Juro como estava disposto esperar os cem dias para me manifestar, mas, já que fui indagado por um tucano, vamos aos fatos. O governo que está aí há quase 60 dias, e sequer apontou caminhos para que o Acre siga desenvolvendo com sustentabilidade, tem uma única aptidão: reclamar e procurar possíveis erros da gestão anterior, para ver se justifica a própria ineficiência.
Estamos quase em março e eu pergunto: até agora, o que esse governo propôs fazer? A resposta é nada! É um “governo de oposição”, que além de não fazer nada, aindadesfaz o que estava dando certo.
Eles, que se autodenominavam “a mudança”, desfizeram a lógica do Sistema de Saúde e ressuscitaram o caos no Pronto Socorro, enfrentado pelos acreanos no governo Orleir Cameli. Alteraram os procedimentos para matrícula na rede pública e resgataram as filas da madrugada, dos tempos de Alércio Dias.
O novo governo, vazio de projetos, também removeu a simbologia da bandeira do Acre estampada no helicóptero oficial, se utilizando de uma narrativa ideológica estupida. Extinguiu o sistema de proteção ao cidadão, no trânsito,desligando os radares de controle de velocidade – instalados onde havia grande índice de acidentes, queforam reduzidos drasticamente devido os dispositivos de segurança – nas principais vias urbanas.
O mais interessante é que o nobre governador determinou o desligamento dos radares, justamente, às vésperas do Carnaval, período em que num passado distante haviam índices altíssimos de acidentes. Justificou a medida perigoso como sendo para “poupar o bolso do povo”. Entretanto, o que ele demonstra não prezar e poupar é a vida das pessoas, vítimas de motoristas imprudentes.
Ora, se ele quer aliviar o bolso do cidadão, então por que não isenta taxas e o IPVA? Pois é daí que o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) arrecada o maior volume de recursos. Fazer firula populista botando vidas em risco é uma irresponsabilidade.
Arcaicos e defensores de propostas do agronegócio predatórias, eles acabaram com a estrutura da política de crédito de carbono, extinguindo o Instituto de Mudanças Climáticas (IMC). O Acre foi o primeiro governo subnacional do mundo a desenvolver um programa de REDD, tornando-se referência para outros estados e países.
Já passou da hora do governo parar de se comportar como oposição e, de fato, assumir a gestão da máquina pública. O terreno da oposição agora é nosso! E nós vamos fazê-la com intensidade, nem adianta espernear.
André Kamai é sociólogo e ex-presidente do PT

