Rio Branco, Acre, 5 de agosto de 2021

“Faremos o governo de um novo ciclo para o Acre”

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Uma provável eleição do atual prefeito de Rio Branco Marcus Alexandre ao governo do Estado, nas eleições do ano que vem, não seria apenas uma questão numérica. Não seria apenas o sexto mandato consecutivo da Frente Popular do Acre no governo do Estado e a concretização de 20 anos de poder de seus idealizadores. Muito mais que isso, a eleição governamental do atual prefeito seria o início de um novo ciclo para o Acre, no qual, cumpridas as tarefas que coube aos cinco mandatos anteriores, o governador Marcus Alexandre buscaria inserir o Acre numa agenda de crescimento econômico necessária ao país, com uma marca de diálogo com a sociedade, principalmente com a juventude, com a ideia de crescimento com base no que foi feito pelos cinco governos anteriores.

A análise foi feita ontem pela manhã, em seu gabinete na Prefeitura de Rio Branco, por ninguém menos que o prefeito Marcus Alexandre, ao admitir que vai, sim, desincompatibilizar-se do cargo, dentro do calendário eleitoral, para concorrer ao cargo de governador. Ao falar de suas propostas, Marcus Alexandre disse que o fato de trazer o atual secretário de Segurança Emylson Farias para sua chapa majoritária, é uma demonstração de que a Frente Popular não vai fugir do debate sobre um dos temas que mais afligem a população acreana na atualidade. Na entrevista a seguir, o prefeito fala sobre o tema, diz o que fez em sua administração e que está pronto para o diálogo com a população para a próxima campanha. Segundo ele, ninguém ganha eleição antes do pleito e reafirmou que sua campanha será feita com pé no chão e que seu futuro governo será do mesmo jeito com que trabalha na Prefeitura. Veja a entrevista:

Depois de seis anos à frente da Prefeitura de Rio Branco, no segundo mandato, o senhor acha que já cumpriu sua missão em relação à cidade e sua população?

Marcus Alexandre – Olha, nesse tempo em que a gente está aqui na Prefeitura, desde janeiro de 2013, a nossa busca sempre foi a de trabalhar incessantemente para cumprir os compromissos que assumimos junto à população. Sei que ainda há muito por fazer, mas sei também que fizemos muito. E só conseguimos fazer esse muito com o apoio de muita gente. Tenho que agradecer o apoio de todos, da nossa equipe principalmente, pelos resultados que alcançamos.

Que resultados são esses?

O da Educação é um bom exemplo. A gente abriu mais de cinco mil vagas e construímos 12 novas escolas e atingimos a quarta maior nota do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, criado em 2007, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), formulado para medir a qualidade do aprendizado nacional e estabelecer metas para a melhoria do ensino) no país, a terceira nota do índice de oportunidades. Outro exemplo é a Saúde, onde nós tivemos a oportunidade de construir 26 novas unidades e temos mais quatro em obras. Em Rio Branco, hoje, toda a rede de atenção à saúde é uma das melhores do país, apesar de todas as dificuldades de trabalhar na área, porque tratar da saúde das pessoas, sempre necessitadas de bom atendimento, não é fácil.

Em termos de recursos públicos, qual será o legado de investimentos que o senhor deixará na cidade caso venha a se a desincompatibilizar da Prefeitura para concorrer às eleições ao Governo, no ano que vem, como se anuncia em todo o Acre?

Nossos levantamentos mostram que fizemos investimentos na cidade algo em torno de R$ 150 milhões de investimentos. Quando a gente soma duplicações das nossas vias, os investimentos na saúde e na educação e no esporte, com os recursos de emendas da nossa bancada de parlamentares federais. São valores que a gente conseguiu com muita parceria (e eu queria aproveitar a oportunidade para agradecer a bancada federal, por seus deputados senadores, a presidente Dilma, o governo federal atual, que também manteve liberações na medida do possível). Enfim, temos que agradecer pessoas e também instituições, como a Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, BNDES e ministérios…

Essa história de que o senhor dorme tarde e acorda cedo procede? A que horas o senhor vai dormir e a que horas acorda? Por que isso?

