O Governador Tião Viana esteve reunido na manhã desta quinta-feira com o o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), e confirmou que as obras da ponte do rio madeira estão paralisadas.
A informação oficial contradiz ao que o senador Gladson Cameli (PP) teria afirmado, há cerca de 15 dias na rádio de sua família de que as obras estariam ‘a todo vapor’.
O principal objetivo da reunião era traçar um plano de emergência caso a seca do rio madeira se agrave e o estado sofra novamente com a interrupção no seu abastecimento, que depende do transporte fluvial de balsas para fazer a travessia. A ponte, caso fosse concluída, evitaria a interrupção no abastecimento. A última visita às obras teria sido em março, quando, segundo Gladson, as obras estariam dentro do cronograma. O governo federal estipulou para 2018 a inauguração da obra.
A reunião contou com a presença do senador Jorge Viana (PT) e do deputado federal Raimundo Angelim (PT). Do governo federal estiveram presentes: o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Valter Silveira, o substituto do ministro do Meio Ambiente, Marcelo Cruz, o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, o diretor da Agência Nacional de Águas, Vicente Guillom e membros da Defesa Civil.
O governador Tião Viana lamentou a confirmação de que as obras da ponte do Rio Madeira foram paralisadas pelo governo federal. A estrutura, orçada em R$ 128 milhões, deveria ter sido entregue já este ano, com a autorização de sua construção pela ex-presidente Dilma Rousseff, em 2014, após a tragédia ambiental da cheia do Rio Madeira, que isolou o estado.
“A grande solução definitiva é a ponte do Rio Madeira, que infelizmente era para ter sido cumprida agora em 2017, mas as obras estão paradas, causando um grave prejuízo à nossa população”, conta o governador.
Um engenheiro que está a frente da obra, a parte central da ponte deveria estar sendo feita neste verão, mas faltam 48 milhões em empenho.
Balsa que faz a travessia pertence a deputado mais rico do MT

A não-conclusão da obra beneficia o dono da balsa que faz a travessia do Abunã, o empresário Roberto Donner, ex-deputado eleito pelo PP mesmo partido de Gladson. Foi candidato á prefeito de Sinop-MT pelo PSD, partido de Petecão.
O político já tentou impedir a obra em outros momentos, como o boicote promovido por ele, que atrasou o início da construção como a última derrota na justiça, na qual alegou falta de estudos técnicos que possibilitassem a construção da ponte.
A cruzada do político para barrar a obra se dá por ele possuir o monopólio do transporte fluvial no local. Dorner é proprietário das empresas responsáveis por prestar o transporte de balsas sobre o Rio Abunã, o que lhe dá lucro de quase 2 milhões de reais por mês.
Dorner também é dono de outras cinco concessões de transporte por balsas, em rodovias federais, uma rede de televisão em Mato Grosso, tem participação na fábrica de refrigerantes Dydyo (seu filho é dono) e a Rodonave, estaleiro de Porto Velho responsável pela construção de suas balsas. No entanto, a passagem que liga Rondônia ao Acre é a que lhe gera mais lucro.
A passagem pelo rio custa cerca de R$ 190,00 e o serviço é alvo de inúmeras críticas pelos consumidores. A ponte então acabaria com o monopólio do serviço mal-prestado por ele, que detém a concessão desde 1988, quando substituiu o Exército Brasileiro.
Com informações da Agência de Notícias do Acre