMPAR’ a política no país, e sim, para tirar do tabuleiro uma peça importante – o ‘Rei’ de um dos campos políticos. Tanto que todos os outros atores, envolvidos em episódios bem mais escandalosos, evidentes e COMPROVADOS, continuam atuando fortemente na política. Eles continuam jogando.

A justificativa moral da Lava Jato, como uma Operação Mãos Limpas destinada a varrer uma geração de políticos corrompidos e iniciar uma nova era na política, não sobrevive aos fatos. Soa fanfarrona a fala de Moro, de que ‘Não existe ninguém acima da lei’ quando a simples observação da realidade mostra o contrário: existem sim, mas eles não são Lula.

A CONDENAÇÃO no dia seguinte à decapitação da CLT no senado, é mais um fator reforçador dessa percepção: de que toda farsa e encenação se destinou na verdade, ao enfraquecimento de um campo político. Uma ação bem orquestrada por um grupo que, democraticamente, seria incapaz de fazer prevalecer suas vontades.

O golpe afinal, não foi contra Lula, Dilma ou o PT, o golpe, e isso está cada vez mais evidente, foi contra a classe trabalhadora.

Contudo, resta ainda conhecer os próximos capítulos. A decisão em segunda instância é que de fato irá determinar os rumos da eleição em 2018. Mas, à medida que todos estes fatos forem sendo assimilados pelo conjunto da sociedade brasileira, a aposta contra Lula poderá ser revertida em um apoio popular ainda maior do que ele já conta hoje.

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