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O desajeitado forró do senador Gladson no território do Panelada

Há quem não goste e até critique o período eleitoral, incluindo a pré-campanha, por causa da demagogia de muitos candidatos. As críticas, em sua grande maioria, têm razão. É um período de território livre para os demagógicos que pensam ganhar votos fazendo o eleitor de bobo. Devo confessar que eu gosto. É um tempo revelador.

Quem assiste a este festival de sandices, mesmo aquelas pessoas mais acostumadas, como é o meu caso, que venho não se de quantas campanhas eleitorais, se depara com cada coisa… 

Vejamos: candidato com roupa de grife e sapatos mocassim dos mais clássicos atravessando lama e esgoto a pé; candidata que tem nojo de criança, cujos filhos foi a babá que os criou, beijando e botando menino catarrento no colo; a generosidade daquela outra candidata que na época da pobreza fazia um inventário num caderno de anotações, antes de sair de casa, para saber quantas maçãs e outros produtos haviam na geladeira para o caso de a empregada comer alguma e ela poder descontar ao final do mês; candidato que tem horror a pobre e de seus hábitos mas, em período eleitoral, sai à procura desses coitados para, fingindo ser igual a eles, comer pastel com caldo de cana na feira e até dançar ao ar livre mesmo que mantenha o corpo um tanto afastado da dançarina suada e fedorenta às suas narinas sensíveis. Enfim, vale tudo.

Quem foi ao “senadinho” (tradicional ponto de encontro e de danças de populares no centro de Rio Branco, uma criação do governo do atual senador Jorge Viana, que costuma freqüentar o local com a desenvoltura de quem não é um estranho às pessoas e ao lugar) na última quinta-feira assistiu a um espetáculo dantesco: o senador Gladson Cameli, pré-candidato ao Governo do Estado, que em 12 anos de vida pública (oito de dois mandatos de deputado federal e quatro de meio mandato de senador) nunca esteve no local, se atrevendo a participar do forró ao ar livre e tirando algumas senhoras para dançar. Algumas até recusaram, outras não. E na contradança, foi revelado aquele espetáculo dantesco que é um homem nascido em berço de ouro, rico desde o primeiro instante em que veio ao mundo, herdeiro de uma fortuna tão grande quanto suspeita, tentando se misturar às pessoas que vão ali se divertir um pouco – muitas sem o café da manhã ou mesmo sem o dinheiro da condução para voltar para casa – apenas para aliviar suas dores e o sofrimento imposto por uma vida inteira de sacrifícios.

E o senador, fingindo alegria e felicidade, pôs-se a dançar – melhor, a tentar dançar. Acostumado apenas às baladas de boates freqüentadas por gente de seu calibre e de sua idade imberbe, ele proporcionou cenas das quais só as campanhas eleitorais são capazes: candidatos tentando serem o que não são, e, pior, tentando fazer o que não sabem. O espetáculo oferecido por Gladson Cameli, com sua completa inabilidade para dançar forró ou outro tipo de ritmo, foi à altura do que ele vem fazendo até aqui em relação a seu plano de Governo: uma lambança, algo desajeitado…

Uma senhorinha que com ele dançou, me confidenciou depois que o cara é tão ruim de forró que, nas palavras delas, dançar com ele foi como viver sua experiência como agricultora na colônia: – tão ruim como carregar um saco de estopa com macaxeira.

Quem já carregou macaxeira nas costas, algo impensável para este rapaz, sabe do que se trata. Mas, enfim, eu gosto disso. E, quando escrevo isso aqui, me pergunto o que achou do espetáculo oferecido pelo senador o dileto amigo José Bernardo Panelada, uma espécie de coordenador do forro do Senadinho. Fala aí, Panelada…

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