O Acre alcançou posição de destaque na segunda edição do “Anuário do Peixe BR”, versão 2018, publicada pela Associação Brasileira de Piscicultura, a qual informa que a produção brasileira do setor, em 2017, foi de 691.700 toneladas, 8% superior aos números de 2016, que foram de 640.510 toneladas produzidas. O mesmo Anuário mostra que o Acre, nos dois últimos anos, apresentou crescimento da ordem de 14 por cento na produção de peixes. Em 2017, o Acre produziu 8 mil toneladas de peixe.
Os números foram confirmados pelo titular da Secretaria de Estado de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof), João Thaumaturgo Neto, e pelo diretor da indústria Peixes da Amazônia, Inácio Moreira, ao revelarem que o crescimento reflete os investimentos no setor feitos pelo governador Tião Viana desde o início de seus primeiro mandato, em 2011. Parte desses investimentos foi feita em setores estratégicos da cadeia de produção, como a construção de tanques em todo o Estado e assistência técnica ofertada pelo governo, além do Complexo de Piscicultura, que é composto pelo Centro de Criação de Alevinos, Indústria de Processamento e Frigorífico e a Fábrica de Ração. Desde 2011, o governo do Acre investiu na construção de 5.355 tanques de criação de peixes. Além disso, foram construídos o Complexo de Piscicultura do Vale do Acre, a Unidade de Piscicultura do Vale do Juruá que possuí um núcleo de produção de alevinos e um frigorífico, “Os dois projetos somam investimentos de R$ 138 milhões”, conclui o gestor João Thaumaturgo Neto.

De acordo com a publicação da Peixe BR, o Acre produziu 8 mil toneladas de peixes cultivados em 2017 e que o Estado já dispõe de 2.162 piscicultores licenciados, segundo mostram também dados da Superintendência Federal da Agricultura e Pecuária no Acre (SFA). “A Peixes vende o alevino para os piscicultores. Esses piscicultores levam esses alevinos para seus tanques, atuam na engorda com ração produzida na Peixes e revendem esse peixe para a indústria e outros fornecedores. O que a indústria compra é processado no frigorífico e vendido para redes do mercado externo e interno”, explica Inácio Moreira, presidente da indústria. Por safra, na Peixes da Amazônia são produzidos em torno de 1,5 milhão de alevinos da espécie pintado, 300 mil de tambaqui e entre 150 e 300 mil de pirarucu.
“Isso tudo está acontecendo em função de uma decisão pessoal do governador Tião Viana. É necessário que se registre que, em 2010, quando ainda era apenas candidato a governador, Tião Viana já buscava meio de, chegando ao governo, como chegou, implantar o que estamos vivenciando agora”, disse João Thaumaturgo.
Brasil já é o quarto maior produtor de Tilápia do mundo
Com formato inédito e 140 páginas de valiosas informações sobre a criação de peixes no País, uma das grandes novidades do Anuário de 2018 é a informação de que o Brasil já se encontra entre os quatro maiores produtores de tilápia do mundo, atrás apenas de China, Indonésia e Egito – informação que, inclusive, ilustra a capa do anuário.
Apesar das adversidades climáticas, a região Sul voltou a liderar as estatísticas nacionais de produção, com 178,5 mil toneladas de peixes produzidas, impulsionada pelo Estado do Paraná, primeiro na história a ultrapassar a barreira das 100 mil toneladas/ano. O anuário apresenta uma seção denominada “Passos para o crescimento” – O que a atividade precisa para crescer. A partir de um levantamento inédito, a Peixe BR ouviu associados de todas as regiões brasileiras, os quais elencaram os principais problemas, dificuldades, gargalos e desafios da atividade. As demandas foram organizadas em temas, como: Sistemas de produção, nutrição, espécies, sanidade, novas tecnologias, genética, processamento do pescado, qualidade de água, mercado, além de demandas específicas para os órgãos de defesa sanitária, de licenciamento ambiental e para as agências de fomento, como CNPq e FINEP.
A Tilápia é a mais importante espécie de peixes cultivados do Brasil. Segundo levantamento inédito da Associação Brasileira da Piscicultura, a espécie representa 51,7% da Piscicultura nacional, com 357.639 toneladas em 2017.
A segunda posição não é de uma espécie em si, mas de uma categoria de peixes: os nativos. De acordo com a pesquisa da Peixe BR, liderados pelo Tambaqui os nativos representam 43,7% da produção brasileira: 302.235 toneladas.
Outras espécies, entre as quais destacam-se Carpas e Trutas, representam 4,6% da produção brasileira de peixes de cultivo em 2017, com 31.825 toneladas. A pesquisa da Peixe BR em todo o Brasil mostra, pela primeira vez, os números da Tilápia no país, comprovando sua viabilidade em termos produtivos e como negócio, já que a espécie está presente nos maiores e mais recentes empreendimentos, sobretudo na região Sul/Sudeste.
“A autorização para produção da Tilápia em estados com grande potencial de desenvolvimento da Piscicultura, como Tocantins e Mato Grosso, também mostra que a participação da espécie na Piscicultura brasileira deve crescer ainda mais no futuro”, disse Francisco Medeiros, presidente executivo da Peixe BR.
A produção brasileira de Tilápia foi de 357.639 toneladas em 2017, de acordo com levantamento da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeE BR). Esse resultado coloca o Brasil entre os quatro maiores produtores do mundo, atrás de China, Indonésia e Egito.
O Paraná é o maior produtor de Tilápia do Brasil, com 105.392 toneladas. A espécie participa com 94% da produção total de peixes cultivados do estado. A Tilápia também está presente com força de São Paulo. Nada menos do que 95% da produção do estado – equivalentes a 66.101 t – são de Tilápia.
O terceiro maior produtor de Tilápia do Brasil é Santa Catarina, com 32.930 t (74% do total). Depois vêm Minas Gerais, com 27.579 t (95% do total), e Bahia, com 22.220 t (81% do total). Juntos, os cinco estados maiores produtores de Tilápia do Brasil representam 64,9% da produção nacional.
Rondônia lidera produção de peixes nativos
Rondônia e Amazonas (região Norte), Mato Grosso e Goiás (região Centro-Oeste) e Maranhão (região Nordeste) são os maiores produtores de peixes nativos do Brasil. A pesquisa da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) não detalha, em percentual, as espécies nativas mais produzidas, porém a liderança é do Tambaqui, Pirapitinga, Pacu e seus híbridos, principalmente Tambatinga.
Rondônia lidera o ranking, com 100% de sua produção (77 mil t, em 2017) de espécies nativas. Mato Grosso aparece em segundo lugar, com 60.134 t (97% do total). Na sequência, vêm Amazonas, com 100% da produção de peixes nativos (28 mil t), Maranhão, com 90% das 26.500 t, e Pará, com 97,2% da produção total de 20 mil t.
Os cinco estados, juntos, representam 69% da produção total de peixes nativos, lembrando que estas espécies estão mais disseminadas pelo Brasil – especialmente pelas regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste. De acordo com o levantamento da Peixe BR, somente no Distrito Federal não há cultivo de peixe nativo.
Por Tião Maia