Sempre dormir cedo e acordei cedo. Mas, quando fui diretor do Deracre, acordar de madrugada era uma rotina, principalmente quando vivíamos nos trechos. Daí eu trouxe isso para a Prefeitura e não vejo nada de excepcional um gestor acordar de madrugada. Quem precisa da atenção do poder público, tem pressa.

Como é que o senhor se sente vivendo em meio às críticas, denúncias de cunho até pessoal, com ataques da oposição que atingem sua família. Vale a pena viver assim?

Olha, primeiro eu entendo que ninguém joga pedra em árvores secas, que não dão frutos. A democracia tem esse lado, o lado da crítica e a gente tem que saber conviver com ela. O que eu acho é que o que deveríamos tentar evitar, todos nós, enquanto sociedade, num ambiente político, são os ataques à família, à honra.

O senhor se sente vítima disso?

Sim. Acho que não precisamos transformar adversários em inimigos. Não precisamos disso porque vivemos numa cidade e num Estado relativamente pequenos. Somos uma população em torno de 800 mil pessoas de uma sociedade em que todos se conhecem e acho que por isso mesmo o respeito tem que prevalecer. Agora, que haja diferenças de ideias, no campo político, isso é natural. Todas as críticas que são feitas à administração, às ações ou àquilo que deixamos de fazer, eu entendo como naturais. O que às vezes chateia um pouco são os ataques no campo pessoal, até com ataques à honra, à família. Eu não pratico isso nem incentivo.

E nesse caso propalado em que o senhor foi levado à Polícia Federal para depor, o senhor acha que houve excesso e que aquele episódio midiático poderia e deveria ter sido evitado?

Acho que aquilo seria desnecessário porque, desde que eu saí do Deracre, todas as vezes que fui chamado a prestar esclarecimentos – aliás, esclarecimentos sobre seis anos de muito trabalho – eu sempre compareci sem problema algum. Olha, nós temos números: foram 54 pontes construídas, rodovias como a que liga Acrelândia a Plácido de Castro, Rio Branco à divisa com o Amazonas, em diversas estradas, duplicações em vários municípios, aeroportos – e não foi só na BR-364 que a gente trabalhou –, é natural que haja questionamentos. Há mesmos diferenças de preços da brita, do óleo diesel, de asfalto e de outros insumos porque, na nossa região, os preços são diferentes em relação ao restante do país. Mas todas as vezes em quer tive que prestar esclarecimentos sobre isso, fui tranquilamente, de forma quase que voluntária. Mas, naquele caso, acho que foi desnecessário o procedimento.

Por que?

Porque, meses depois, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, julgou que é inconstitucional o que aconteceu comigo e outras pessoas. Mas, o que me chateou nesse processo todo foi terem ido à minha casa depois soltar fogos, fazer festa, como se estivesse comemorando o constrangimento que minha família passou. Foi só isso. O restante é que estou tranquilo, esperando na Justiça. Prevalecendo a verdade, não tenho motivo para ter preocupação.

Voltar à pergunta quase inicial: vale a pena fazer política vivendo todas essas circunstâncias?

Vale, sim. Vale porque é lindo ver o sorriso de uma criança numa creche que a gente a elas, a alegria das pessoas ao receberem um atendimento digno na área da saúde, de ver a felicidade das pessoas pela urbanização do bairro onde elas moram, de ver ruas antes enlameadas e sendo pavimentadas, enfim, a alegria de uma comunidade em que a intervenção do poder público ajudou a melhorar a vida delas. É nisso que me apego. Se a gente fosse nos apegar às coisas ruins, acabaria que o ambiente ficaria péssimo. Por isso digo que vale a pena sim, pelas coisas boas que a gente pode fazer pela sociedade.

