A proposta da candidata a deputada federal pelo PCdoB, Perpétua Almeida, de promover uma renegociação do FIES tem sido bem recebida entre universitários que se encontram em dívida com o FIES – programa de financiamento estudantil do governo federal.
“Imagine a juventude do Acre devendo ao FIES, tem estudante que está devendo até 50 mil reais”, disse.
Como seria de se esperar, propostas de refinanciamento popular, como por exemplo, a de Ciro Gomes (PDT) em relação ao SPC, são inicialmente ridicularizadas e classificadas como ‘mirabolantes’. A mesma categoria não é aplicada, contudo, quando se tratam de refinanciamentos de dívidas de grandes empresários, pecuaristas, usineiros ou mesmo banqueiros. O argumento nestes casos, é de que a dívida destes grupos implica em estagnação da economia como um todo.
O mesmo argumento deve ser levado em consideração quando se trata de economia popular. Além dos dramas individuais de estudantes, trabalhadores e donas de casa, o efeito de endividamento massivo da sociedade resulta em menor poder de compra, e portanto, em estagnação econômica destes segmentos.
Perpétua diz não se importar com a desqualificação da proposta, especialmente quando ela parte de meios de comunicação alinhados a outros interesses, e lembrou outras ocasiões em que suas propostas parlamentares, de cunho popular foram ridicularizadas.
“Sou conhecida como a deputada das causas impossíveis. Defendi o porte de espingarda para os moradores da zona rural, num momento em que ninguém acreditada que fosse possível, quando mesmo a Globo fazia campanha pelo desarmamento, sem considerar a vida dos moradores da zona rural”, disse.
Outra causa defendida por Perpétua Almeida foi a regulamentação da profissão de mototaxista. “Diziam que era impossível. Mas eu, juntamente com outros dez deputados ganhamos essa causa.”
Perpétua Almeida também defendeu, com êxito, a ampliação da indenização aos soldados da borracha.
“Diziam que eu estava enganando os velhinhos. Mas foram 18 mil velhinhos que receberam 25 mil reais. Foram 450 milhões de reais no Acre”.
“Não disse que será fácil. Mas nós vamos nos unir a deputados de São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, do Brasil todo, porque essa é uma luta da juventude. O argumento é o mesmo que o congresso usou apara perdoar dívidas de banqueiros, usineiros, dos produtores de cacau na Bahia. Porque o Brasil que esses jovens assinaram o FIES, era um Brasil de pleno emprego, quando todos sonhavam em fazer uma universidade. Esse Brasil não existe mais. Porque que um Brasil que perdoou a dívida de gente grande, não perdoa a da juventude?”, questiona Perpétua Almeida.
Por Leandro Altheman – O Juruá em Tempo

