Dinheiro é da cota parlamentar que só deveria ser empregado em atividades relacionadas ao mandato da deputada e não em atividades partidárias
A apresentação do ex-deputado federal do PSDB Márcio Bittar como o filho pródigo que retornou ao MDB para ser candidato ao Senado pela sigla custou, em setembro de 2017, pelo menos R$ 20 mil aos cofres públicos.
O dinheiro foi gasto em fretamento de aeronaves para levar o ex-deputado aos municípios e localidades mais isolados do Acre, como os municípios de Marechal Taumathurgo e Jordão, além da Vila Restauração, às margens do rio Tejo, no Alto Juruá. Os recursos gastos com a apresentação do novo companheiro aos membros dos diretórios do MDB nos municípios isolados saíram da cota da deputada federal Jéssica Sales (MDB-AC), cujos gastos têm que ser, segundo determinado pelo regimento da Câmara, apenas com atividades relativas ao mandato da parlamentar e não de atividades partidárias, como foi o caso.
Em todas as viagens com Márcio Bittar, Jéssica também se fazia acompanhar de seus pais – o ex-prefeito de Cruzeiro do Sul, Vagner Sales, e a deputada Antônia. Eles foram a Tarauacá, Jordão, Porto Walter, Marechal Thaumartugo, Cruzeiro do Sul e à Vila Restauração. Em Restauração, como a pista de pouso é pequena, o avião teve que fazer vários vôos entre a localidade e Marechal Taumaturgo, de ida e volta, para levar e trazer todos os emedebistas ao encontro.
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As viagens foram registradas em seguidas postagens nas redes sociais da deputada Jéssica Sales, com fotos e vídeos, as quais já foram apagas provavelmente porque a parlamentar se deu conta de que havia cometido uma ilegalidade ao gastar dinheiro público com atividades partidárias.
Desempregado e sem salário formal, o ex-deputado Márcio Bittar parece onipresente em todo o Estado tanto são os seus deslocamentos, que resultam, naturalmente, em muitos gastos. Se suas despesas são cobertas por seu partido, falta a prestação e contas, que deve ser algo público e transparente já que também se trata de dinheiro público. Mas como Bittar parece a sombra de Jéssica Sales, estando quase sempre nos mesmos locais visitados pela jovem parlamentar, é de se supor que a conta saia do bolso do contribuinte, que é obrigado a pagar as despesas da deputada, a qual, de quebra, empurra goela abaixo as contas de seu candidato a senador.
De fato, a cota parlamentar pode ser utilizada pra participação em eventos partidários, já que a atividade parlamentar tem uma dimensão política difícil de ser diferenciada da atividade partidária. Então, significaria que, do ponto de vista jurídico, não haveria ilegalidade. Seria apensas uma imoralidade, principalmente em se tratando de um pré-candidato a senador que, apesar de seu passado e das imoralidades atuais, passou a fazer campanha atacando a honra do senador Jorge Viana, do governador Tião Viana e dos demais candidatos da Frente Popular.

Publicações de Agosto e Setembro foram excluídas.
O fato é que, se não fosse ilegal ou imoral, por qual motivo a deputada Jéssica Sales apagaria as publicações que atestam as viagens?

