Antes do crime-catástrofe da Vale que chocou o país, a mineradora já tinha conhecimento que um eventual rompimento de barragem no local destruiria as áreas industriais da mina de Córrego do Feijão, o que inclui o restaurante e a sede da unidade, local onde estava boa parte dos mortos e desaparecidos, informa o jornal Folha de S. Paulo. A informação consta do plano de emergência da barragem, de 18 de abril de 2018. A mineradora se recusou a encaminhar o documento ao jornal que foi obtido junto a um dos órgãos oficiais encarregados de recebê-lo.
A reportagem assinada pelos jornalistas Lucas Vettorazzo, Nicola Pamplona, Thiago Amâncio, Carolina Linhares, destaca que “o rompimento da estrutura na última sexta-feira (25) destruiu até as sirenes que deveriam alertar os empregados da companhia. Também matou responsáveis pela comunicação em caso de ruptura. Até esta quinta (31), as autoridades contabilizavam 110 mortos e 238 desaparecidos na tragédia. Muitos deles estavam no restaurante da mina, a cerca de um quilômetro da barragem. O rompimento ocorreu na hora do almoço. Outros estavam na pousada Nova Estância, cuja inundação também estava prevista no plano.”
A matéria ainda informa que “para especialistas, devido à proximidade, os profissionais no local teriam pouca chance de escapar ainda que o alerta sonoro tivesse funcionado. O documento que prevê os danos em caso de rompimento é o Plano de Ações Emergenciais (PAEBM). O mapa da inundação está no anexo A. Segundo portaria do governo federal, o plano deve projetar quais serão os danos em caso de colapso e definir medidas de mitigação dos estragos. No caso da barragem de Brumadinho, ele previa que a extensão da lama chegaria a 65 quilômetros da barragem.”

