Em quatro dias, o nível do Rio Juruá baixou mais de 40 cm, mesmo assim, a Defesa Civil de Cruzeiro do Sul, segunda maior cidade do Acre, mantém equipes e conta com apoio de homens da Força Aérea e do Exército para prestar assistência às famílias nas áreas alagadas. No município, mais de 7 mil famílias foram afetadas pela enchente.
O manancial atingiu a cota de 13,88m na última segunda-feira (11) e desabrigou 120 famílias que permanecem em abrigos coletivos ou em Aluguel Social concedido pela prefeitura. Segundo a Defesa Civil do município, além dos desabrigados, mais de 7 mil famílias que moram em áreas alagadas e estão sem energia elétrica, com o fornecimento de água tratada suspenso e só podem sair de casa em pequenas embarcações.
O bairro Miritizal, onde mora a aposentada Ivone Gomes de Azevedo, de 76 anos, foi um dos mais afetados. Muitos moradores tiveram que improvisar assoalhos de madeira acima do piso para colocar seus pertences e permanecerem em casa.
Ela conta que, com a vazante, a maioria das casas já estão sem água no interior, mas a situação ainda é difícil para quem mora no bairro e tem que conviver com os transtornos provocados pela enchente.
“Não está nada bom, porque não tem energia, não tem água. Estamos bebendo água da chuva. Para andar, só se for de canoa, se não for, a gente não consegue sair de casa. Ainda bem que está vazando, porque eu tenho muitos cachorros e é muito ruim conviver com todos os animais dentro de casa”, disse a aposentada que procurou a Defesa Civil para solicitar água para o consumo de sua família.
De acordo com o coordenador do setor de Desastres da Defesa Civil, Manoel Melo, a prefeitura está fornecendo água para os moradores e uma equipe deverá visitar a casa de Ivone para fazer o abastecimento. Ele garante que, com o apoio das forças armadas, as equipes estão visitando todas as comunidades alagadas levando donativos às famílias prejudicadas pela enchente.
“Para as que foram para o abrigo ou para as casas de parentes, elas estão tendo assistência médica, assistência social, assistência alimentícia, como também transporte quando precisam ir para o trabalho, quando querem ir nas suas casas. Estamos com quatro dias que fornecemos água para essas famílias”, afirmou Melo.
Com a vazante, nos últimos três dias, não houve a necessidade de retirar nenhuma família dos bairros afetados pela cheia em Cruzeiro do Sul. No entanto, a Defesa Civil alerta para a possibilidade do nível do rio voltar a subir devido à intensidade nas chuvas nos últimos dias. Nesta sexta-feira (15), os cinco municípios acreanos do Vale do Juruá enfrentaram mais de 9 horas de chuva.
Por Mazinho Rogério

