A reportagem de fôlego exibida pelo Fantástico sobre a crise de segurança pública no Acre é uma daquelas que nos faz lembrar da importância do bom jornalismo.
Já fazem cerca de dois anos que o Acre se tornou palco da guerra entre as facções.
Seria perda de tempo detalhar a sensação de medo e insegurança que transformou profundamente, para pior, a rotina de uma cidade como Cruzeiro do Sul. É mais que compreensível que a população culpe o estado pela crise, afinal, a responsabilidade constitucional pela segurança pública, pertence às unidades federativas.
Contudo, uma reportagem que se disponha a tratar do problema, não poderia se limitar a isso. É necessário tentar entender e explicar ao público, as raízes do problema, que estão muito além da quantidade de homens, armas e viaturas disponíveis. Nesse quesito, aliás, o Acre está acima da média nacional, ocupando a terceira posição entre os estado com maior proporção de policiais por habitante, 1 para cada 286, segundo pesquisa mais recente.
Trata-se sobretudo de entender as causas mais profundas, e reais do problema. E isso não se faz para tentar preservar o governo de sua responsabilidade, e sim, de preservar o público de uma análise superficial e barata, como infelizmente, vêm fazendo a maioria dos meios de comunicação do estado.
A última reportagem abordou uma das causas mais óbvias: a ineficiência de fiscalização na fronteira. Sintomática a aparição de um galpão abandonado da Polícia Federal em Marechal Thaumaturgo, órgão constitucionalmente responsável pela fiscalização das fronteiras.
Logo a PF, que ocupou as manchetes durante dois anos com a malfadada operação G7, um fiasco na aquisição de provas que custou recursos aos cofres públicos. É de se pensar se a PF não tivesse escolhido fazer o papel de ‘jogador político’ talvez tivesse cuidado melhor das fronteiras. Isso sem contar absurdos como o que aconteceu em Cruzeiro do Sul, de um policial federal prender um estudante universitário por causa de uma ‘postagem de facebook’.
Mas, se mantivéssemos nossa análise nesses termos, também seria superficial. É preciso encarar o problema com responsabilidade, ao invés de simplesmente buscar culpados. Dentre tudo que vem se falando sobre segurança pública, tudo aponta em uma única direção: a necessidade de integração entre todos os órgãos de segurança pública.

