Faltando mais de quatro meses para as eleições deste ano, no Acre não é possível prever – pelo menos o bom senso recomenda isso – quem será vencedor. Os movimentos dos principais candidatos na disputa pelo Governo do Estado mostram que este ano teremos uma das disputas mais acirradas da história local. No entanto, apesar disso, já é possível afirmar quem será o grande derrotado.
Ele atende por Vagner José Sales, cujo último cargo foi o exercício do mandato de prefeito de Cruzeiro do Sul, a segunda maior cidade acreana, por oito anos e que, apesar do desastre que foi sua administração, conseguiu inclusive fazer seu sucessor, o atual prefeito Ilderlei Cordeiro.
É exatamente em função de Cordeiro que Sales vem acumulando uma derrota atrás da outra. Tudo começou quando o prefeito eleito sob sua influência, mal sentou na cadeira da municipalidade, mandou a avisar a seu padrinho político que, a partir dali, ele não teria, como contava, qualquer influência sob a nova administração. Para mostrar a que veio e que não aceitaria ingerências na Prefeitura sob seu comando, Cordeiro demitiu os protegidos que Sales havia deixado na Prefeitura, inclusive os mais graduados.
A segundo derrota de Sales para Cordeiro deu-se quando o atual prefeito anunciou que nas eleições não apoiaria a filha de seu mentor político, a deputada federal Jéssia Sales, que vai para a reeleição pelo MDB. Ilderlei anunciou que vai apoiar um de seus tios, Rudlei Estrela, que deverá disputar a eleição pelo PP de Gladson Cameli, com o apoio maciço do atual prefeito e que, por certo, deverá dividir os votos do segundo maior colégio eleitoral do Acre. A terceira derrota de Vagner Sales deu-se quando ele tentou emplacar como vice de Gladson Cameli o Coronel Ulysses, que não aceitou o convite do MDB e resolveu ser ele próprio uma alternativa das oposições ou quem sabe uma terceira via da disputa. Além de não emplacar Ulysses, Vagner Sales viu o deputado Major Rocha, um de seus desafetos, ser escolhido como candidato a vice de Gladson.
A quarta derrota de Vagner Sales veio quando, já sob influência de Gladson Cameli, o prefeito Ilderlei Cordeiro conseguiu tirar do MDB dois vereadores eleitos sob a influência do ex-prefeito. Eles se agruparam no PP e não seguiram a orientação de Vagner Sales de que deveriam fazer oposição ao prefeito Ilderlei. Afora isso, o atual prefeito, junto com seu novo ídolo Gladson Cameli, deixa claro que vai lutar pelo fim do MDB do Juruá, no qual Sales ainda detém influência
A mais forte derrota, no entanto, ocorreu quando Ilderlei veio a público dizer que o insucesso de sua administração, que está fazendo com que a segundo maior cidade do Estado mais pareça um campo minado, com suas ruas esburacadas e sem a prestação de serviços essenciais à comunidade, está relacionada aos mal feitos herdados da época em que Sales foi prefeito. De acordo com o prefeito atual, até desvios de recursos, da ordem de R$ 100 milhões, caracterizaram a administração de Sales, que mandava descontar na folha de pagamento a contribuição previdenciária dos servidores e não repassada as quantias a quem de direito, o INSS, caracterizando o crime de apropriação indébita e que deverá causar ainda mais prejuízos à Prefeitura, que não pode contratar convênios com o governo federal nem receber recursos de emendas parlamentares.
Mas a maior derrota dos Sales está se dando agora, quando os cardeais de seu partido – os ex-deputados João Correia e Adalberto Ferreira – estão se bandeando para a candidatura do Coronel Ulysses. Até mesmo o ex-prefeito de Brasiléia, Aldemir Lopes, que continua fazendo político envergando uma indefectível tornezeleira eletrônica numa das pernas como detento sob observação e monitoramento do sistema presidiário, estaria disposto a deixar Vagner Sales pelo caminho. O único que ainda apóia o ex-prefeito é o deputado federal Flaviano Melo, que sabe ter sua reeleição ameaçada caso não marche colado com a candidatura de Gladson Cameli.
Outra derrota acumulada por Sales estaria relacionada ao fato de ele não poder se candidatar à Assembleia Legislativa por acumular condenações e ter ficado inelegível. Mas, para não dizer que o homem que se jactava de “Leão do Juruá” perdeu de tudo, ele ainda tem a ex-deputada Antonia Sales, sua esposa, como alternativa para substituí-lo na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa. Graças a sua senhora, não se pode dizer que ele perdeu de tudo porque tem um casamento sólido. Ainda bem.

