Um dos assuntos mais debatidos da semana foi o empate nas intenções de voto para governo do estado em Gladson Cameli (PP) e Marcos Alexandre (PT) apontado pela pesquisa Vox Populi. Longe de ser uma sentença, a pesquisa mostra uma recorte do eleitorado nesse momento. É preciso que se diga que Gladson já está em campanha a pelo menos dois anos, algo bastante óbvio para quem vive no Juruá. Já Marcus Alexandre tem uma administração municipal para tocar: uma dinâmica política muito diferente da de um senador.
O empate, contudo, reflete-se mais favorável para Marcus do que para Gladson. A projeção para daqui a dois anos, é a de que o governo Temer estará muito desgastado na opinião pública, e é no apoio a Temer que está o maior calcanhar de aquiles de Gladson. A liberação de emendas parlamentares que ajudariam a alimentar a sua imagem de ‘realizador’ está totalmente vinculada à sua atuação parlamentar governista. O apoio à Aécio Neves (PSDB), na comissão de ética, apenas deixa as claras que Gladson faz parte do ‘um grande acordo nacional, com STF, com tudo’, a que referiu-se Jucá, o que significa que, em algum momento receberá o favor de volta. Talvez seja no caso em que responde na Lava Jato no processo denominado ‘Quadrilhão’, ou talvez na delação que citou a empresa de seu pai, a ETAM, como ‘laranja da Odebrecht’ para o pagamento de propinas. A aposta de Bocalon, de que a Lava Jato causaria danos à sua candidatura não levou isso em conta. O problema é que hoje, tudo está muito exposto, de modo que esses ‘truques’ acabam revelando ao público as cartas marcadas na manga, ou o fundo falso da cartola.
E é isso, que tem causado a Gladson, um aumento em sua rejeição.
“Não é inteligente ficar posando ao lado de um presidente que tem menos de 3% de aprovação e ainda ficar agredindo senadora numa votação, num gesto extremamente antipopular. Para com isso ! Tem que fazer a sua política. Larga o Temer pra lá, rapaz. Desse jeito, só vai sustentar a base de corrupção como sempre foi. Qualquer político que tem responsabilidade com sua história política não se junta a grupos que compram deputados. Tem que votar de acordo com sua consciência, em propostas progressistas capazes de fazer reformas estruturais que o país tanto precisa. Mudanças no conceito da política trabalhista e previdenciárias são necessárias, mas não nos moldes que essa quadrilha está fazendo.”
Nilson Euclides da Silva, cientista político.
Outra grande incógnita é quanto à BR 364. Gladson não é formalmente responsável pela obra, mas tem se colocado dessa maneira, o que poderá custar mais caro que a própria estrada. As chances de que o DNIT consiga recuperar a estrada a contento são efetivamente, pequenas. Isso não por que o DNIT não tenha capacidade técnica para tal, mas justamente porque afirma que não define o andamento dos trabalhos por razões políticas. Um trabalho exclusivamente ‘técnico’, pode custar a vida ‘política’ de quem depende disso. Recuperada e reconstruída, os valores investidos devem se aproximar dos alardeados ‘2 bilhões de reais’ ditos pela oposição (o governo admite 1 bilhão e 600 mil), o que esvazia o discurso usado hoje pela oposição contra o governo.
Em segundo porque a BR, recuperada, ajuda a alimentar o prestígio onde ele já tem, no Juruá, mas não tem o mesmo grau de importância para o eleitor da capital, reduto mais forte de Marcos Alexandre.
“Marcus tem uma planície pela frente. O Gladson vai precisar escalar uma colina. A Frente Popular deve estar comemorando esses números, embora seja cedo ainda. … Mas tem Lava jato no encalço dele. Esse negócio de votar com o governo Temer é perigoso também. Tem que parar com isso. O Temer tira voto de qualquer um hoje em dia. O candidato do PP tem que fazer candidatura focada no trabalhador. A gente conversa com ele, tá tudo bem. Mas há um vazio de idéias. Ter simpatia, tudo bem, é bom sorrir para o povo, mas chega a hora que é preciso falar o que você quer. Ser bem humorado influencia. Ser boa pinta, também. Mas pra mudar o jogo é preciso ter conteúdo.”
Nilson Euclides da Silva, cientista político.
O maior obstáculo de Marcos é justamente o de estar presente no interior, algo que pode mudar quando, e se, seu nome for confirmado e passar efetivamente para a campanha.
Se por um lado a pesquisa mostra uma disputa que será acirrada, por outro, mostra também que a ‘curva da parábola’ de Gladson pode já ter chegado ao vértice, e deve começar a declinar.
Leia sobre a avaliação da pesquisa na entrevista do cientista político Nilson Euclides da Silva.



