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Editorial: Matéria que levanta suspeita sobre secretário de saúde do governo no título, desmente a si mesma no conteúdo

Por Redação Juruá em Tempo. 05/11/2017 15:16
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Não chega a ser novidade que a lógica da internet, com suas redes sociais e ‘viralização’ tem contribuído, e muito, para a queda na qualidade do jornalismo.

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A busca por ‘cliques’ e ‘likes’ que pretensamente seriam indicativos do valor de determinada publicação, tem produzido (e difundido) material de baixa qualidade, quando não propositalmente falso. Não é à toa que a palavra ‘fake news’ foi eleita a ‘palavra’ do ano pelo dicionário em língua inglesa Collins. Jornalistas e meios de comunicação mais comprometidos têm travado uma luta constante. Notícias dúbias ou mesmo falsas atendem à uma ‘lógica de mercado’ – são produtos que, em que pese sua falta de veracidade, interessam serem divulgados por satisfazerem algum dos campos políticos. É parte da chamada ‘pós-verdade’: as pessoas buscam ler apenas aquilo que corrobora com suas noções pré-concebidas.

Por tudo isso, não chega a causar estranheza que o conteúdo da matéria: Preso, empresário acusado de adulterar cilindros de oxigênio relata propina na Sesacre entregue a ‘amigo íntimo’ de Gemyl após reunião na casa do secretário, contradiga o seu título.

A matéria, publicada no site AC jornal e assinada pelo jornalista Assem Neto, traz no seu penúltimo parágrafo a informação de que o empresário, em declaração ao delegado da Polícia Federal, isentou o secretário Gemyl de responsabilidade, ou mesmo conhecimento dos acertos de propinas entre seu sócio e o publicitário Sandro Cardozo.

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A reunião mencionada no título seria destinada a liberar pagamentos atrasados devidos à empresa junto ao secretário de saúde, sem relação direta com o caso da adulteração dos cilindros de oxigênio. Em tempos de leitura rápida e desatenta, leva o leitor a estabelecer relação, ou mesmo responsabilidade direta do secretário no caso.

Ninguém duvida da necessidade das investigações prosseguirem, com coletas de provas suficientes para que eventuais culpados sejam julgados, e condenados. Mas, justamente pelo peso e a gravidade das acusações – adulteração em cilindros de oxigênio, a matéria deveria primar pela precisão nas informações, algo que se perde no afã de ‘carimbar’ o primeiro escalão do governo como ‘corrupto’.

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