O Ministro da Educação Rossiele Soares foi capaz de negar diante das câmeras que tenha havido cortes nos recursos destinados às Universidades Federais. A pasta, que pertence ao DEM passou em abril de Mendonça Filho para Rossiele. Para o ministro, a decisão de encerrar o curso de espanhol ou de não abrir um curso de medicina no Juruá, são apenas, única e exclusivamente, de competência da reitoria da UFAC. Bem posicionado sobre o escudo da ‘autonomia universitária’, o ministro omite que sem os recursos federais, as universidades podem até ter autonomia para tomar decisões, mas sem condições de realizá-las.
Segundo o documento“Universidades Federais – Patrimônio da Sociedade Brasileira”, produzido pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) em relação a 2017, a tesourada na verba de investimentos, usada para expansão universitária e compra de material e equipamentos, foi de 86%.
Os cortes são TAMBÉM resultado da emenda constitucional 95, que congelou os gastos públicos, também em educação. A PEC impede o aumento de recursos públicos por 20 anos, que são reajustados apenas pela inflação. Tanto Gladson quanto Alan Rick votaram a favor da emenda. O congelamento somado ao corte no orçamento deste ano explica o quase sucateamento nas universidades públicas.
No entanto, apesar da autoria e co-autoria no sucateamento, tanto ele, quanto o deputado federal Alan Rick (DEM) contabilizaram para o ex-reitor Minoru Kimpara, a decisão de não abrir um curso de medicina no Campus Floresta de Cruzeiro do Sul. Por telefone, ao jornalista Paulo Amorim, Minoru explicou que foi enviado um ofício ainda em 2014 ao MEC, manifestando o interesse na criação do curso.
Durante a coletiva, tanto o Ministro quanto seu cicerone no Acre citaram uma reunião em que supostamente Minoru teria ‘negado interesse’ na criação do curso. Na prática, a conversa foi bem outra. Minoru teria simplesmente colocado as condições necessárias para a criação do curso, o que certamente, demandaria investimentos do governo federal.
Minoru deixou a reitoria para concorrer ao uma vaga no senado pela REDE, partido de Marina Silva. Em tese pelo menos, estaria supostamente fora da polarização política entre PT e MDB. na prática, além de não ter acesso ás benesses que o governo federal concede a seus aliados do MDB, PP e DEM, acabou se tornando um alvo das meias-verdades (para não dizer simplesmente, mentiras) do grupo governista.
Gladson não ficou de fora
Como não podia ser diferente, o senador Gladson Cameli fez jus a fama de ‘prometedor’ daquilo que não pode cumprir. Pressionado sobre os preços excludentes de um curso privado de medicina, Gladson acabou prometendo um curso na federal.
Aliás, tanto ele quanto Alan Rick e o ministro do DEM disseram que irão ‘retomar o diálogo’ com a reitoria da UFAC para a abertura do curso. O que nenhum deles mencionou é que há um decreto do próprio MEC suspendendo por cinco anos a criação de novos cursos de medicina. O decreto foi assinado em abril, pelo antecessor de Rosseli, Mendonça Filho. Resta saber se Rosselli, Alan Rick e Gladson não sabiam da portaria ou se apostaram que o pública não saberia.

