Rio Branco, Acre, 30 de julho de 2021

Terra Indígena Puyanawa sedia 1° Conferência das Organizações Regionais Indígenas e 1° Conferência Indígena da Ayahuasca

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Rosana Cavalcanti, reitora do IFAC

Francisco Pianko

Representantes de diferentes comunidades e povos indígenas do Acre estão reunidos desde o dia 10 na Terra Indígena Puyanawa em Mâncio Lima-AC, no extremo noroeste da Amazônia brasileira. O objetivo é debater sobre a política indígena no estado e também sobre o uso da ayahuasca pelos povos indígenas.

O primeiro encontro reuniu as organizações regionais, OPIRJ (Juruá), OPITAR (Tarauacá),

Manoel Kaxinawá

OPIRE (Envira) e ASKARJ – Associação dos Seringueiros Kaxinawá do Rio Jordão, também a Federação Huni Kuin, além de instituições como FUNAI, SESAI, IFAC, EMBRAPA, IPHAN, representantes do Governo do Estado e secretaria de educação e Exército Brasileiro.

Povos Isolados e de recente contato

Apesar de não permanecerem até o fim do evento, pela primeira vez estiveram presentes representantes do povo denominados provisoriamente como Sapanawas (povo do cipó), de contato recente na região do Xinane (afluente do rio Envira). O planejamento estratégico das organizações contemplou aspectos específicos para isolados e povos de recente contato.

Retrocessos

Perguntado sobre a preocupação do movimento indígena em relação aos retrocessos nos direitos dos povos indígenas promovidos pelo Congresso Nacional e a fragilização da FUNAI pelo atual governo, Francisco Pianko, coordenador da OPIRJ responde que o encontro reflete a necessidade de uma visão estratégica dos povos indígenas para o enfrentamento a esse novo momento.

“Não adianta ficar isolado, temos que estar por dentro de uma situação que vem lá de cima. Estamos fazendo um esforço para que nossa voz chegue lá. Vamos tirar desse encontro um manifesto dizendo daquilo que está nos preocupando e sobre o que a gente quer.”, explica.

Facções Criminosas

Além das já costumeiras preocupações com saúde, educação e produção, surgiu tambpem neste encontro uma preocupação com a questão da segurança.

Relatos de algumas comunidades já falam do aumento da influência das facções criminosas também dentro de algumas terras indígenas, especialmente aquelas mais próximas da cidade e de rodovias. A ideia é ampliar a relação institucional com os órgãos de segurança pública e Exército, mas sempre a partir do fortalecimento das bases de auto-organização.

“Todas comunidades precisa saber o que são estas organizações criminosas para a gente colocar isso no nosso radar para começar a discutir estratégias para se defender”, disse Francisco Pianko.

O documento preparado pelas organizações em breve estará disponível.

Ayahuasca

O encerramento do encontro das organizações já serviu como abertura para o próximo encontro: a 1° Conferência Indígena da Ayahuasca. O encontro pretende fornecer um contra-ponto indígena às discussões que vem ocorrendo no Brasil e no mundo acerca do uso ritual da bebida e que em alguns momentos negligenciaram a participação indígena.

Nas falas de abertura de Mário Huni Kuin (OPIRE) e Manoel Kaxinawá (OPITAR) ambos falaram sobre respeito e convivência com os usos não indígenas da bebida já consagrados pelas religiões ayahuasqueiras, mas também da necessidade do protagonismo das vozes indígenas nessa construção. “Não estamos brigando com ninguém, estamos falando que conhecemos a realidade espiritual, como vem sendo comprovado pelo trabalho dos pajés dentro e fora das aldeias”, disse Manoel. “Temos respeito ás diferentes formas de uso, mas essa deve ser uma discussão indígena”, disse Francisco Pianko (OPIRJ)

Entre os temas a serem debatidos estão: a ayahuasca como base da cultura indígena, as experiências de intercâmbio entre indígenas e não-indígenas, as canções cerimoniais, a sustentabilidade e plantio do cipó e folha e a patrimonialização da ayahuasca, entre outros.

Entre os debatedores elencados estão Biraci Brasil e Benky Pianko, Ninawá e Joaqueim Maná, Luis Puwe Puyanawa, os pesquisadores Juarez Bonfim  e Danielli Jatobá (IPHAN), entre outros.

De espírito presente

Os debates terão início nesta sexta-feira e devem se prolongar até sábado. Estão previstas cerimônias durante as três noites do encontro. A ideia é que a bebida seja servida mesmo de dia, durante as discussões. Uma forma de garantir que não se torne um debate vazio, abstrato e sim que o próprio espírito da ayahuasca, e das muitas ancestralidades, estejam presentes durante o encontro.

Assista vídeo com a canção puyanawa entoada para marcar a abertura da Primeira Conferência Indígena da Ayahuasca

ALEAC

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