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Não me rendo, não me vendo, não me calo e nem me aquieto…

Por Redação Juruá em Tempo.23 de junho de 20184 Minutos de Leitura
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O que escrevo a seguir está muito longe de ser ao acaso. Faço-o porque uns têm algo a dizer, e outros, a vontade de saber. Como estou no primeiro pelotão, tenho a declarar que, para pelo menos alguns, uma pequena minoria (creio eu), sou um homem marcado para morrer. Desde segunda-feira, venho sendo ameaçado de morte 24 horas por dia. E faço a presente denúncia porque, por primeiro, não ter medo de morrer. O dramaturgo Willian Shakespeare disse numa de suas obras mais famosas que “os covardes morrem várias vezes antes de sua morte, mas o homem corajoso experimenta a morte apenas uma vez”. Também faço parte do pelotão que pensa assim.

No fundo, sei que sou um homem manso de coração, do bem, mas longe – muito longe mesmo ! – de ser um covarde. Por segundo ato desta tragédia que a mim muito incomoda, quero dizer que confio no sistema de segurança do meu Estado e do Governo ao qual servi e sirvo. Aliás, o sistema de segurança pública do meu Estado, a quem dei queixa desde as primeiras ameaças que sofri, na manhã de segunda-feira passada, 18 de junho, às 9h24minutos, devo dizer, me dispensou atenção cidadã, razão pela qual fui muito bem atendido nas pessoas do secretário de Segurança Pública, Vanderley Tomas Sherrer, e dos delegados de polícia Jarles e Fabrizzio, a quem agradeço publicamente antes de concluir o presente relato. Além de denunciar as ameaças às autoridades do sistema de segurança, tratei de comunicar os meus amigos, incluindo advogados e jornalistas, sobre o que estava passando. O caso, claro, virou notícias em jornais e sítios de notícias.

Ao que tudo indica isso foi o suficiente para irritar ainda mais o ameaçador. Um dia após ter-me ameaçado de morte a partir de telefonemas de um número restrito, no qual dava pistas que conhecia minha rotina de vida e de trabalho, o mesmo ameaçador foi mais além. Apareceu uma mensagem em meu celular, via aplicativo do Whatsapp, em que um homem, ostentando óculos escuros e duas armas de grosso calibre, a partir do número +1 (682) 207-3911, questionava o fato de eu haver feito denúncia relacionada ao seu primeiro telefonema. Num português tosco, ele disse:

– Então vose (com s mesmo) me denunciou¿ Te cuida, maluco. Estou atrás de vose.

Como havia um número de telefone e foto de um homem armado, levei o caso ao secretário de Segurança. De cara, ele disse que a foto que ilustrava a possível identificação do ameaçado e o número de telefone, eram fraudes. A foto, um fake (falsa) e o número do telefone o equipamento da Secretaria de Segurança atestaram como sendo originário do exterior, dos Estados Unidos mais precisamente.

Desde então, minha vida virou um inferno. Telefonemas e mensagens ameaçadoras não param. Chegam a cada dez minutos. Minha namorada entrou em pânico e tive que devolvê-la à casa dos pais, porque ela também atendeu e ouviu várias das ameaças.

Acontece que comigo, o buraco é mais em baixa. Resolvi encarar. O vagabundo mandou um recado dizendo que estava na frente da minha casa, quando eu não mais estava lá. Só que, na rua onde moro, há câmeras e gravaram tudo. As câmeras já estão em poder da polícia. E eu não vou recuar. Quero a identificação do bandido que me ligou em privado e de quem adquiriu o chip do telefone no exterior. Já tenho pistas de quem tem capacidade e canalhice suficiente para fazer isso no Acre. É gente da política, agente com passado no sistema de segurança pública e que vive gravando seus adversários e ameaçando-os a partir disso.

Como não tenho o que esconder de ninguém, reafirmo: não me rendo, não me vendo, não me calo e não me aquieto. Por mim, não passarão. Do jeito que vierem é dois palitos.
Eu sei onde vocês moram.

 

Por Tião Maia

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