Por Cesário Campelo Braga
Duas notícias relevantes ocuparam os jornais internacionais nesse final de semana: a prisão política do presidente Lula no último sábado (07) e o ataque com armas químicas em Douma na Síria, no domingo (08).
Dois acontecimentos que a primeira vista parecem não guardar nenhuma relação, mas que quando submetidos à uma análise mais profunda, revelam-se faces de uma mesma moeda: a disputa geopolítica global pelo domínio do petróleo.
No planeta, há guerras nos seus modos tradicionais (bélicas) e disfarçadas de devido processo legal em _pseudos_ democracias voltadas para o domínio de territórios com abundantes reservas de combustíveis fósseis. Foi assim na invasão da Arábia Saudita e nas sucessivas tentativas de intervenção política na Venezuela, só para citar dois casos.
Na Síria o ataque do dia 08 foi apenas uma ação dessa guerra que está focada no domínio territorial dos gasodutos e oleodutos do Oriente Médio. Guerra essa, que se acentuou com a descoberta de gás em grande quantidade no Mediterrâneo Oriental, já em 2018, e que ampliou os conflitos de interesses globais entre Rússia e EUA. Países que disputam a hegemonia de dominação territorial e colocam no meio dessa guerra o povo sírio que morre em função do desejo de ampliação dos lucros dessas nações.
No Brasil a prisão de Lula é um impeachment preventivo para não permitir que ele volte ao governo, anulando a possibilidade de manutenção política do regime de partilha dos campos do pré-sal e a hegemonia estatal da PETROBRAS sobre a exploração de petroleo e gás na costa Atlântica da América do Sul.
A perseguição política a Lula começa quando seu legado governamental voltou-se para a autonomia energética do Brasil, cuja estratégia central era transformar o Brasil em uma potência econômica capaz de liderar uma nova aliança global, os BRICS (Brasil, Rússia, China e África do Sul). Perseguição que se agravou após a efetiva descoberta e exploração do pré-sal em 2006 e a consolidação dos BRICS em 2008, fatos que elevaram Lula ao _status_ de líder mundial.
Na Síria a guerra é pelo petróleo, no Brasil o golpe antidemocrático é pelo petróleo. Na Síria estão matando o povo com balas e no Brasil estão matando o povo com a fome. A luta do povo Sírio por soberania, democracia e direito a posse de seu território e recursos naturais é a mesma luta do povo brasileiro por cidadania, personificada em imagem e na ideia que Lula representa.

