O Juruá Em Tempo

Após dois anos sem manutenção, BR recebe recuperação parcial

Por Leandro Altheman

Mais uma viagem pela BR 364 e constato, com satisfação, que a trafegabilidade na rodovia federal melhorou muito em relação à última viagem, realizada em fevereiro de 2017.

Desde que a rodovia passou à administração federal, este é até agora o mais consistente de recuperação. Até então, apenas recuperações pontuais vinham sendo realizadas.  O trabalho foi iniciado tardiamente, já quase ao fim do verão deste ano.

Locais críticos receberam manutenção de emergência, muitos trechos foram recuperados e em alguns já há inclusive sinalização recém-feita. O risco de fechamento da rodovia que parecia iminente até pouco tempo, parece estar superado, ao menos por hora.

Mas, vamos a uma descrição mais detalhada da rodovia, em seus muitos trechos nos quase 700 km que separam Cruzeiro do Sul da capital Rio Branco.

Variante

A variante até pouco tempo descrita como ‘tapete’ já apresenta buracos traiçoeiros, comumente cheios d’água das constantes chuvas que caem neste período. Merece cuidado urgente antes que os danos sejam mais severos.

Juruá-Liberdade

Continua sendo um dos melhores trechos da rodovia, senão o melhor. Funcionários da empresa licitada foram avistados na TI Katukina realizando um trabalho de roçagem nas margens. Um trabalho preventivo importante para aumentar a durabilidade da pista.

Liberdade- Tarauacá

Balança: Inoperante e completamente abandonada
Trecho logo após o Liberdade segue sendo o pior da BR

Certamente permanece como o trecho mais precário da estrada. Recebeu apenas operações emergenciais de tapa-buraco, mas não há, por hora, o risco de atoleiros que assombravam os motoristas até recentemente. Ainda assim, é o trecho mais demorado para ser realizado. Foram quase três horas para percorrê-lo.

A balança do rio Liberdade está não apenas inoperante como completamente abandonada. A estrutura está em péssimo estado e é possível que tenha de ser reconstruída.

Cabeceira da ponte do rio Tarauacá passando por recuperação

A cabeceira da ponte sobre o rio Tarauacá estava passando por recuperação.

Tarauacá-Feijó

Encontra-se em melhor estado. Os 46 kms entre Tarauacá e Feijó foram percorridos em cerca de 45 min. O trabalho ainda não foi finalizado, mas a trafegabilidade está sensivelmente melhor.

Feijó- Juruapari-Purus

Base nova já apresenta buracos
Trecho próximo de ser concluído

Este é o trecho onde o serviço de recuperação está mais avançado. A base foi refeita e nas proximidades do Purus já há trechos concluídos, inclusive com sinalização.

Empresa licitada tapa os buracos abertos recentemente na nova base antes da camada final de asfalto.

Em alguns locais, mesmo a base nova, já apresentava buracos. É preciso que se diga, contudo, que a empresa, nesse caso a LCM, vinha tapando os novos buracos antes de concluir o serviço. Mas chama a atenção para a fragilidade da pista.

Purus- Sena Madureira

Pontos críticos também foram recuperados, mas a obra não está concluída e há irregularidades na pista.

Sena- Rio Branco

Crateras no trecho Sena-Rio Branco necessitam de manutenção urgente.

Foi o único trecho em que a trafegabilidade piorou em relação ao ano passado. As crateras estão se espalhando e aparentemente não foi realizado nenhum serviço de recuperação recentemente.

Impressão geral

O DNIT conseguiu afastar o fantasma do fechamento da rodovia, ao menos por hora. Fica evidente a necessidade de recuperação constante da estrada. Há mais de uma frente de serviço sendo executada pelas duas empresas licitadas: CCL e LCM. O ponto negativo é que o mesmo DNIT continua não fazendo o controle de peso das cargas o que compromete a durabilidade do trabalho que vem sendo feito. Há irregularidades na pista típicas de excesso de carga. Este, ao meu ver, continua sendo a maior ameaça à rodovia.

Fotos: Dandara Santana

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