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Um sonho de verão

Por Redação Juruá em Tempo.16 de março de 20184 Minutos de Leitura
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Tião Maia


O “coleguinha” Luciano Tavares, do AC24horas, um jovem de cuja amizade eu muito me ufano, trouxe, até aqui, a reportagem mais saborosa sobre o atual início da campanha eleitoral. Diz o bem informado repórter que, enquanto o senador Gladson Cameli, o Major Rocha e outros anjos caídos da sua turma ainda tentavam deglutir a pulada do barco do MDB da campanha do senador pepista, Tião Bocalom e o coronel Ulisses Araújo eram recebidos para um rega-bofe na chácara do deputado federal Flaviano Melo, na Estrada da Apolônio Sales.
Ali houve de tudo: churrasco, cerveja, uísque, tábua fria e até música de qualidade, entonada por ninguém menos que o coronel Ulisses Araújo, pré-candidato a governador com cujo nome os emedebistas, comandados por Flaviano Melo, querem sufocar a natimorta candidatura de Gladson ao Governo. As apostas hoje giram em torno da possibilidade de Gladson (mantenho a aposta) nem vir a ser candidato e, se o for, se irá ao menos para o segundo turno.
Aliás, ganha cada vez mais robustez a especulação de que Coronel Ulisses, não aceitando se filiar ao PMDB – o que levaria a seu palanque o carcomido Michel Temer e sua ficha criminal de maior quadrilheiro do Brasil e não, como ele sonha, o polêmico Jair Bolsonaro –, quem iria para o sacrifício de ser candidato ao governo pelo partido de Flaviano Melo seria o já conhecido Márcio Bittar, candidato ao Senado que recuaria da pretensão e iria para o sacrifício de ser candidato a governador desde que fosse garantida a sua esposa, Márcia, uma vaga para federal. Neste caso, Wagner Sales também iria para o sacrifício de ser candidato ao Senado mesmo tendo na Prefeitura de Cruzeiro do sul, sua base eleitoral, um prefeito, Ilderley Cordeiro, que, a despeito de ter recebido seu total apoio para ser eleito, agora quer vê-lo pelas costas.
Já nas hostes do PSDB, em caso de desistência de Gladson Cameli, quem iria para o sacrifício de ser candidato a governador seria o próprio deputado Major Rocha, com as bênçãos de Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, que deverá ser, sim, indicado pelos tucanos como candidato à presidência. Difícil é alguém aceitar ser vice de um candidato conhecido pelo destempero verbal e postura de quem faltou às comezinhas aulas de boa educação. A propósito desta candidatura, seria muito interessante se ver, na campanha, o candidato Major Rocha cumprindo a promessa de fustigar o MDB e o próprio Flaviano Melo pedindo a reabertura – veja só – do caso “Flávio Nogueira”, a conta fantasma no Banco do Brasil que, quase 30 anos depois, pela quantia surrupiada dos cofres públicos na época, ainda bancaria o MDB e a turma de Flaviano Melo nos rega-bofes da vida.
Enfim, este é o quadro atual das oposições no Acre. De novidade mesmo, só o fato de, na festa do MDB, o coronel Ulisses Araújo ter mostrado mais um dote além daquele de enfiar armas e balas na cara das pessoas: o de violeiro. Agarrado ao braço de um violão – e não mais de uma metralhadora, o PM cantou a noite inteira músicas atuais e do passado, entre as quais se destacava uma, do grupo Roupa Nova, na qual o refrão diz tudo – no relato de Luciano Tavares – o que pensa o militar travestido de político em relação ao eleitor:
– “Na minha fantasia o mundo era você e eu…”.
Às vezes, o que parece fantasia significa mesmo… mera fantasia. No máximo, um sonho de verão.
A realidade é bem mais fantástica.

Legenda da foto: Rega-bofes ainda financiados pela farta quantidade de dinheiro surrupiado dos cofres públicos pela conta “Flávio Nogueira”, cuja reabertura o deputado Major Rocha anuncia que vai pedir.

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