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Sobre Acre, ‘Petralhas’ e Bravatas

Por Redação Juruá em Tempo.4 de setembro de 2018Updated:4 de setembro de 20183 Minutos de Leitura
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Artigo de Opinião

 Leandro Altheman 

Não que faça qualquer diferença escrever, já que afinal parece ter se tornado impossível qualquer apelo ao bom senso das pessoas que se deixam levar pelo discurso de ódio do candidato à presidência em visita ao Acre. A gente aprende a escrever, medir os fatos, tecer comentários e expor opiniões. Quebrar estado de hipnose é outro departamento. Não que faça qualquer diferença escrever, mas omitir-se, nesse momento em relação ao estado que me acolheu e que aprendi a amar, seria um ato de covardia da qual não sou capaz.

Portanto, que me perdoem o ‘cacoete’, porque enquanto não escrever isso, não terei paz para continuar minhas tarefas que incluem mais leitura, e mais escrita.

Então, vamos lá: a expressão ‘metralhar a petralhada’ proferida no palanque deveria nos servir para colocar em pautas algumas questões. A primeira delas é que, a ‘petralhada’, segundo as pesquisas teria algo próximo a metade da população do estado de simpatizantes. Não que o capitão tenha qualquer intenção em cumprir a bravata. Para quem não sacou ainda, é só um personagem, e o gesto não tem a mínima condição de ser levado além do símbolo. Mas é sim, um símbolo de ódio e de negação à quase metade da população do Acre. Talvez alguém leve a sério o personagem e sinta a permissão moral de cumpri-la. Nisso, não difere em nada dos religiosos radicais do Islã que proferem ameaças e incitam ódio ao ocidente, mas deixam a tarefa para que os menos afortunados a cumpram.

Um segundo ponto é que a ‘petralhada’, em que pesem todas as críticas, (a maioria merecidas, e outras, nem tanto) ao PT, já fizeram muito mais pelo Acre do que Bolsonaro pelo Rio de Janeiro. Afinal, o que de concreto foi feito pelo parlamentar que teve sete mandatos consecutivos, que lhes conferiram quase trinta anos no poder, pelas policias civil e militar do Rio de Janeiro? Pela segurança pública? Por qualquer cosia que seja? Trata-se apenas de um personagem a encarnar medos e frustrações, sem qualquer capacidade de apresentar propostas concretas, como tem sido provado nos mais recentes debates. A pergunta cairia bem ao Coronel Ulysses que aparece sorridente ao seu lado.

Faço esse texto, sem qualquer esperança de mudar a hipnose acrítica que tomou de conta de parte da população, e a gente vai sendo tomado meio que por aquele mesmo estado de espírito que fez a jovem carioca gravar um vídeo que viralizou nos últimos dias: “QUER VOTAR,VOTA, SÓ NÃO ENCHE MAIS O SACO E NÃO RECLAME QUANDO TOMAR TIRO NO CU DE VOCÊS, PORQUE VOCÊS SÃO O ALVO”.

É tipo, isso, a gente vai quase torcendo para que a merda toda aconteça, porque cansa demais você ficar apontando os sinais, os avisos daquilo que já está óbvio e ululante, então, só a realidade mesmo para ensinar. Se chegar de fato a acontecer (o que ainda acho que não vai, pela análise do cenário) veremos que apesar de já termos perdido muito nos últimos anos, ainda temos ainda muito a perder.

Em tempo: A Justiça eleitoral já deveria ter tomado uma atitude intervindo no caso, é inadmissível um gesto dessa natureza em plena campanha eleitoral, ainda que possa se alegar ‘figurativo’.

Por:
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