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Cruzeiro do Sul sai na frente na construção de biodigestores no Acre. Governo e UFAC apoiam iniciativa

Por Redação Juruá em Tempo.5 de setembro de 2017Updated:5 de setembro de 20173 Minutos de Leitura
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A ideia surgiu a partir de um documentário na TV sobre o aproveitamento do esterco de gado para produção de gás metano. Apenas com o ensino médio, Roseno Magalhães estudou o assunto a fundo, tornando-se um conhecedor auto-didata dos biodigestores a ponto de ser capaz de construir um.

Roseno: criador auto-didata do projeto

Comparado ao ‘professor Pardal’ na solenidade organizada pelo governo para formalizar o termo de cooperação técnica entre governo, UFAC e IFAC, Roseno fala com satisfação de seu invento.

“O Metano é o CH4, um dos gases do efeito estufa. Aqui ele substitui o GLP, alimenta geradores. Contribui com o meio ambiente. Gera energia limpa e barata”

A primeira aposta veio do pecuarista Manoel Paiva dos Santos, o conhecido ‘Nascimento’. Dono do Frigorífico Dois Irmãos, na Estrada do Guajará, com a ajuda de Roseno, Nascimento construiu dois biodigestores com capacidade de produção de 5 mil litros de gás metano/dia. O pecuarista aproveita o trato ruminal dos boi abatidos no frigorífico. Uma material que seria antes apenas descartado serve de alimento para os biodigestores, produzindo o equivalente a 10 botijas de gás/mês.

O gás, que antes iria para atmosfera, aumentar o efeito estufa, agora substitui o GLP na cozinha industrial do frigorífico. O mesmo gás metano também move um moto-gerador de eletricidade de 28 HP com capacidade de geração de até 320 kw/dia.

Pecuarista Nascimento. A aposta nos biodigestores tem significado economia e melhor aproveitamento do que antes era descartado.
Tião Viana comemora com Roseno o funcionamento de uma bomba d’água a partir do metano gerado nos biodigestores

O que sobra do processo, é transformado em biofertilizante, ou seja, ajuda inclusive a recuperar as pastagens utilizadas na engorda do gado. ACom estes dois biodigestores, a capacidade é de fertilizar até 5 hectares.

O convênio entre Governo do Estado, UFAC e IFAC, irá dar o necessário respaldo técnico ao projeto. Facilitando o acesso de outros interessados.

Com a assinatura do termo de cooperação técnica irá permitir que fazendeiros tomem empréstimos junto aos bancos para construção de biodigestores. O projeto é assinado pelo zootecnista da UFAC Luís Farinatti que dá o parecer técnico necessário.

Cada sistema custa em média 30 mil reais, dependendo das dimensões. A assinatura do termo de cooperação técnica contou com a presença do Governador Tião Viana, do Secretário da SEDENS Sibá Machado, do reitor da UFACX Minoru Kimpara, além de representantes do IFAC.

Tião Viana, Sibá Machado e Minoru Kimpara, reitor da UFAC, assinam acordo de cooperação técnica ao projeto

Para Tião Viana, o modelo de biodigestores, juntamente com o de energia solar, pode levar energia elétrica para as 40 mil famílias que ainda não foram atendidas pelo programa Luz para Todos, além de representar uma importante fonte de energia alternativa para setores da indústria alimentícia que hoje ainda utilizam lenha ou gás GLP.

Minoru Kimpara disse que os mais 330 doutores da UFAC estarão à disposição para dar suporte técnico para este projeto e outros similares.

Sibá Machado falou que a ‘nova onda’ na produção de energia é a de sistemas distribuídos, ou seja, ao invés de grandes centrais geradoras distribuído para um universo de consumidores, cada vez mais teremos unidades consumidoras/geradoras interligadas exportando para o sistema o seu excedente. Tais sistemas já são realidade em países como a Alemanha, por exemplo.

A meta é implantar ao menos dez unidades biodigestoras no Estado numa primeira etapa, para na etapa posterior alcançar de 100-200 unidades.

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