Ícone do site O Juruá Em Tempo

Órgãos de adolescente que morreu após ser arremessada de brinquedo em Ceres devem ser doados para pacientes no DF e em SP

A adolescente Isabela do Amaral Vieira, de 16 anos, que morreu após ser arremessada de um brinquedo em Ceres, região central de Goiás, passa por cirurgia na manhã desta terça-feira (4) para a retirada de órgãos que devem ser doados. Segundo a Central Estadual de Transplantes, exames prévios apontaram que estão aptos para novos receptores o fígado, que será levado para o Distrito Federal, e um rim, para São Paulo.

De acordo com Fernando Augusto Ataíde Castro, gerente da Central de Transplante, o procedimento, que é realizado no Hospital de Urgências de Anápolis (Huana), começou por volta de 11h e deve durar cerca de 4h. Ele explica que, apesar dos exames, existe uma possibilidade remota de inutilização dos órgãos.

“Pode ser que eles não estejam aptos, mas é preciso esperar. Ela foi vítima de um trauma. Teoricamente, só saberemos ser eles são realmente viáveis após o procedimento cirúrgico”, disse ao G1.

A morte cerebral de Isabela foi constatada pelo Huana na manhã de segunda-feira (3). Durante o tempo em que esteve internada, ela já teve de ser operada para retirar um rim. Logo após a retirada dos órgãos e finalizados os protocolos médicos, o corpo é liberado para a família.

O acidente aconteceu no último dia 26 de agosto. Além de Isabela, também ficaram feridas Thalia Aparecida Pires, Thatiely Carvalho Evangelista e Mariane Oliveira Dias, todas de 16 anos. As duas primeiras já receberam alta e a última segue internada.

Trâmite

Castro explicou logo após autorização da família para a doação e a definição dos órgãos que estão aptos, é feito uma busca em um sistema nacional para verificar quem pode ser beneficiado. Como tem menos de 18 anos, Isabela é considerada uma doadora pediátrica e, por lei, são priorizados pacientes no mesmo perfil dentro do mesmo estado.

“Em Goiás, é possível transplantar, além do fígado e rim, coração, pulmão, pâncreas e córneas [este último não foi autorizado pela família]. Mas no estado, não é realizada transplante em doadores pediátricos. Aí partimos para pacientes em outros estados”, explica.

A partir de então, é feita uma nova busca por receptores menores de idade em todo o país, o qual obedece vários critérios, como posição na fila de espera, compatibilidade sanguínea e imunológica. De acordo com esse critério, foram escolhidos os beneficiários dos órgãos da adolescente.

Se acaso não houvesse nenhum paciente pediátrico apto a receber o transplante, ele seria então disponibilizado para algum adulto dentro de Goiás e, persistindo a incompatibilidade, para adultos dos outros estados.

Investigação

Responsável pelo parque, Juarez Alves da Costa já foi ouvido, mas pode ser interrogado novamente após a conclusão dos laudos. A polícia também colheu o depoimento do operador do brinquedo, Raimundo Genivaldo da Lima Costa.

O exame toxicológico do funcionário do parque ainda não ficou pronto, mas, durante depoimento, o profissional contou que não faz uso de entorpecentes e não havia ingerido bebida alcóolica no dia. O delegado Matheus Costa Melo disse que o operador relatou ter tentado salvar uma das vítimas.

O operador disse que viu uma das meninas que caiu na plataforma e, quando viu, não lembra de ter desligado o brinquedo. Ele acredita que tenha mantido na posição de giro, o que faz com que o brinquedo pegue velocidade mesmo. A máquina teria diminuído a velocidade se ele freasse ou colocasse no neutro”, explicou.

A polícia precisa ouvir as estudantes feridas e novas testemunhas. Ele também deve analisar laudos periciais e a documentação requerida por ele ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), à Prefeitura de Ceres e ao Corpo de Bombeiros.

Melo entrou de férias, e o caso passou para as mãos do delegado Ricardo Alvares. O G1 entrou em contato com ele nesta manhã, mas as ligações não foram atendidas até a publicação desta reportagem.

Sair da versão mobile