A imagem da semana ficou por conta de estudantes de ensino fundamental da Escola São José, uma das maiores e mais antigas de Cruzeiro do Sul, que aplaudiram a passagem das Polícias Civil e Militar ao término da primeira etapa da Operação Ilha Grande.
A operação já prendeu mais de 100 pessoas em todo Juruá, com provas suficientes de envolvimento com o crime organizado para determinar a prisão preventiva e/ou temporária dos acusados.
Sentimento de Segurança volta às ruas de Cruzeiro do Sul

A repórter Taís Nascimento, do programa Voz do Juruá esteve nas ruas colhendo depoimentos da população em geral sobre a operação. “Quando a polícia age dessa forma, a gente se acha mais seguro como ser humano e morador aqui da cidade. Quando vê a lei e a justiça fazer o seu papel, a gente se sente mais seguro no trabalho. Você vai para qualquer canto”, disse um taxista, uma das profissões mais afetadas pelo crescimento da violência.
“Foi muito essa operação civil e militar. É muito bom para nossa sociedade. Temos ainda a preocupação com o judiciário, se de repente essas pessoas vão estar nas ruas de novo”, disse um estudante.
“Violência no Acre está muito grande as pessoas não saem mais a noite, pessoas tem medo. Talvez acalme mais a cidade e as pessoas possam sair a noite. Foi uma ação muito om, espero que a cidade fique calma de novo”
Pé atrás com o Judiciário
Os aplausos, e o apoio da população à ação policial, podem se dizer como irrestritos, contudo, se o sentimento de paz não é total, isso se deve à preocupação de que o judiciário irá de fato manter essas pessoas envolvidas com facções, realmente atrás das grades.
Segundo o secretário de segurança pública, Vanderlei Thomas, as operações de inteligência realizadas durante os cinco meses de preparação, colheram provas suficientes para comprovar na justiça, o envolvimento com o crime organizado e justificar as prisões.
Outra preocupação também seria com relação à unidade penal. Em Cruzeiro do Sul, a IAPEN já solicitou a instalação de um bloqueador de celular para garantir a incomunicabilidade dos chefetes das facções, contudo, a verba se encontra contingenciada pelo Governo Federal.
Metodologia Distinta
Cruzeiro do Sul passou em cerca de dois anos de uma das cidades mais pacatas do país para epicentro da guerra de facções, pegando não apenas a população, mas as autoridades de segurança pública, de surpresa.
A operação pretende dar uma resposta efetiva ao crime organizado e restaurar a paz na região.
A operação foi pensada a partir da realidade local de Cruzeiro do Sul, pelos policiais que atuam na cidade e municípios vizinhos do Juruá.
Enquanto setores menos esclarecidos da população e da classe política clamam por ‘intervenção militar’, com presença ostensiva (e muitas vezes meramente estética) de homens e tanques nas ruas, esta operação planejada ao longo de cinco meses, fez um trabalho ‘cirúrgico’ (como foi definido pelo secretário de segurança), ou seja, prendendo aqueles com suficientes provas de envolvimento, sem colocar em risco a vida e a integridade física dos moradores, especialmente aqueles dos bairros mais carentes, que muitas vezes ficam na linha de tiro de fogo cruzado e acabam vítimas involuntária de uma guerra.
Enquanto no RJ temos a cena de um estudante morto a tiro a de fuzil com uniforme escolar, aqui, temos o apoio da população e dos estudantes de uma das maiores escolas públicas da cidade.
Veja vídeo:
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