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O ‘lado bom’ é que ninguém em Brasília leva mesmo a sério Petecão e sua trupe

Velhas e não tão novas figuras da política acreana se uniram em um exemplo ímpar de casuísmo e irresponsabilidade no pedido de ‘intervenção federal’ no Acre.

O compreensível sentimento de insegurança da população não deveria ser utilizado com finalidade tão oportunista e irresponsável por parte dos deputados e senadores. 

Ao invés de propor debater soluções e apoio, e de cobrar do governo federal, aquilo que já seria de responsabilidade dele, preferem agir como abutres e coveiros de filme de faroeste, e lucrar algo mais de seus pífios mandatos.

Ninguém leva a sério 

O ‘lado bom’ é que ninguém em Brasília leva mesmo a sério Petecão e a trupe de comediantes que levou à Brasília para pedir ‘intervenção federal’ no Acre. O flagrante na foto mostra o ‘clima’ da reunião em Brasilia: TV ligada em programa esportivo enquanto o ministro Raul Jungman dedilha o celular.

Exemplo do Rio de Janeiro

Se fosse para levar a sério esse ‘debate’ sobre intervenção federal, a primeira e inevitável pergunta seria sobre os resultados da intervenção no Rio de Janeiro.

Basta uma ‘googlada’ para ter uma noção: o efeito é basicamente ‘estético’: pode até aumentar a sensação de segurança pela presença ostensiva das tropas nas ruas, mas até o momento, os dados sobre segurança não justificam a intervenção, pelo contrário, desaconselham.

A redução de crimes contra o patrimônio, foi em geral, pequena, enquanto houve acréscimo dos crimes contra a vida. O caso do jovem estudante morto com uniforme da escola é sintomático, assim, como o assassinato, ainda não esclarecido, da vereadora Marielle Franco (PSOL).

Responsabilidades federais

O irônico é que enquanto o governo federal, carente de popularidade, busca se legitimar através de ações de exceção, deixa a desejar naquilo que de fato seria de responsabilidade federal. Principalmente em se tratando de fronteira, o galpão vazio da PF em Marechal Thaumaturgo mostrado em rede nacional pelo Fantástico, deveria ser auto-explicativo. 

O próprio governador Tião Viana lembrou recentemente, do presídio federal prometido para o Acre, e até o momento não cumprido.

Pode até ser difícil de acreditar para o cidadão comum, mas o fato é que enquanto o Acre apresenta os melhores índices de policial por habitante, os investimentos federais no patrulhamento da fronteira deixam muito a desejar. 

Facções Nacionais 

Nada disso invalida o sentimento de insegurança que tomou de assalto a população do Acre. Há uma certa perplexidade de quem passou, praticamente do dia para a noite, de um dos estados mais tranquilos do país para um dos mais violentos.

Isso é uma realidade concreta, sentida na carne pela população. Cruzeiro do Sul, lugar onde vivia-se uma quase idílica sensação de paz, viu-se tomada pela disputa homicida entre facções. O medo é justificável e compreensível. Para exemplificar, no meio jornalístico alguns colegas estão sendo ameaçados de morte. É imaginável a realidade dos bairros de periferia, onde famílias agora se sentem ameaçadas se por exemplo, a filha, de 13/14 anos tiver um relacionamento com outro jovem, potencial membro de facções.

Digo isso, na tentativa de explicar o abalo psicológico que está sendo para uma população acostumada ao calor das relações cordiais entre amigos e vizinhos, ser de chofre, lançada numa realidade similar ao das favelas do RJ. 

A questão é que as tais facções tem alcance nacional e estão organizadas deste modo. Como esperar que as PM estaduais sejam capazes de enfrentar o problema? É nisso que os sonolentos e brincalhões parlamentares acreanos que se juntaram à trupe de Petecão sequer dedicara alguns minutos para pensar. 

Vale mais a pena ‘tirar uma casquinha’ do medo da população e continuar suas vidas de inércia  às custas do voto dos incautos.

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