Com a casa atingida pelas águas do Rio Juruá, a empregada doméstica Elizete da Conceição, de 37 anos, se nega a deixar o imóvel, no bairro da Lagoa, em Cruzeiro do Sul. O manancial chegou a 13,66 metros na manhã desta quinta-feira (7), ultrapassando a cota de emergência, que é de 13,65 m.
Conforme a Defesa Civil, a enchente já afeta diretamente mais de 6 mil moradores. Por conta da cheia, 24 casas já foram desocupadas pelas famílias e a prefeitura anunciou que se prepara para decretar situação de emergência ainda nesta quinta.
A empregada doméstica suspendeu os móveis e está vivendo com mais de 50 centímetros de água acima do assoalho da casa. Segundo ela, o principal motivo para não sair e ir para um abrigo é o medo de o imóvel ser arrombado por criminosos.
“Acho melhor ficar assim, porque estou cuidando das minhas coisas dentro de casa. Se a gente sair, o povo vem, arromba a casa da gente e leva as coisas. Então, prefiro ficar dentro de casa. A gente suspendeu um assoalho e estamos aqui. É muito difícil, quando chega essa época eu fico estressada e aborrecida. A gente trabalha para ter as coisas e quando chega esse período acaba com tudo”, disse a mulher.
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Com os móveis suspensos, Elizete fala como fica a rotina da família. “Faço a comida, a gente come e quando é à tarde, vou para a casa da mulher que trabalho e só volto à noite. Meu esposo vai trabalhar fora também roçando quintal e meus filhos e meu neto vão para a casa da minha mãe”, contou.
Essa é a segunda vez que a família fica nessas condições, segundo a empregada. “A outra vez foi em 2017, que ficou pior do que está agora. Por conta dessa água toda, minha cama já está com pés sem prestar, a mesa eu levantei, mas já não está mais prestando também por viver só levantando e abaixando”, concluiu.
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Situação dos atingidos
Ao menos quatro bairros da segunda maior cidade do Acre e três comunidades ribeirinhas já estão alagadas. De acordo com a Defesa Civil, na zona urbana já são mais de 4 mil moradores que estão com as casas atingidas pela água e mais de 2 mil nas comunidades às margens do rio.
Desses locais, 24 famílias já foram obrigadas a sair de casa. Dessas, dez foram encaminhadas para um abrigo coletivo montado pela prefeitura em um ginásio de esportes, mas sete famílias preferiram ir para casas de familiares e outras sete foram encaminhadas para Aluguel Social.
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De acordo com o coordenador da Defesa Civil, José Lima, devido ao volume de chuvas na região, a previsão é que o manancial continue elevando o seu nível e outras famílias já estão solicitando apoio para sair de casa.
Para receber as solicitações de apoio, a prefeitura montou uma tenda no porto da cidade, onde os moradores das áreas alagadas são atendidos na hora de pedir socorro. O prefeito em exercício, Zequinha Lima, anunciou que o município deve decretar estado de emergência ainda nesta quinta.
Por Mazinho Rogério

