Os fãs da série Game of Trones estão familiarizados com o lema da Casa Stark. Repetido como um mantra, alerta as pessoas a se preparem estocando lenha e comida para suportar o longo período de inverno.
Nada poderia ser mais distinto do Norte de Westeros (no universo ficcional de GOT) que o Norte Amazônico, ainda assim, o lema ‘O inverno está chegando’ faz tanto sentido aqui quanto em Winterfell. Isso porque temos em verdade apenas três meses por ano em que os trabalhos em infra-estrutura podem ser feitos sem interrupções devido às chuvas. Gostemos ou não, nossa vida está condicionada pelas estações seca e chuvosa tanto quanto os personagens de GOT pelo fogo e o gelo.
De maneira análoga, e também inversa, durante a chuva (ou ‘inverno’), devem ter início as preparações para os trabalhos do período seco (ou ‘verão’). Em se tratando de BR, isso significa fazer o planejamento, comprar e trazer os insumos durante o inverno, para, na primeira estiagem as máquinas e homens já estarem prontos e aproveitar ao máximo a trégua das chuvas.
Nada disso vem sendo observado esse ano pelo Governo Federal. Os processos políticos e burocráticos e o início efetivo das obras transcorreu o mês de maio inteiro: 1/3 do período ótimo que se tem para trabalhar na BR a cada ano. Um tempo precioso.
O mais interessante disso é que as alegadas ‘razões técnicas’ fizeram com que os trabalhos de recuperação, até o momento, não alcançassem justamente um dos trechos mais críticos da BR: entre Tarauacá e Cruzeiro do Sul.
Ainda estamos em pleno verão, e a friagem da semana, anuncia mais um período de estiagem. Normalmente teremos ainda cerca de um mês e meio de verão pleno, mas não custa lembrar que esse período irá se encerrar e se não for feita a manutenção adequada, o longo período invernoso poderá significar, no mínimo a perda de trafegabilidade.
Para os trabalhos na BR vale sempre o lema: ‘O Inverno está chegando’.
Outro que precisa ser lembrado deste lema, é o prefeito Ilderlei Cordeiro, cujas obras de reparo na malha viária da cidade, estão bem aquém da demanda. Mas deixemos isso para outro episódio da série.
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Mais uma vez, o senador, um declarado governista pró-Temer, garantiu a existência de recursos já empenhados para a recuperação da BR e disse que os trabalhos no trecho em questão devem ter início nas próximas semanas. Caso as promessas não sejam cumpridas, Gladson estará, mais uma vez colocando em risco sua reputação, em uma obra na qual, na verdade, não pode responder diretamente, mas cuja vaidade pessoal, o fizeram assumir.
Caso, o DNIT consiga, milagrosamente, recuperar a BR a tempo e ainda reconstruí-la conforme o prometido, aí poderemos comparar os valores gastos pelo governo federal com os do governo do estado. Enquanto a oposição, da qual Gladson faz parte, fala em 2 bilhões de reais, o próprio governo fala de valores da ordem de 1 bilhão e 600. Somente a recuperação do DNIT está orçada em mais de 100 milhões. Para a reconstrução o ORÇAMENTO (e quem já fez um banheiro de alvenaria sabe que o valor final de uma obra raramente restringe-se ao valor orçado) do DNIT fala em 1 bilhão e 300. Coloque-se nesse cálculo quatro pontes estaiadas, mais algumas dezenas de pontes menores, quilômetros de galerias, base e sub base e aí poderemos comparar qual das BRs: a do governo estadual ou do federal – saiu mais cara.
O prefeito de Rio Branco, Marcos Alexandre, executor da fase final da BR – explicou o dilema: ‘A BR atendeu às especificações técnicas do DNIT para construção de estradas, então a conclusão possível é que as especificações tem de ser refeitas para estradas na Amazônia’.
Gladson quer sentar
Viralizou nas redes sociais a expressão de gozo do senador ao conseguir finalmente, sentar, na cadeira que vinha sendo ocupada pela senadora Gleise Hoffman (PT-PR). As senadoras obstruíram a votação da pauta da reforma trabalhista, especialmente pelo artigo que permite a mulheres grávidas trabalharem em locais insalubres. Artigo bastante conveniente aos donos de posto de gasolina, por exemplo.
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Como na cadeira do senado, Gladson mostrou-se bastante à vontade para defender posicionamentos impopulares, como por exemplo a reforma trabalhista e o voto favorável à Aécio Neves.
Filho de um dos maiores empresários do Amazonas (inclusive bastante enrolado em delações que o colocam como laranja da Odebrecht), Gladson nunca exerceu função trabalhista, nunca precisou recorrer à justiça do trabalho ou à CLT. Seus primos e tios são empresários.Mesmo sem nunca ter trabalhado de verdade, quer nos fazer crer que sabe o que é o melhor para o trabalhador.
Gladson se sai bem no ambiente seguro da rádio da família, com um apresentador domesticado e falando para um público que ambos (entrevistado e entrevistador) entendem como ‘tapados’. Fica mais difícil convencer quando o interlecutor tem mais informações. Foi o que aconteceu quando Gladson tentou debater com essa professora, cujo print do diálogo, pode ser lido ao lado.
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Gladson justificou o voto em Aécio Neves com base na decisão do STF, tentando nos fazer crer que o papel do legislador, e do Conselho de Ética – seja apenas ‘ratificar’ decisões do judiciário.
Mas, na verdade o STF não ‘inocentou’ Aécio de absolutamente nada. O ministro Marco Aurélio Melo, em decisão monocrática, o devolveu ao mandato, contrariando a decisão de outro ministro da corte – Edson Fachin, que o afastou do cargo. Do Conselho de Ética do Senado, do qual Gladson Cameli faz parte, o Brasil inteiro esperava a abertura de processo disciplinar. Afinal, áudios atestaram que Aécio Neves tecia tratativas nada republicanas com um empresário bandido. Apesar de aparentar um bobalhão, Gladson sabe disso. É que na rádio da família, diante de um apresentador domesticado, talvez a desculpa esfarrapada tenha soado convincente.