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‘Aborto deve ser uma decisão da mulher’, diz o vice-presidente

Em declaração que confronta diretamente o bolsonarismo, especialmente com sua vertente fundamentalista, o vice-presidente, general Hamilton Mourão defendeu o direito de a mulher decidir livremente sobre o aborto. Foi em entrevista ao jornal O Globo. Para ele, em caso de estupro ou em situações nas quais “a pessoa não tem condições de manter aquele filho”, a mulher “teria que ter a liberdade de chegar e dizer ‘preciso fazer um aborto'”. A declaração é bombástica e deve abrir mais uma crise intestina no governo Bolsonaro.

Veja as perguntas dos jornalistas Eduardo Bresciani , Jussara Soares, Karla Gamba e Paulo Celso Pereira e as respostas de Mourão sobre o assunto:

O senhor concorda que tenha um perfil mais moderado, que esteja em oposição ao do presidente Bolsonaro?

Isso não pode ser colocado dessa forma. Cada um de nós tem o seu estilo de agir. O presidente Bolsonaro tem o estilo dele, característico. Ele construiu uma vida política de 30 anos em cima disso aí. É totalmente diferente de mim. Eu tive uma vida dentro do Exército, ocupei funções que me exigiram lidar com uma gama de pessoas totalmente distintas, comandei muita gente, então me leva a ter um estilo diferente de lidar. Não é uma questão de um é o antípoda do outro, como fica querendo ser caracterizado. Muito pelo contrário. Ele tem uma experiência e eu tenho outra, que se retrata depois na forma como a gente conduz.

Como o senhor acha que tem que ser tratado dentro do governo os temas de gênero?
O governo tem que tratar de forma objetiva. É uma questão de saúde pública. Doenças sexualmente transmissíveis são uma questão de saúde pública. A questão do aborto também é algo que tem que ser bem discutido, porque você tem aquele aborto onde a pessoa foi estuprada, ou a pessoa não tem condições de manter aquele filho. Então talvez aí a mulher teria que ter a liberdade de chegar e dizer “ preciso fazer um aborto”.
Até mesmo nos casos em que a mulher não tenha condições de manter o filho?
Minha opinião como cidadão, não como membro do governo, é de que se trata de uma decisão da pessoa.
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