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Acre

Médico que iniciou transplantes no Acre faz desabafo e lamenta interrupção do programa

Por Redação Juruá em Tempo. 21/02/2019 10:29 Atualizado em 21/02/2019 14:22
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Com uma atuação de mais de dez anos na saúde pública do Acre, o médico Tércio Genzini, diretor do Grupo HEPATO e responsável pela equipe de Transplantes do Hospital Bandeirantes em São Paulo, é um dos principais responsáveis pelo sucesso do programa de transplantes no Acre. Tanto que o profissional já foi agraciado com honrarias como o título de Cidadão Acreano.

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Ao longo dos últimos anos, o Hospital das Clínicas já salvou a vida de 43 pessoas que tinham no transplante de fígado a única alternativa para continuarem vivas.

A política de transplantes se tornou uma maca na área de saúde na gestão do ex-governador Sebastião Viana e fez com o Acre se tornasse o quinto estado que mais fez, proporcionalmente, procedimentos deste tipo em todo o Brasil.

Mas, assim como nos demais setores da administração pública acreana, a crise chegou, as torneiras fecharam e investimentos importantes como dos transplantes foram suspensos. Desde outubro do ano passado, o Acre não realiza o procedimento.

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Leia abaixo o desabafo do médico Tércio Genzini:

“O sucesso do programa de transplantes de fígado no Acre foi uma das maiores realizações da medicina brasileira. Muitos especialistas e professores de grandes centros foram contra essa iniciativa questionando as condições locais , a capacidade dos recursos humanos, o benefício que poderia trazer a um estado com população tão pequena e duvidando dos resultados que poderíamos atingir. Através da união e esforço de muitos, atingimos o que parecia impossível : colocamos o Acre como o quinto estado em Transplantes de Fígado por milhão de habitantes, na frente de SP por exemplo, com sucesso (sobrevida em 1 ano) de 92% contra uma média nacional de cerca de 78%. Transplantamos cidadãos de Rondônia, Roraima, Amazonas e até da Guatemala e tornamos o HC do Acre uma referência. Infelizmente, desde outubro de 2018, as condições estruturais e a falta de recursos interromperam o atendimento e a realização de Transplantes de Fígado. Ainda acreditamos que o transplante seja um procedimento viável mesmo diante da crise econômica porque é financiado com verbas federais, de áreas estratégicas do ministério da saúde através do FAEC . Parlamentares do Estado do Acre fizeram alocações de emendas que levariam o programa de Transplantes ao primeiro lugar no Brasil e a um destaque no mundo, mas não conseguimos obter os recursos disponibilizados. Sempre estivemos e continuamos à disposição para servir a população do Acre de uma forma ética, honesta e viável, que respeite tantas outras necessidades da Saúde. Sempre honrei os nobres títulos de “cidadão acriano” e “comendador do Acre” , pra mim uma honra e um orgulho. Treinamos e construímos durante anos, uma equipe diferenciada e capaz , com anestesistas, cirurgiões, clínicos, intensivistas, enfermeiros, técnicos, instrumentadores, logística, laboratório, banco de sangue e vários outros setores. O processo é contínuo e necessita aprimoramento constante de todos. Nunca qualquer preferência política de cada um dos componentes da equipe foi questionada ou serviu de critério para a sua continuidade no grupo. Quem trabalha bem e honestamente, quem tem amor ao seu trabalho e respeita a vida acima de tudo, sempre será bem-vindo. Assim trabalha nosso grupo em São Paulo, assim trabalhamos no Acre e sempre trabalharemos em qualquer lugar e esse modelo de trabalho que desejamos ao Brasil. Só odiamos duas coisas : o ócio e a corrupção. O sonho ainda está vivo no coração de cada um mas, com o passar do tempo novos caminhos surgem e novas portas se abrem para essas pessoas competentes, em vários locais do Acre ou do Brasil. Não discuto o que não conheço e não opino sobre o que não tenho informações. Não conheço sobre política e não tenho informações sobre as dificuldades financeiras da Saúde do Estado, apenas sinto muito pela interrupção de um projeto tão lindo, bom para a população, economicamente viável, bem-sucedido e que foi um marco na história da medicina do país e uma realização pessoal, com a ajuda de todos os setores que participaram ativamente dessa conquista. Espero que esse time, construído com tantas horas de estudo e treinamento, não se desfaça, e que haja condições de retomada breve desse projeto que é uma das mais importantes realizações da medicina do Brasil , e que aconteceu bem aí, no HC de Rio Branco, no Estado do Acre. Estou à disposição dos atuais gestores para colaborar no que for possível”.

Tércio Genzini

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