Depois de seis anos como prefeito, eu queria que o senhor nos dissesse qual foi o pior e o melhor momento de sua administração…

Posso dizer que não houve assim um único e grande melhor momento, até porque foram vários. Cada inauguração, cada entrega de obra, de uma praça, de uma unidade de saúde, de uma escola é sempre um grande momento, de felicidade para a população e para mim. Posso dizer que cada realização na área do esporte, que eu amo tanto, é sempre motivo de alegria e felicidade. Felicidades em ações que aparentemente nem são tão importantes, mas a entrega de um certificado e de um título definitivo de uma moradia é algo que nos realiza também. Posso dizer que vivemos vários momentos felizes. Mas, sem dúvida nenhuma, o pior momento que vivemos foi na alagação de 2015, quando o rio Acre atingiu sua cota máxima de transbordamento de toda sua história, o marco historio de 18m40, no dia 6 de março daquele ano. Aquele foi o dia mais difícil.

 senhor achou que não venceria aquela dificuldade?

Não pensei em derrota, apesar de que ali estávamos vivendo uma situação em que o rio nunca havia chegado, em que estava sendo inundadas áreas que nunca haviam sido inundadas e ninguém sabia onde aquilo tudo ia parar. Ainda bem, graças a Deus, que aquele foi o limite e a gente pôde recuperar a cidade, cuidar das pessoas e dar a volta por cima. A cidade e a população sofreram, mas nós nos juntamos e houve muita solidariedade e parcerias com os governos estadual e federal. O governador Tião Viana, com todo o seu humanismo, nos ajudou e conseguimos recuperar a cidade e ajudar a população atingida.

Uma pergunta que muita gente quer fazer: o senhor vai deixar então a prefeitura o ano que vem para disputar a eleição para governador?       

Nós vamos, primeiramente, respeitar o calendário eleitoral. Não discuto isso agora. Penso que eleição só em ano de eleição. Não penso ainda em transição porque estamos ainda no calor da conclusão desse ano, um ano muito difícil para todos os gestores do Brasil. Mas, respeitando o calendário eleitoral, vamos, sim, para a desincompatibilização e, na hora certa, vamos comunicar isso à população.

O senhor acha que o Acre poderá vir a ser governado pela sexta vez por um governo da Frente Popular?

O desafio é muito grande. Mas acho que é também uma oportunidade de a gente poder dialogar principalmente com a juventude acreana, falar de nossas propostas para essa nova geração. Nós estamos nos propondo a participar de um processo em que se busca não é, exatamente, um sexto mandato para Frente Popular do Acre. Buscaremos o início de um novo ciclo. É assim que vamos dialogar com a população. Nós temos cinco mandatos conquistados pela Frente Popular, que, aliás, fizeram muita coisa pelo Acre. Cada governo da Frente teve seu papel, do Jorge Viana, nos seus dois mandatos, até o Tião Viana, também em seus dois mandatos, e com o mandato do Binho Marques, o Acre viveu profundas transformações e as realizações estão aí à comprovar o que dizemos. Cada um enfrentou o desafio de seu tempo. Mas, agora, um olhar de esperança para o futuro, com a nossa juventude.

Mas, neste sentido, na hipótese de o senhor vir a ser eleito governador, qual seria a marca do governador ou do Governo Marcus Alexandre?

Penso que o que Brasil mais requer hoje é o crescimento econômico. A crise econômica, a falta de desenvolvimento, atinge todas as áreas. É o momento de pensarmos com profundidade em políticas públicas na área social, de segurança pública, da saúde, da educação. Sem crescimento econômico, é impossível se dar respostas para isso. O Brasil vive, há três anos consecutivos, do ponto de vista técnico, a maior recessão da história deste país, com o PIB negativos. Buscar crescimento econômico deve ser o dever de casa de cada estado brasileiro. Nós temos que buscar alternativas para o crescimento econômico, cada um fazendo o seu papel, na sua região, para ajudar o Brasil a voltar à crescer. É claro que não poderíamos dizer que o Acre vai contribuir para o crescimento do Brasil. Mas o fato é que cada estado tem a sua parcela de contribuição. Em minha opinião, o grande esforço do Brasil para a retomada do crescimento econômico seria apoio aos municípios e investimentos na saúde, na educação e na inovação tecnológica. Além disso, creio, é necessário que façamos um debate com muita responsabilidade sobre a segurança pública.

