Com a extinção do Instituto de Desenvolvimento da Educação Profissional Dom Moacyr Grechi (IDM), o governador Gladson Cameli (PP) causou atraso no pagamento de 500 bolsistas profissionais e mais de três mil bolsistas educandos em Cruzeiro do Sul. Além de criar um transtorno para o pagamento dos fornecedores de materiais e insumos para a execução de todas as ações de educação profissional.
Em reunião esta semana, alunos e profissionais da Ceflora, antiga unidade do IDM em Cruzeiro do Sul, apresentaram a preocupação com o problema causado. Professores querem entrar em greve por causa da falta de pagamento. “O que nós tivemos, até por grupo de Whatsapp, foi uma nota do secretário de Educação, que diz que os processos estão sendo avaliados e os pagamentos podem sair até a primeira quinzena de março”, afirma Railane Felix, coordenadora da Ceflora.
“Já tivemos atrasos, mas foram sanados com rapidez em outras épocas, mas neste momento não tem ninguém que nos fale a real situação de como será resolvido o problema. Estamos desde dezembro sem receber”, afirma Darcileide Vale, supervisora de curso da Ceflora. Ela explica que os recursos são distribuídos pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), do governo Federal, e já foram depositados nas contas do Estado.
Mesmo com o salário atrasado, os professores continuaram mantendo os cursos e aulas durante todo esse tempo. O mediador Felipe Ferreira explica as dificuldades que isso tem causado: “O atraso dos salários tem impacto direto nas aulas. Tem professor aqui que precisa se deslocar para ramais distantes, precisando até pagar pela travessia da balsa. Além disso, somos pais e mães de famílias, temos contas para pagar. Mesmo que o governo peça paciência, mas o governador precisa conversar com o banco para ele não cobrar o juros”, afirma.
Traplhada na educação
A situação parece ter sido causada, basicamente, pela trapalhada de extinguir uma instituição que por anos ofertou um modelo de ensino de extrema importância para a juventude acreana. O antigo IDM era responsável pela oferta pública e gratuita de educação profissional aos jovens e adultos, teve a maior parte de suas ações financiadas pelo Pronatec. Nos últimos anos, o Estado ofertou pelo IDM quase 50 mil vagas em cursos de educação profissional, nos 22 municípios acreanos.
Ao abolir o IDM com a justificativa de corte de gastos e usar seu CNPJ para criar o Iais (Instituto de Assistência e Inclusão Social) – coordenado pela primeira-dama do Estado, Ana Paula Correia Cameli, o Estado causou este grande problema para profissionais e alunos.
A fim de solucionar o impasse, o governador resolveu que as ações (cursos) do IDM até então em andamento seriam assumidas pela Secretaria de Estado de Educação. Contudo, O recurso do Pronatec para conclusão de todo percurso formativo dos cursos em execução está em conta ligado ao CNPJ do IDM, repassado ao Iais que não tem competência para executar as ações de formação.
As ações de formação ficaram sob responsabilidade da SEE, que, também não pode gerir os recursos em conta. Logo, todos os projetos e cursos foram paralisados tendo em vista que todos os recursos estão congelados devido a trapalhada administrativa do governo progressista.

