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Jornalista denuncia Jéssica Sales ao MPF por atestados médicos falsos

Por Redação Juruá em Tempo.16 de agosto de 20185 Minutos de Leitura
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O jornalista Tião Maia protocolou ontem, em nome próprio e como cidadão, junto ao Ministério Público Federal (MPF), na sede da Procuradoria da República no Acre (PGR), em Rio Branco, representação contra o deferimento do registro de candidatura à reeleição da deputada federal Jéssica Sales, do MDB do Acre. Na representação, com base em documentos, o jornalista relata uma série de irregularidades às autoridades e pede que providências sejam tomadas apontando que a deputada apresentou atestado médico falso para induzir o juiz da quarta zona eleitoral, que inclui o Vale do Juruá, a erros.

O jornalista justifica sua ação no caso citando o advogado e ativista Martin Luther King, defensor de direitos norte-americano assassinado por arma de fogo, nos Estados Unidos, em 1968. “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”, disse o ativista poucos antes de sua morte, cuja frase foi reproduzida pelo jornalista na peça encaminhada ao procurador da República no Acre. O documento já está protocolado e a PGR tem 20 dias para se manifestar, sendo que, primeiro, o procurador-chefe vai encaminhar para um de seus procuradores e este dirá se haverá prosseguimento ou não para uma ação de investigação.

Tião Maia relata, com base em documentos, que a deputada federal teve seu título de eleitor cancelado por ter esquecido, ao que tudo indica, de realizar o processo de biometria, uma exigência sine qua non (sem essa condição dão) da legislação eleitoral. De acordo com o jornalista, em julho deste ano, após a convenção do MDB que a indicou para concorrer a eleição de outubro próximo como candidata a renovar o mandato, restou constatado que o título de eleitor da deputada estava cancelado e, por isso, ela não poderia registrar sua candidatura à reeleição.

Laudo médico suspeito

Ao constatar o impedimento de registro da candidatura, a deputada apresentou um atestado e um laudo médico informando que, na data de 14 de agosto de 2017 a 14 de setembro de 2007, período final em que deveria fazer a biometria, ela se submeteu a um procedimento cirúrgico, o que, em tese, a afastara das atividades políticas e cotidianas, como, por exemplo, o da obrigação de fazer o processo de biometria junto à Justiça Eleitoral. Pesquisa sobre o assunto revelou que a médica que assina o atestado que em tese justificaria a ausência da deputada em relação a um processo exigido a todos os eleitores, Thais Silva Cunha, constatou que a profissional, além de amiga próxima da parlamentar, que também é médica, desde os tempos em que ambas eram estudantes de medicina em São Paulo, vem a ser sócia de Jéssica Rojas Sales numa clínica médica instalada na Capital Federal. O atestado chega a dizer que a deputada usaria um dreno e que teria que voltar diariamente ao hospital para os cuidados com o equipamento.

No entanto, boletos de passagens e a nota fiscal do aluguel de um avião bimotor, que a transportou por regiões isoladas do Acre, mostram que ela estava em constante movimentação e em atividades inimagináveis para quem havia passado por um procedimento cirúrgico grave e que estava usando um dreno.

“Afora esse fato antipático e que por si só está eivado de suspeições de prestação de falsas informações à Justiça Eleitoral, há fatos comprobatórios de que, no dia 14 de agosto de 2017, dia em que o suposto atestado registra o procedimento cirúrgico ao qual a deputada teria sido submetida, ela viajou do Acre para Brasília, chegando à capital federal às 8h12min e às 16 horas do mesmo dia esteve na Câmara Federal onde participou de votações que terminaram às 22 horas. No dia seguinte, 15 de agosto, também compareceu à sessão da Câmara Federal”, disse o jornalista no documento encaminhado ao procurador.

Agenda agitada

Paralelo a isso, há publicações da própria deputada em redes sociais, como o Facebook, dando conta de que ela, do dia 2 até o dia 10 de setembro do ano passado, quando em tese ela estaria convalescendo do procedimento cirúrgico a que teria se submetido, está singrando os céus da Amazônia e do Acre a bordo de um bimotor alugado para transportá-la, em companhia do pai, o ex-prefeito Vagner Sales, e de aliados como ex-deputado Márcio Bittar, candidato ao Senado pelo MDB, em visitas aos municípios de Porto Walter, Jordão, Marechal Taumaturgo e vilas isoladas como a de Restauração, às margens do rio Tejo, na fronteira com o Peru. “Muitas atividades para quem passou por um procedimento cirúrgico e está utilizando um dreno no corpo”, ironiza Tião Maia.

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE), através do juízo da 4ª Zona Eleitoral, que inclui os municípios de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Marechal taumaturgo, Porto Walter e Rodrigues Alves, deferiu o registro da candidatura da deputada sem observar os documentos apresentados à PGR. O jornalista também questiona o deferimento da candidatura em procedimentos diferentes e especiais em relação à deputada em detrimento dos demais eleitores que não puderam realizar a biometria.

“Diante do exposto, considerando que os fatos acima narrados caracterizam, em tese, crimes contra a administração da Justiça, induzida a erros, e à legislação eleitoral e ofensa ao Estado Democrático de Direito, requer-se ao Ministério Público Federal se digne a tomar as providências cabíveis e que se faça, enfim, justiça!”, escreveu o jornalista. “Até porque, em Cruzeiro do Sul, cidade que já foi administrada pelo pai da parlamentar, há informações de que sua primeira candidatura à Prefeitura, em 2008, foi registrada com documentos falsos”, disse o jornalista.

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