Na hipótese de o senhor vir a ser eleito, serias o governador mais jovem da história do Acre. O senhor se sente preparado para tamanha responsabilidade?

Quando fui convidado para ser secretário-adjunto de Planejamento do Governo do Estado, um cargo muito honroso, eu tinha pouco mais de 20 anos de idade. Quando o governador Binho Marques me convidou para ser diretor do Deracre, eu não tinha nem 30 anos de idade. No Deracre, haviam engenheiros – caso do Fernando Moutinho – que só de casa tinham mais que minha idade. Mesmo assim, a gente fez grandes investimentos e grandes obras. Acho que as coisas estão acontecendo rápido demais na minha vida e agradeço a Deus por isso. Também agradeço às pessoas que estão confiando em mim. Quando assumi aqui a Prefeitura, tinha pouco mais de 30 anos de idade e estou buscando fazer aqui a minha parcela. Independentemente da idade, penso que o que conta mesmo são os princípios que a gente tem no coração, as coisas que a gente pode fazer… A dedicação, o esforço, isso não me faltam. Eu gosto de trabalhar e de acorda cedo e estou na gestão pública há quase 20 anos e acho que acumulei bagagem na área de planejamento, de organização e de conhecimento no serviço público. Por isso, tenho certeza de que, humildemente, tenho muito a oferecer à população caso nosso propósito para o ano que vem tenha êxito no seio da população. Estou muito alegre, muito feliz e preparado, principalmente para mantermos no Governo, como fazemos na Prefeitura da Capital, um diálogo aberto com a população.

Como o senhor reage às declarações de um de seus prováveis adversários, o coronel Ulysses, que disse que iria passar sobre o senhor como trator?

A Palavra diz que a humildade precede a honra. Eu prefiro ficar com a humildade porque fazer a sua parte que eu sei que não será uma eleição fácil, muito difícil.  O que eu sei é que não há eleição ganha antes da hora e que o diálogo é com a população e que qualquer um dos candidatos tem que fazer sua parte, como eu vou fazer. Vou apresentar um plano de Governo consistente, planejado, debatido e capaz de fazer, politicamente, boas alianças com os partidos que nos apoiam, baseado em princípios de que é preciso falar a verdade, ser sincero com a população. Com humildade e pé no chão, sei que vamos vencer.

O senhor falou em segurança pública, um dos problemas que, por certo, mais afligem à população. O que o senhor acha que pode ser feito para enfrentar este problema, já que o senhor terá o delegado Emylson Farias, ligado à área, como seu candidato a vice? Como os senhores vão encarar isso?

Tenho muito carinho e respeito pelo delegado Emylson Farias, que, no âmbito da Frente Popular, me foi apresentado como candidato a vice e que é uma indicação que muito me honra. A questão da segurança pública, com a indicação do delegado Emylson Farias, moa central era segurança mostra um ato de coragem da Frente Popular em trazer para a chapa majoritária um assunto que muitos querem esconder. Nós estamos prontos para debater isso. Eu participei da reunião aqui com 20 governadores num debate em que o tema central era segurança pública. Ficou muito claro que cada um precisa fazer sua parte: o governo federal, cuidando das fronteiras, por onde entram as armas, com a Polícia Federal, com a Rodoviária, coma Polícia Militar. Eu acredito muito nos homens que servem ao nosso sistema de segurança e os governos estaduais têm que dar cada vez mais condições para que nossas polícias estaduais possam ter melhores condições de trabalho. Não vamos fugir ao debate da segurança porque creio que, juntos, podemos enfrentar um problema que não é só do Acre ou do Brasil. Todas as nações sofrem, hoje, com o problema da segurança, mas sei que podemos vencer, principalmente num Estado como o nosso.

ALEAC

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