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Tião Viana completa 90 meses de pagamento em dias. É obrigação? É! Mas por que os ex-governadores que atrasavam salários não cumpriram?

O governador Tião Viana chega ao mês de julho completando exatos 90 meses de o Governo do Estado pagando os salários dos servidores públicos estaduais, incluindo as folhas suplementares dos décimos terceiro, rigorosamente em dia. Aliás, são 234 meses, contando os cinco mandatos dos governos da Frente Popular. De se registrar também que, quando Jorge Viana chegou ao governo como o primeiro governador da Frente Popular, em 1999, a folha de pagamento era de pouco mais de R$ 21 milhões e, mesmo assim, o governo deixava atrasar. Quando Jorge Viana assumiu, muitos servidores estavam com salários atrasados há pelo menos quatro meses.

Ao contrário do que ocorria no passado, no dia de hoje o governador Tião Viana mandou depositar nas contas dos servidores ativos e inativos a nada desprezível quantia de mais de R$ 247 milhões, quase dez vezes mais que aquele valor encontrado por Jorge Viana em 1999. Apesar do valor substancial, vamos para 234 meses de pagamento em dia, registre-se ainda o pagamento de 19 folhas de décimo terceiro. Os valores cresceram significamente nesses quase 19 anos. São da média de R$ 220 milhões mensais que são injetados na economia local, fazendo girar as engrenagens do comércio e da prestação de serviço que dão sustentação econômica a um Estado onde o governo ainda é o maior empregador, uma herança dos tempos do Acre-território em que os dirigentes da classe política, de todos os partidos, os velhos PTB e UDN, na falta de projetos de desenvolvimento, angariavam votos e a simpatia popular com a oferta de empregos públicos aos eleitores.

A promiscuidade desta relação não cessou nem a partir de 1988, quando o Congresso Nacional editou a atual Constituição, a chamada “Constituição-Cidadã”, nos dizeres do saudoso Ulysses Guimarães, que condiciona o emprego público mediante, exclusivamente, a concursos. Mas, antes da promulgação, as secretarias e todo o serviço público do Acre já estavam abarrotados de gente, pessoas empregadas com ajuda de parlamentares estaduais e federais ligados à Arena e ao PDS, nos 25 anos de ditadura militar.

Com a vitória de Nabor Júnior e do PMDB nas eleições de 1982, a farra continuou. Agora, os deputados estaduais que efetivamente ajudaram o novo governador a vencer o velho Jorge Kalume, então cacique local da Arena e do PDS, entre os quais o então poderoso Manuel Machado, pressionavam-no por empregos para seus afilhados e seguidores. Grato aos aliados de primeira hora, Nabor Júnior cedia às pressões ao ponto de, num único dia, o então influente Manuel Machado ter conseguido a nomeação de mais de mil afilhados, principalmente gente de Tarauacá, sua base eleitoral e também a terra natural do então governador. A propósito, é o próprio Manuel Machado que se gaba da proeza entre os seus íntimos, nas mesas de carteado da cidade.

A eleição de Flaviano Melo como governador, em 1986, não diminuiu a farra. Pelo contrário, foi ampliada, principalmente em órgãos como o Deracre, no qual o então governador tinha poder absoluto.

E mesmo com a transição do PMDB para o PDS de Edmundo Pinto, em 1990, a farra continuou, ao arrepio da lei. Com a morte de Edmundo e a ascensão do vice Romildo Magalhães ao cargo de governador, aí foi que a coisa foi escancarada de tal forma a se tornar uma monstruosidade, com mais de 11 mil pessoas contratadas apesar da vedação constitucional. E todos, claro, tinham eu receber seus salários.

Até que um dia, a corda esticada ao máximo, estourou: deu-se no malfadado governo de Olreir Cameli, já por volta do ano de 1995. Os salários começaram a atrasar e todos sabem que houve até suicídios de servidores públicos que se enforcaram porque, sem receberem, já não tinha crédito nem para comprar comida nas mercearias da esquina de casa. O Acre era a imagem do caos.

Vieram, em 1998, os governos da Frente Popular. O governador Jorge Viana, além de por os salários atrasados em dia, estabeleceu o pagamento rigorosamente dentro do mês trabalhado como prioridade. Fez isso nos dois mandatos e seu sucessor, Binho Marques, manteve o compromisso ao qual Tião Viana também mantém. São quase 20 anos de pagamento em dia.

Muitos – os adversários e os detratores do Governo – hão de dizer que o pagamento em dia é apenas uma obrigação. Isso é fato. Mas por que então os governadores anteriores não cumpriram com essa obrigação? Por que os estados governados pelos partidos que ora fazem oposição à FPA e ao PT não cumprem com suas obrigações? Estados mais ricos que o Acre – como o Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, governados pelo PMDB que no Acre avaliza a candidatura ao governo do senador Gladson Cameli, não consegue pagar seus servidores em dia? Nos dois estados citados, há servidores que ainda não receberam, por exemplo, o décimo terceiro de 2017.

Faço o presente registro para que o servidor público, que depende de seu pagamento em dia, pense muito na hora de votar. Já está mais do que provado que a Frente Popular e seus candidatos têm compromisso com o pagamento em dia, enquanto os outros que anseiam reconquistar o governo, são remanescentes dos tempos de velhacaria dos atrasos no pagamento de salários cuja canalhice levou pessoas até a morte, por desespero e suicídio.  O passado ainda está muito perto para nos alertar dos riscos.

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