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Home»CONFIRA AQUI

Haja urucum para disfarçar a cara de pau de Gladson e Márcio Bittar

Por Redação Juruá em Tempo.20 de agosto de 2018Updated:20 de agosto de 20183 Minutos de Leitura
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A súbita aproximação de Gladson, e pasmem, até mesmo Márcio Bittar das populações indígenas do Acre já causa estranheza e mal estar principalmente entre os próprios indígenas.

Márcio Bittar, que é latifundiário, é também pródigo em fazer declarações públicas abertamente anti-indígenas. Bittar que nunca deixou passar uma oportunidade de proferir a famosa frase ‘muita terra para pouco índio’, a qual era efusivamente aplaudido pela plateia de ruralistas pouco esclarecidos (explico mais adiante), ficou mais ousado neste ano, se posicionando frontalmente contra as demarcações de terras indígenas. Bittar nunca demonstrou o mínimo de respeito com as populações indígenas, a quem chama de ‘miseráveis’.

Gladson pode ter o mérito de ser mais cauteloso com as declarações. Mas ‘cá e acolá’ deixa entrever seu perfil anti-indígena, como por exemplo quando gabou-se de que era tão forte politicamente que conseguia eleger ‘até índio’, referindo-se ao professor Isaac Pianko, quando eleito prefeito de Marechal Thaumaturgo.

Suas votações no congresso também não deixam dúvidas de seu posicionamento: sempre que teve a oportunidade, votou a favor do interesse dos latifundiários e contra os interesses indígenas.

A visita de Gladson à Aldeia Pinuya celebra a adesão política de Manoel Kaxinawa à sigla. Manoel é uma liderança respeitada dentro do movimento indígena, com muitos anos de militância. É compreensível que pela lógica eleitoral, Manoel tenha buscado sigla junto ao PP de Gladson.

No face, em um texto aberto com muitos ‘hashtags’, Gladson fala de compromisso, dignidade e respeito aos povos indígenas, embora em nenhum momento diga de que modo pretende se dar esse compromisso.

É inevitável fazer a comparação com a FPA. Longe de ser um ‘mar de rosas’, a política da FPA em relação às comunidades indígenas tem sido, no mínimo, consistente. Os recursos aplicados têm passado pelo exaustivo crivo das comunidades indígenas, por meio de incansáveis debates. Os projetos visam desde a vigilância territorial, segurança alimentar, formação em agentes agro-florestais, em educação, fomento ao etnoturismo (quando é do desejo das comunidades). Não se trata aqui de postular que os indígenas devam aderir imediatamente ‘à esquerda’ (que por vezes pode ser igualmente danosa), mas de comparar efetivamente quais compromissos têm sido assumidos e cumpridos pela FPA. O mais preciso seria dizer que as comunidades indígenas, por meio de suas diferentes representações, tem feito parte do governo.

Do lado de Gladson e Bittar, na melhor das hipóteses seria pensar em uma súbita conversão à causa, contradizendo a trajetória política de ambos.

As lideranças indígenas são bastante experientes, mas não custa alertar de que precisam estar atentas para promessas vazias. Que não sejam enganados, mais uma vez, por espelhos, ninharias e bugigangas, pois quando isso acontece, são muitos a pagar o preço. 

*A FPA tem demonstrado que ser a favor das comunidades indígenas não significa ser contra a pecuária ou o agronegócio. Até hoje muita gente desconhece que no modelo adotado pelo estado segue-se uma Zoneamento Ecológico Econômico, onde são definidas diferentes modelos de exploração econômico que podem vir desde o madeireiro e a pecuária, até área de menor impacto, com turismo, por exemplo, e áreas de preservação total, destinadas a manutenção da vida no estado. A vantagem desse modelo, é que a carne, ou a madeira, ou o peixe, produzido nessas áreas, não corre o risco de sofrer embargos de exportação. Trata-se de racionalizar produção e preservação, embora muita gente até hoje não tenha entendido isso, e outros, como o sr. Márcio Bittar, se façam de desentendidos e espalhem mentiras.

Por Leandro Altheman – O Juruá em Tempo

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