Close Menu
  • Inicio
  • Últimas Notícias
  • Acre
  • Polícia
  • Política
  • Esporte
  • Cotidiano
  • Geral
  • Brasil
Facebook X (Twitter) Instagram WhatsApp
Últimas
  • Com rotina disciplinada, acreana conquista 960 na redação do Enem aos 18 anos: “Me impressionou”
  • Mulher é estuprada dentro de apartamento após invasão em Rio Branco; suspeito é preso
  • Barco grande naufraga em igarapé no Acre e populares tentam salvar pertences
  • Rio Acre ultrapassa cota de transbordamento pela 2ª vez em menos de um mês
  • Prefeitura de Cruzeiro do Sul e Detran realizam ação educativa de trânsito
  • Bocalom convoca coletiva para anunciar futuro político e possível candidatura ao Governo
  • Aos 90 anos do salário mínimo, Lula diz que valor é “muito baixo”
  • Malafaia rebate Damares sobre lista de igrejas e pastores na CPMI do INSS
  • Atividade econômica do Brasil cresce 0,7% em novembro; no ano, agro puxa avanço de 2,4%
  • Cruzeiro do Sul lança edital para expositores do Carnaval Cultural Magid Almeida 2026
Facebook X (Twitter) Instagram
O Juruá Em TempoO Juruá Em Tempo
sexta-feira, janeiro 16
  • Inicio
  • Últimas Notícias
  • Acre
  • Polícia
  • Política
  • Esporte
  • Cotidiano
  • Geral
  • Brasil
O Juruá Em TempoO Juruá Em Tempo
Home»CONFIRA AQUI

Artigo: “Direita descomplexada”, “esquerda complexada” – o Brasil em tempos de reacionarismo

Por Redação Juruá em Tempo.2 de abril de 20185 Minutos de Leitura
Compartilhar
Facebook Twitter WhatsApp LinkedIn Email

Israel Souza[1]

O caráter conservador do Brasil é ponto pacífico entre muitos autores, das diversas ciências sociais e dos mais variados matizes ideológicos. Cada um a seu modo, tratam disso Gilberto Freyre (Casa grande & senzala), Sérgio Buarque de Holanda (Raízes do Brasil), Florestan Fernandes (A revolução burguesa no Brasil), Caio Prado Jr. (Evolução política do Brasil), Raymundo Faoro (Os donos do poder), Darcy Ribeiro (O povo brasileiro), para citar apenas alguns.

Momentos há, porém, em que atravessamos a fronteira do prosaico conservadorismo e avançamos em campos outros. Por vezes, avançamos no campo do progressismo, coisa rara. Por vezes, no do reacionarismo, coisa perigosíssima. A meu ver, é nesse campo que ora estamos avançando.

Ameaçando transformar a “questão social” em “questão policial” novamente, certo candidato à presidência segue em segundo lugar nas pesquisas de intenção de votos nestas eleições de 2018. Em que pesem as insanidades que fala, conta com o apoio de milhões e é recebido como herói em alguns lugares. Michel Temer decretou intervenção militar no Rio de Janeiro, reputando-a como “uma jogada de mestre”. Executaram Marielle Franco, ativista social e vereadora da cidade do Rio pelo Psol, e uns tantos comemoram o fato nas redes sociais. Enodaram seu nome com mentiras, jogaram-no na lama. A caravana do ex-presidente Lula foi atacada com pedras e balas.

Resumidamente, eis a atmosfera sob a qual vivemos ou tentamos viver. A olhos vistos, a disputa política vai ganhando dinâmica explosiva. Indisfarçavelmente, a luta de classes vai cedendo espaço à guerra de classes. Estatal e civil, a violência avulta, avança, desnuda. Parece confirmar-se a hipótese que levantei em meu último artigo. Estamos transitando da política da militarização para a militarização da política.

Pavoneando-se, a direita se jacta de seus preconceitos, ódio e violência. Não se esconde. Expõe-se descomplexadamente, orgulhosa de si. Para ficar apenas em dois exemplos. Lembremos do “movimento” Escola sem Partido questionando juridicamente o critério que prevê a anulação das redações do ENEM que desrespeitem os direitos humanos, disseminando mensagens de ódio ou qualquer tipo de preconceito. Lembremos ainda de ruralistas, recentemente, sacando armas e dando de chicote em manifestantes pró-Lula no sul do país.

