por Leandro Altheman
Em sua mais recente entrevista, o deputado e pré-candidato à presidência Jair Bolsonaro defendeu a criação de presídios na Amazônia como forma de evitar que os líderes do crime organizado possam coordenar as ações através do celular.
Ao que parece, Bolsonaro não se deu ao trabalho de ler os relatórios de segurança pública. Trazer criminosos para a Amazônia cumpre o próprio desejo das facções. Especialistas do setor de segurança pública apontam que houve uma iniciativa deliberada das facções em aumentar a sua presença na Região Norte, tendo como principal razão, o acesso às rotas do tráfico de drogas. Alexandre de Moraes, quando secretário de segurança pública do estado de SP procedeu desta maneira, transferindo presos para presídios no Norte e Nordeste e ajudando a espalhar o PCC pelo restante do o país.
O resultado dessa política, conhecemos na pele: cidades antes pacatas como Cruzeiro do Sul e Tarauacá tomadas pela violência das facções. Foram justamente os ‘presídios da Amazônia’ que sofreram, os mais violentos motins.
Junto com o ‘Nióbio’ e o ‘Grafeno’ a ideia parece mais uma daquelas ‘soluções mirabolantes’ pensadas por estudantes do ensino médio e que talvez por isso mesmo, faça tanto sucesso entre eles.
Bem, é verdade que o sinal de celular aqui é ruim e falha bastante, mas ainda longe do que imagina o deputado, junto com o senso comum de quem conhece a Amazônia através do Globo Repórter e que pensa a ‘amazônia’ como um longínquo território habitado apenas por onças. ‘Ah, se sêsse’, diria o poeta nordestino: ao menos não estaríamos enfrentando a maior onda de criminalidade em toda região. Não nos bastassem nossos problemas, Messias ainda quer nos exportar mais alguns.
A propósito, foi anunciada a construção de mais um presídio em Rio Branco. Caso o sr. não saiba, fica na ‘amazônia’, deputado.
Na mesma entrevista, Bolsonaro disse ainda que: “ninguém quer torturar ninguém.” Não pode-se dizer que já não seja algum avanço, mas deve soar decepcionante para alguns fãs mais exaltados.

