Na semana anterior Cruzeiro do Sul recebeu a visita do Ministro da Educação Rossiele Soares para anunciar a abertura de um edital para a implantação de um curso de medicina a partir de uma faculdade particular em Cruzeiro do Sul.
O anúncio foi tema de extensos debates, especialmente sobre o acesso da população da cidade a um curso cuja mensalidade pode variar de seis a até 12 mil reais.
Quem mais se ressentiu do anúncio foi a comunidade acadêmica do Campus Floresta da UFAC. Na prática, o anúncio do ministro, que teve o apoio e a articulação de políticos acreanos como Alan Rick e Gladson Cameli, põe por terra o trabalho que a própria UFAC vem fazendo desde 2011 com vistas a implantação do curso de medicina em Cruzeiro do Sul.
Desde então foi firmada uma parceria entre UFAC, Fundação de Amparo à Pesquisa no Acre e Governo do Estado junto à Faculdade de Medicina do ABC para formação do corpo docente que atuaria no curso.
Com o anuncio, a possibilidade de um curso federal e gratuito tornou-se mais distante, especialmente porque em abril o ministro antecessor de Rossiele, Mendonça Filho, assinou uma portaria decretando uma moratória de cinco anos na abertura de novos cursos de medicina.
A expectativa geral da população é de que somente os filhos de empresários, representantes da oligarquia da cidade é que terão acesso a essa oportunidade. A maior parte contudo, não terá o poder aquisitivo suficiente para bancar um investimento desse porte.
A repórter Mona Moura, do programa de rádio Voz do Juruá (ao ar na Rádio Verdes Florestas, de segunda á sexta, ao meio-dia) foi às ruas para conhecer a opinião da população cruzeirense.
Alessandra Esteves, 25:
“Nós de Cruzeiro do Sul não temos condições. É o sonho do meu filho, mas eu não tenho condições de pagar seis mil reais por mês”
Carlos Almeida, 25:
“É um valor exorbitante para a realidade de Cruzeiro do Sul. Já é uma seleção porque não será uma pessoa que poderá estudar lá e sim pessoas de alta renda.”
Vitória Nascimento, 22 estudante da UFAC:
“Parece que mais uma vez os políticos estão tentando tirar o deles junto com outras organizações. Parece que roubam, rouba, e quando vêem não tem mais saída, e agora vai vir essa faculdade que deveria estar vindo para a nossa federal”.
Michael Albuquerque, professor de educação física
“É uma boa alternativa, mas como é particular, vai selecionar o público. Vai vir gente de fora porque esse preço da mensalidade não cabe na nossa cidade. O certo seria uma universidade pública para facilitar o acesso aos hospitais, pela falta de médicos que tem na cidade.”