A situação da esquerda e de todos os que lutam pelas dignidade e emancipação humana é bem outra.  Procuram se encontrar, afinar seus discursos e estratégias de luta. Não raro, ativistas de direitos humanos têm que se justificar, assegurando que não defendem bandido. Os que lutam por direitos sociais se veem na obrigação, de quando em vez, de dizer que não são petistas. Acuados em seus espaços de trabalho, afrontados em seus ofício e saber, professores têm que provar que discutir temas sociais não é fazer doutrinação nem tampouco estar a serviço de um dado partido.

Embora forçada pelas circunstâncias, tanta justificativa não deixa de representar insegurança, uma espécie de “complexo”. De externo, o constrangimento se vai internalizando, atando, num só feixe, censura e autocensura.

Com efeito, o clima ideológico-moral é tão adverso que até parece que a luta por justiça social virou pecado, sinal de psicopatia, de “esquerdopatia”, como insinuam. Alguns querem mesmo é transformá-la em crime, interditando a cidadania questionadora, o exercício dos direitos políticos por outros meios além do voto.

Impossível caracterizar tal cenário como conservador. E quem assim o faz, além de incorrer em equívoco, julga mal o tamanho do perigo. Um momento assim, em que o humanismo mais pueril ofende, ameaça os dominantes e seus consortes, é melhor definido como reacionário. Não é conservação. É retrocesso!

A mistura de violência, moralismo e anti-intelectualismo mostra que o fascismo grassa em nosso meio. Ontem como hoje, na Europa como no Brasil, ele exibe seu anti-Iluminismo, exala seu obscurantismo, sua sanha assassina. E nosso país, que chegou mal e tardiamente à modernidade, agora a vê sendo proscrita, interditada mesmo em seus valores progressistas mínimos. Nossas luzes que nunca foram lá muito fortes começam a eclipsar, sufocadas sob as sombras desse neo-obscurantismo.

Que não reste dúvidas sobre o período que atravessamos. Não se trata de jargão ou mantra. Como a revolução, a reação fascista não se faz a partir de decretos. Ambas, a revolução e a reação, são resultado de um processo de acúmulo de forças e contradições em cuja manifestação, porém, já estão presentes como potência. Infelizmente, os sinais do fascismo são inequívocos. Não há como tergiversar quanto isso. Resta saber apenas até onde iremos nessa trilha.

Nesse contexto, seria desastroso centrar todos os esforços – ou a maioria deles – em eleições e candidaturas. Como ensinou Gramsci, a luta política se dá tanto no nível da “sociedade política” quanto no nível da “sociedade civil”. Não há motivos para privilegiar uma em detrimento da outra.

Ademais, depois do golpe de 2016, a maneira de fazer política no Brasil não será mais a mesma. A democracia já não é respeitada sequer em seus aspectos mais formais, mais inofensivos. Ela continua sendo um espetáculo, mas um espetáculo que, doravante, pode ser suspenso a qualquer momento.

Urge travar a luta de classes no âmbito da cultura, dos valores, da ideologia. Apenas os de baixo podem trazer configuração e luz novas a este obscuro quadro. E para isso é preciso des-anatematizar o ideal de justiça social e liberdade. É necessário que os que lutam por justiça não se sintam envergonhados, complexados, nem sejam envergonhados por isso. É preciso clareza e seguranças nessa luta. Em resumidas contas, é preciso não dar razão à desrazão.

[1] Cientista social, professor e pesquisador do Instituto Federal do Acre/Campus Cruzeiro do Sul, onde coordena os projetos de pesquisa Trabalho, Território e Política na Amazônia e Miséria Política no Brasil. Autor dos livros Democracia no Acre: notícias de uma ausência (PUBLIT: 2014) e Desenvolvimentismo na Amazônia: a farsa fascinante, a tragédia facínora (no prelo). E-mail: [email protected]

Por:
Facebook X (Twitter) Pinterest Vimeo WhatsApp TikTok Instagram

Sobre

  • Diretora: Midiã de Sá Martins
  • Editor Chefe: Uilian Richard Silva Oliveira

Contato

  • [email protected]

Categorias

  • Polícia
© 2026 Jurua em Tempo. Designed by TupaHost.
Facebook X (Twitter) Pinterest Vimeo WhatsApp TikTok Instagram

Digite acima e pressione Enter para pesquisar. Pressione Esc cancelar.