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“Graças a Deus, isso nos distancia dessa podridão”, diz Tião Viana sobre decisão do STF

Católico devoto, todos os anos, Tião Viana participa do Novenário em Honra a Nossa Senhora da Glória. Este ano não é diferente. Hospedado no Hotel São José, no Morro da Glória, o governador recebeu a equipe do site Juruá em Tempo para uma entrevista exclusiva, onde tratou do atual momento político e econômico do país e do estado do Acre e da exclusão de seu nome no inquérito que investiga o envolvimento de políticos com esquemas de corrupção na Petrobrás por meio da empreiteira Odebrecht.

Perguntado sobre mais essa participação na festa religiosa, o governador Tião Viana demonstrou conhecer a fundo a história dos espiritanos, ordem religiosa que celebra seu primeiro centenário no Juruá.

Tião Viana: – O Novenário é uma festa especial cristãos católicos, representa a ascensão de Nossa senhora, o encontro definitivo com Deus. Esta é a segunda maior festa religiosa da Amazônia e neste ano a festa converge com a comemoração dos cem anos da chegada dos espiritanos ao Juruá.

Eles chegaram aqui em 1917, em meio a primeira guerra mundial, atravessaram a segunda guerra mundial e por serem franco-alemães tiveram muitas vezes sua imagem associada ao conflito, mas mesmo assim afirmaram uma passagem e um legado de muitas frentes de trabalho no Juruá, com a edificação de obras, com presença importante na educação, na agricultura, na formação de carpintaria para fabricação de barcos, etc. Das desobrigas do tempo dos seringais à sua presença atual com Dom Henrique Ritter, Dom Henrique Ruth, Dom Luis Hërbst e atualmente Dom Mosé, que já se prepara para se despedir da região.

Como governador quero homenagear esta ordem religiosa que deixou um legado de boas práticas, de boas referenciais de evangelização e fé para todos nós.

Juruá Em Tempo: Como o sr recebe a notícia da exclusão de seu nome e de seu irmão, o senador Jorge Viana, na exclusão do inquérito da Lava Jato?

Tião Viana: Graças a Deus isso nos distancia dessa podridão que estão envolvidas tantas pessoas no brasil. No meio de tanta injustiça é necessário que haja investigação, mas alguém, cruelmente, nos colocou no meio disso. Eu nunca vi até hoje Marcelo Odebreacht, nunca falei com ele. Ele não pode dizer que eu pedi qualquer coisa, ou que me mandou qualquer coisa porque eu nunca recebi. Meu nome entrou no meio disso e as injustiças também ocorreram com o senador Jorge Viana. Graças a Deus o Procurador Geral da República determinou ao STF o aconselhamento para a retirada do nosso nome de vínculo com a Lava Jato.

O ministro relator do caso da Lava Jato, o ministro Edson Fachin no STF determinou o cumprimento do aconselhamento do MPF e agora foi designado o último relator e espero sinceramente que a próxima etapa, se Deus quiser, seja o arquivamento definitivo.

Será a terceira vez* que sou vítima de acusações que terminam com a comprovação da minha inocência e do meu distanciamento de qualquer ilicitude dessa natureza. Aqui no Acre a gente pensa em faz a política no sentimento de simplicidade de servir e trabalhar pelo desenvolvimento do estado e pensando nas próximas gerações. Isso é uma grande diferença daquele núcleo sujo que cerca hoje o congresso nacional e cerca grande parte dos partidos políticos.

*Na Operação G7, a Justiça Federal absolveu todos acusados em primeira instância. Na delação de Paulo Roberto Costa, a Procuradoria Geral da República pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para arquivar o inquérito após análise da delação. (nota da redação)

Juruá em Tempo: São cerca de 6 anos e meio de um governo que atravessou um período de crescimento e agora atravessa uma crise política e econômica. Como está sendo governar nesse período de crise?

Tiao Viana – Nosso governo tem enfrentado muitas barreiras, mas em todas elas, temos saído mais fortes. Estamos mais perto das pessoas. Isso demonstra uma resiliência, uma força de vontade, um sentido de equipe e de diálogo com as comunidades que tem nos permitido superar todas elas.

O Brasil de 2012 para cá enfrentou gravíssima crise econômica e lamentavelmente setores da vida institucional brasileira aliados à grande imprensa brasileira desconstruíram uma imagem virtuosa e de prosperidade que o Brasil vinha vivendo, que nunca tinha encontrado em mais de 500 anos com a história de Lula na edificação do projeto social, democrático, econômico e desenvolvimento e justiça social que ele representou para o Brasil. Brasil nunca avançou tanto antes.

