Após um aumento de 21% na tarifa e um possível novo aumento, também de 21%, para o meio do ano, a população acreana começou a se manifestar contra a empresa de energia elétrica Energisa. O primeiro grande protesto foi a paralisação organizada nesta manhã, 27, em Rio Branco em frente à sede da empresa.
Um grande público compareceu ao chamado e, unido com políticos e representantes de organizações da sociedade, mostrou para a empresa e para quem estava presente que não aceitará de forma passiva o aumento.

“A empresa alega que esse aumento é revertido no serviço de distribuição de energia. Mas quem garante que o Acre tem uma energia de qualidade? Mesmo estando ligado com o Linhão, temos quedas na distribuição constantes no interior do estado. Em Xapuri, que está aqui perto, são mais oito picos por dia”, explica Ivan de Carvalho, Presidente do Conselho Estadual do Consumidor de Energia.
Um dos deputados estaduais que está puxando essa luta, Jenilson Leite (PCdoB), afirma nunca ter visto um aumento realizado como este. “O aumento de 21%, com a perspectiva de mais 21% em junho, não tem nenhum precedente nos serviços públicos na história do Acre e do Brasil. Não lembro, pelo menos na minha históra pública que qualquer outro serviço tenha aumento desse preço, isso tira das pessoas o direito, inclusive, de se alimentar”, afirmou.
O deputado Edvaldo Magalhães também esteve presente e propôs ações cada vez mais duras e firmes da população para acabar com este aumento. “O aumento desta tarifa não passou pelos devidos processos, não houve consulta nem para discussão do percentual. Por isso, é preciso que o movimento endureça sua relação com a empresa. O não pagamento das contas em determinadas regiões das cidades, com barreiras para impedir o corte da energia, pode ser ser uma das formas de resistência para mostrar que não é tirando o pouco das pessoas que a empresa vai conseguir se viabilizar”, disse.
Eletroacre a preço de banana
Em 2018, a companhia de energia acreana Eletroacre foi vendida em um leilão para a Energisa pela bagatela de R$ 50 mil, Mesmo com os protestos das organizações sociais e alguns políticos, alegando que a Eletroacre era responsável pela atenção a áreas isoladas, a Eletrobras vendeu a companhia acreana.
A primeira medida da Energisa foi realizar um aumento de 21% na tarifa cobrada pela energia aos acreanos. Em janeiro deste ano a Justiça chegou a suspender o aumento, após pedido das defensorias públicas da União e do Estado, que mostrava como o aumento era abusivo. Porém, a decisão foi suspensa logo em seguida e o aumento continua.