No governo anterior, dos tucanos, tínhamos um país que estava com a taxa de juros em 26%, dependente do FMI, com 12% de desemprego, um país que não suportava mais a dependência da política americana. Lula deixou o país com reservas cambiais de mais de 375 bilhões, com forte ciclo de desenvolvimento industrial e de exportações para além do eixo EUA, para Oriente Médio, Europa, Ásia, África, América Latina.

Infelizmente fomos vítimas de um ciclo de ataques nunca vistas ao ambiente econômico brasileiro

A crise natural que veio decorrente ainda da crise americana de 2008 que chegou ao brasil com força em 2012 nos deparou com a crise política, que foi uma crise planejada para desmoralizar as empresas do Brasil e criar dificuldades. Quando você olha para os grandes pensadores da economia mundial eles dizem que em nenhum país do mundo se ataca o empresariado, nenhuma nação do mundo faz isso. A empresa nacional é sempre um patrimônio. É uma riqueza que tem que ser preservada e constituída. Se tem ladrão, prende o ladrão. Coloca na cadeia, mas não prejudica a empresa nacional e nem o ciclo de desenvolvimento que o país tem que estar a parte de erros de quem quer que seja que tenha cometido. E foi o que não quiseram fazer. Isso certamente atende a interesses. Quando você olha a Petrobrás que era a maior empresa das américas e vê o ponto que ela chegou.

A construção civil que foi destruída nesse pais. 14 bilhões de desempregados. A última reserva estratégica que é o agronegócio e a carne também estão sendo atacados. Tem algo muito planejado e perverso. Que é diferente de justiça. Querer prender corrupto, todos nós queremos. Tem que ser exemplar. Por mim seria até crime hediondo e se pudesse até prisão perpétua, mas não precisa destruir o patrimônio nacional e nem a confiança de um país.

Juruá em Tempo -Como imagina os próximos anos diante desse cenário?

Tião Viana – Nosso governo apresentou os melhores indicadores de crescimento. A Amazônia teve um crescimento de 3.1% no trimestre. O Brasil daí para baixo e o Acre cresceu 4.1 %. Quando assumi, o PIB do Acre era de oito bilhões em 2010. Em 2014 já estava em 13 bilhões e 400.

Só dois estados geram emprego positivamente este ano: o Acre o Piauí. Quando você olha julho e agosto temos mais picos de emprego acontecendo no Acre. Estamos respondendo com trabalho, com prosperidade e com sucesso. O Acre está se curvando para a industrialização. O Acre diversificou sua base econômica, deu avanços na educação, na qualificação da mão de obra. O Acre tem deixado preconceito de lado e trabalhando as áreas abertas com grandes perspectivas de futuro. Em saneamento básico, nenhum estado conseguiu investir o que nós investimos em saneamento: mais de um bilhão de reais. Quando assumi, a cada dez ruas na capital eram sete de barro. Hoje na capital, para cada dez ruas, oito estão asfaltadas, e estamos na etapa de conclusão de 100%. Foi ampliada a rede de abastecimento de água, Rio Branco tinha 46% de cobertura de água e hoje tem 99%. Os municípios tinham em torno de 60% hoje estão com mais de 85%. Estamos alcançando muitas aldeias indígenas na cobertura de água tratada e mudando a economia. No Acre a miséria rural praticamente desapareceu. Me orgulho disso e vamos deixar um grande legado para as futuras gerações e vamos deixar um Acre pronto para enfrentar o seu futuro.

Juruá em Tempo – E quanto ao seu futuro?

Tião Viana – Vou me afastar da política partidária, vou ser um colaborador e militante simples, como qualquer militante humilde que tem sua filiação partidária com muito orgulho nesse partido que é o PT. E vou agora me dar ao direito de cuidar um pouco da minha profissão de médico e da minha condição de professor da universidade e fazer um trabalho no plano pessoal e familiar que me permita preparar um pouco melhor o futuro dos meus filhos. Até hoje nesses mais de 20 anos cuidei dos meus ideais, de prestar um serviço pela coletividade, e agora vou continuar servido de maneira simples, de maneira ética social e profissional, mas também vou organizar minha vida pessoal e familiar.

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